HISTORIAndo!

Blog destinado à aqueles que amam História! Escrevam a sua História! Participe! Meu nome é Edevânio Francisconi Arceno , Moro em Garuva -SC! Sou casado com Viviani e pai de Giovanni e Fernanda! Sou acadêmico de Historia-UNIASSELVI - Contato : edevaniopm@terra.com.br.É só Clicar nas imagens abaixo para entar nas páginas! Acompanhe os trabalhos destaques elaborados por alunos! É só clicar! Boa Leitura.

30.9.09

“ABEL E NORMINHA” NA RELAÇÃO DE HISTÓRIA E MEMÓRIA

“ABEL E NORMINHA” NA RELAÇÃO DE

HISTÓRIA E MEMÓRIA

 

Edevânio Francisconi Arceno
Prof. Diego Finder Machado
Literatura, Memória e Sociedade.

Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

29/09/09

 

Atualmente quando ouvimos a música que diz: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”, automaticamente vem à nossa memória o casal Norminha e Abel, personagens da novela global Caminho das Índias. Aproveitando à popularidade deste casal fictício, que conquistou o Brasil, mencionaremos seu relacionamento contraditório com a relação intensa e conflituosa entre História e Memória

Primeiramente vamos desmistificar o discurso de que falar sobre a relação entre História e Memória, é complexo, pois não sabemos ao certo o conceito de cada uma. Isto não é verdade, pois a expressão latina “Memória” deriva de menor e oris, significando: “O que lembra” e está ligado ao passado. Apesar dos vários significados ao longo da História, sempre manteve sua essência, ou seja, Memória é algo que lembra o passado. Quanto ao conceito de História, você como historiador deve estar careca de saber, se ainda não sabe, propomos rever sua opção, que tal engenharia eletrônica? A empresa Tupy tem ótimas ofertas para estes profissionais! 

Conhecendo seus respectivos conceitos, vamos analisá-los separadamente usando como referencia aquele casal, “Você não vale nada, mas eu gosto de você”, lembrou da Norminha e Abel, não foi? Isto é Memória!Vamos começar pelo Abel, personagem do ator Anderson Muller, ele é um homem responsável, cumpridor de seus deveres e sabe fazer uso de sua autoridade. Seu trabalho é seguir regras e fazer com que outros também as sigam. Quer desapontá-lo? É só atravessar a rua fora da faixa. Da mesma forma a História tem uma reputação a zelar, ela é definida tradicionalmente como uma reconstrução científica que se faz através de um método, devendo sempre questionar a "integridade" de suas fontes, sejam elas escritas ou orais. O dever tradicional da história está em estabelecer os fatos como realmente ocorreram, pois só assim o passado é recuperado pelo presente. Para a História a compreensão do passado, não está simplesmente ligada a um ato esporádico, mas é composta de uma rede bem mais complexa. Na História a “faixa” são as fontes, quer ser um historiador, ande na faixa.

Enquanto Abel permanece vigilante com sua tradicional reputação sempre de olho na faixa, ela surge como um lapso. Seu caminhar é curvilíneo e sedutor, seus dedos sempre em movimentos circulares moldando a franjinha do cabelo. Seu olhar atento a todos a sua volta procura avidamente por sua propriedade, Abel. O vestido modelo “tomara que caia” parece cair a cada batida do coração, deixando quase livre seus fartos seios, que são retidos pelas rendas de seu sutiã, sempre amostra nas mais variadas cores. Seu vestido também protege o corpo de uma tradicional mulher brasileira, com bumbum grande e uma barriguinha saliente presa dentro da cinta elástica disfarçadamente escondida debaixo do vestido, e tudo isto em cima de um lindo sapato de salto alto comprado em doze vezes sem juros. Esta mistura de realidade e ficção que caminha em direção do tradicional Abel, é Norminha, personagem da atriz Dirá Paes.

Para os gregos a Memória é a geradora das artes, porém não obedece a regras, não combina sapatos e bolsa, mesmo assim se populariza e ganha autonomia e destaque em relação aos membros de um grupo. Isto não significa que a memória seja individual ou que cada um tenha uma memória própria, mas ela está situada num universo mais amplo, pois segundo Halbwach, toda memória se constrói com intermédio de outrem, através de trocas de experiências coletivas. Diante disto, a memória além de individual pode ser coletiva porque nem sempre é verdadeira, infalível e principalmente fiel. Esta falta de fidelidade desestabiliza a relação apaixonada entre Norminha e Abel, ou Memória e História.

Mesmo com tantas contradições, ambos são eternamente apaixonados e dependentes do passado, apesar de tratarem dele de forma diferente. Abel não tira os olhos da faixa, por acreditar que pode contribuir através de seus conhecimentos para que novos eventos não ocorram, bem como a História que estuda e analisa o Passado com objetivos específicos e às vezes refletindo em ações. Para Huyssen, a olhada para o passado viria para compensar a perda de estabilidade que o indivíduo tem com seu presente.  Norminha busca no passado fatos sem se importar se foram tristes ou alegres, se aconteceram na faixa ou não, pois não tem pretensão ou desejo de evitar outros acontecimentos, apesar de todo amor e respeito por Abel. Claro que além das memórias estáticas como Norminha, existem também as não estáticas, pois a memória muda sempre de acordo com o presente, e por ser intensa tende a perpetuar sentimentos.

Concluiremos dizendo que esta relação intensa e conflituosa entre História e Memória, está longe de terminar, talvez seja isto que a deixe tão apaixonante. Assim como na novela Caminho das Índias, o desconfiado Abel vai continuar sendo vítima das armações e infidelidades de Norminha durante muito tempo, a História também conviverá com a frágil veracidade da Memória. Pois assim como Abel não vive sem sua Norminha, a História sem a Memória não existe.

 

REFERÊNCIAS

 

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990. 

HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro: 2000. 

SARLO, Beatriz. Tempo passado. Cultura da Memória e Guinada Subjetiva. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

 

 

 

criado por Edevanio    13:30 — Arquivado em: Sem categoria

SOFIA OU HILDE, EIS A QUESTÃO

SOFIA OU HILDE, EIS A QUESTÃO

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Diego Finder Machado

Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

Literatura, Memória e Sociedade.

27/09/09

Quem não desejou um dia atravessar a “Ponte para Terabítia” e viver as mais loucas aventuras em um mundo completamente imaginário. Quem quiser ousar, não precisa ir muito longe, pois este mundo pode estar a sua frente, talvez não tenha nem que atravessar o rio. Basta abrir um livro e viajar por reinos fantásticos, repleto das mais variadas culturas em qualquer tempo e espaço. Nesta viagem quem determina o tempo é o leitor.

A maravilha da literatura, é que seus personagens ganham vida própria a ponto de o próprio escritor perder seu domínio sobre eles, pois vão desenvolvendo suas próprias Histórias. Para relatar nossas impressões sobre a simultaneidade entre Literatura e História, gostaríamos de fazer uma analogia através da vida de duas adolescentes com a mesma idade, aparência, sonhos e outras semelhanças. A primeira é Hilde Knag, uma linda jovem que vive com a mãe, mas espera angustiada pela volta de seu pai, Albert Knag, um oficial militar no Líbano a serviço da ONU. Outra é Sofia Amundsem, filha de pai ausente, vive com a mãe e como toda adolescente espera ansiosa pelo seu décimo quinto aniversário. A vida de Sofia era exatamente igual à de outras adolescentes, muitas dúvidas e poucas decisões, até que um dia recebeu uma correspondência anônima com a seguinte pergunta, “Quem é você?”, sem saber, neste momento ela estava iniciando um curso, um caminho que mudaria sua vida para sempre.

Você já se deparou com este questionamento? Afinal quem somos nós!Somos o que pensamos ou pensamos o que somos! Estas e muitas outras respostas foram encontradas por Sofia, com ajuda do seu professor de Filosofia Alberto Knox. Esses personagens ganharam vida através do escritor norueguês Jostein Gaarder, em “O mundo de Sofia”. Esta obra traz um debate entre o real e o imaginário. Na medida em que a trama vai se desenvolvendo o autor nos revela que aquilo que tínhamos por verdadeiro era falso e o falso verdadeiro.

Afinal quem é real, Hilde ou Sofia? Depende da perspectiva. No livro, “O Mundo de Sofia”, somente uma delas é real, porém para o escritor Jostein Gaarder, ambas são imaginárias. Então o que é real e o que é imaginário?

Esta questão vem polemizando a relação entre História e Literatura. A História diz que a Literatura não é real, enquanto a Literatura pergunta à História, o que é real ou quem é real? Vemos esta relação, como um amor platônico e incestuoso entre irmãs ou de duas adolescentes curiosas como Hilde e Sofia. De um lado temos Sofia ou a História, toda certinha, responsável, preocupada com que os outros dizem, acham ou pensam a seu respeito. Sempre procurando respostas no passado com pensadores no assunto em questão. De outro temos Hilde ou a Literatura, desligada, pois esquece as coisas, é descompromissada, romântica, mimada e até mesmo irresponsável, porém ela tem algo que a diferencia, sua simpática narrativa. Então diz à Sofia para ser mais simpática (Narrativa), porém Sofia diz que Simpatia é sinônimo de fantasia e seu compromisso é com a verdade. Porém, o que é verdade?

Alguns dizem que nossa realidade depende de nossos sentidos, de nossa mente e de nossas subjetividades. Os Gregos antigos acreditavam numa verdade absoluta e universal advinda de sua Mitologia e Filosofia. Santo Tomás de Aquino, na Idade Média, definiu a verdade como um acordo do pensamento com o real. As verdades e os conceitos sobre as coisas mudam com as apropriações de novos conhecimentos, como por exemplo, a circunferência da Terra, que até pouco tempo achava-se que era plana e delimitada por precipícios infindáveis. Muitos associam a verdade, à uma neutralidade absoluta, porém uns pensadores a vinculam à subjetividade enquanto outros a consideram condicional. Como podemos observar este embate entre real e imaginário é antigo, por isso a Literatura grita aos quatro ventos, quem garante que a História (Sofia) é a verdade e quem lhe deu o direito de dizer que o resto é imaginário.

Atualmente é comum observarmos nas salas de aula, a presença cada vez mais constante da Literatura, auxiliando nas aulas de História, mas até que ponto esta aproximação é conveniente? A historiadora gaúcha Sandra Pesavento, tem vários estudos sobre a relação entre História e Literatura. Ela procura demonstrar que apesar de ambas terem diferentes objetivos na construção da identidade, se apresentam “como representações do mundo social”. A autora entende que a partir deste conceito de representação é possível incluirmos a Literatura como mais uma fonte histórica.

“a ficção não seria o avesso do real, mas uma outra forma de captá-la, onde os limites da criação e fantasia são mais amplos do que aqueles permitidos ao historiador [...]. Para o historiador a literatura continua a ser um documento ou fonte, mas o que há para ler nela é a representação que ela comporta [...] o que nela se resgata é a re-apresentação do mundo que comporta a forma narrativa”. (PESAVENTO, p.117)

O conceito de representação passa a ser essencial para entendermos essa aproximação. Outro autor que apregoa esse conceito é Roger Chartier, ele diz que o conceito de representação deve ser compreendido como um “instrumento de um conhecimento mediador que faz ver um objeto ausente através da substituição por uma imagem capaz de reconstituí-lo e figurar na memória como ele é”. Neste sentido, acreditamos que os textos literários podem ser compreendidos, como representações que demonstram a sociedade da época retratada através dos contextos, que aparecem de uma forma ou outra, na descrição dos personagens, na maneira de como se comportam, ou seja, na forma como o enredo é construído.

Apesar disto, é importante salientarmos que a literatura traz representações singulares do autor, mesmo que este trate da pluralidade social, enquanto a História trata de representações sociais, baseadas nas narrativas singulares do historiador e suas fontes. Resumindo, uma representação literária é singular enquanto que a histórica é pluralizada.

Para concluir, gostaríamos de ressaltar que a narrativa histórica e a narrativa da ficção são semelhantes, mas não podemos radicalizar dizendo que não são diferentes. Acreditamos que as narrativas históricas seguiram e devem seguir técnicas específicas, através da leitura de documentos, técnicas de análise, organização das fontes, sempre utilizando os critérios de provas. Não podemos esperar o mesmo procedimento da narrativa literária, porém o historiador pode apropriar-se desta narrativa, bastando apenas confrontá-la com outras fontes. Desta forma ele estará analisando e enriquecendo-a com a cientificidade exigida pela narrativa histórica.

Quem não sentiu o coração pulsar mais forte, a cada mensagem solucionada e mistério desvendado pela garotinha Sofia, como um gigante quebra-cabeça onde a solução era sua própria inexistência. Sofia, a História, poderá conviver perfeitamente com Hilde, a Literatura, enquanto cada uma viver em sua dimensão. A partir do momento em que uma tomar o lugar da outra, a História termina. Diante disto quem nos garante que não existe um norueguês maluco escrevendo e brincando de Deus com a sua, a minha ou a nossa vida? Quem pode nos garantir que não somos como Hilde ou Sofia, personagens de uma História sem fim, ou com dia e horário marcado para a leitura do último parágrafo. O que é real? O que é imaginário?

Para nós, não importa se as imagens que estão sendo refletidas na grande parede da caverna são imaginárias ou reais. Temos que ter em mente, a certeza de que as correntes que nos aprisionam diante desta parede, são imaginárias. Elas não existem, então não podem nos deter, estamos livres e a um passo de ver o real, pois o que nos separa dele são nossas atitudes. Se a leitura desta despretensiosa literatura lhe fez ver isto, estimulou ou simplesmente fez você refletir sobre sua História, se és Sofia ou Hilde, acreditamos que ambas, História e Literatura, podem perfeitamente coexistir.

REFERÊNCIAS

CHARTIER, Roger. O mundo como Representação. Estudos Avançados, nº 11, p.115-127. Jan./Abr. de 1991.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia.

São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Relação entre História e Literatura e Representação das Identidades Urbanas no Brasil (século XIX e XX). In: Revista Anos 90, Porto Alegre, n. 4, dezembro de 1995. p. 117.

criado por Edevanio    13:18 — Arquivado em: Sem categoria

DO ATELIÊ DE DURVAL À VITRINE DE BIÁ

 

DO ATELIÊ DE DURVAL À
VITRINE DE BIÁ

   

Edevânio Francisconi Arceno
Prof. Diego Finder Machado
Literatura, Memória e Sociedade.
Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

24/09/09

 

O que fabrica um historiador? É a pergunta que norteia o trabalho do historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior. Quando Michel de Certeau fez o mesmo questionamento, obviamente estava tentando passar a visão de que o historiador é um construtor, alguém que cria a partir de algo, pois toda construção surgi a partir de algo, enquanto Marx diz que a própria História é a máquina de construção, ao historiador cabe apenas o papel de engrenagem. Independentemente da forma, sendo máquina, agindo como força motriz ou produto resultante desta força, a História tem um papel social significativo, pois ela explícita esta e muitas outras divergências que movem o mundo. Diante disto, o historiador Durval, compara o trabalho de historiador a de um tecelão, por se tratar de uma construção delicada, complexa e minuciosa de agregar fragmentos através dos pontos, formando uma costura sempre buscando a forma desejada.

Uma visão linda e poética, porém gostaríamos de lembrar com que intenção Penélope tecia o seu infindável enxoval, ela aguardava a volta de seu Ulisses. Sempre há uma intenção, uma força motriz por trás de cada História. Independente de como o historiador é chamado ou comparado através do tempo, desde histor até tecelão, seus serviços sempre foram, são e serão contratados por alguém, e ninguém contrata um tecelão para fazer um suéter e se satisfaz com um cachecol.

 

Partindo da visão de Albuquerque, de que o historiador é um tecelão dos tempos, visitamos uma malharia e encontramos os mais variados tipos de máquinas de tecelagem, que vão sendo destinadas a cada tipo de tecelão. O primeiro nível, ou seja, os tecelões inexperientes que estão em fase de aprendizagem, são colocados nas máquinas manuais, ou seja, esta máquina vai respeitar a velocidade e perícia de seu operador, assim não terá nenhum motivo para apressar a troca dos fios, e terá tempo e tranqüilidade para a manutenção das agulhas na troca do ponto. Com um pouco mais de experiência este tecelão será colocado na máquina conhecida como pica-pau, ou seja, é manual e também automatizada, quando o operador sentir-se preparado para as trocas imediatas ele optará pela segunda opção. Quando este tecelão adquirir mais experiência e tiver domínio na manutenção das agulhas, (Fundamentação Teórica) e conhecimento sobre os diferentes pontos, (Conversar com as Fontes), ele estará preparado para outra máquina totalmente automática, porém mesmo com todo este conhecimento adquirido através da prática, ainda assim estará apenas prestando um serviço a alguém, que só será comprado se agradar o cliente.

 
Existem também os tecelões que trabalham por conta própria. Aquele que se coloca diante de uma cesta cheia de documentos, de relatos, de imagens, de escritos, de narrativas, de variadas cores e tonalidades e depois acha o famoso fio da meada, então vai tecendo e quando percebe seu produto está pronto. Ele olha e diz que obra linda eu criei, com certeza ganharei um bom dinheiro com ela! Então começa a ofertá-la, derrepente nota que todos a sua volta têm uma obra similar e por causa disto resolve ir para outro contexto, pois só assim darão valor no seu trabalho. Quando chega lá, vê outros milhares de tecelões que tiveram a mesma idéia e se vê como os redeiros nordestinos, que abandonaram suas casas para vender redes nas praias do Sul, chegando, observam que existem muitos outros vendedores de rede. Em virtude disto começa oferecendo sua arte por um determinado preço e acaba vendendo por menos da metade do valor. Observem que até o dono do ateliê reconhece esta dificuldade:
 

Mas quero chamar atenção para o fato de que, o historiador, tal como o artesão, o produtor direto, realiza, quase sempre, uma troca bastante desigual quando seu produto é colocado a venda. O texto do historiador, como o objeto fabricado pelo artesão, exige muitas horas de trabalho, é um produto que exige um trabalho extensivo, mas que será adquirido por preços que estão muito longe de corresponder ao tempo gasto para sua produção. (ALBUQUERQUE JÚNIOR, p.10)

Não importa como o historiador se sente, um tecelão efeminado, um ferreiro solitário, jardineiro escolhido por Deus, uma carpideira saudosa, um carpinteiro do tempo, como um padeiro de sonhos ou mestre cuca do pirão de gente, sempre estará a serviço de alguém, farão tudo que o mestre mandar

Não gostaríamos de deixar uma imagem pessimista da função de historiador, até porque ser historiador é muito nobre, e a presença deste funcionário é imprescindível à Sociedade. Isto mesmo Funcionário! Claro que existem entre os milhares de funcionários, aqueles que se destacam e podem ser tecelões ou até mesmo mestres da alta costura. O próprio Durval, caminha nesta direção, porém sabe que para ser um dos grandes, tais como: Heródoto, Tácito, Maquiavel, Petrarca, Carr, Bloch, tem que vender muita rede

É possível deixar de ser um funcionário e ser um tecelão? Sim, porém para isto você terá primeiramente que participar da semana da moda, “Antonio Biá-Fashion Week”. Nome herdado do grande mestre da alta costura que soube valorizar a História e o papel do historiador. Deixou de ser um singelo personagem, do pequeno vilarejo de Javé, deixando para trás seu ínfimo emprego, para se tornar um dos maiores mestres da alta costura historicista mundial, um verdadeiro tecelão, que tecia o que achasse valer a pena ser tecido. Negou-se a ser um funcionário, que tecia apenas o que os Mestres mandavam.

Quem deseja tecer como Homero, Heródoto, Tácito e outros, têm que sair do Ateliê de Durval e seguir uma longa estrada até chegar a Vitrine de Biá. Muitos não chegarão, serão sempre funcionários, mas com certeza a caminhada será histórica!

 

 

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. O Tecelão dos Tempos:O Historiador como artesão das temporalidades. Disponível em: http://www.cchla.ufrn.br/ppgh/docentes/durval/artigos/o_tecelao_dos_tempos.pdf Acesso em : 21/09/09

 

 NARRADORES de Javé. Direção: Eliane Caffé. Produção: Vânia Catani. Roteiro: Luis Alberto de Abreu e Eliane Caffé. Interpretes: José Dumont, Matheus Nachtergaele, Gero Camilo, Nelson Dantas e outros. Rio de Janeiro. Estúdio: Bananeira Filmes / Gullane Filmes / Laterit Productions. 2003. Fita VHS (100min.), son, color.

 

 

criado por Edevanio    12:57 — Arquivado em: PAPER, Sem categoria

19.8.09

AS DUAS FRIDAS (1939) FRIDA KAHLO

 

AS DUAS FRIDAS (1939)

FRIDA KAHLO
 
Las dos Fridas, 1939.  ( As duas Fridas )
Lienza em óleo 173,5 X
173 cm. ( Tira de pano = Tela em Óleo)

"pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade (Kahlo, Frida. O diário de Frida Kahlo: p. 287).

Edevânio Francisconi Arceno
Prof.ª Regina Küster Moraes

Curso de Pós-Graduação
em História Cultural – AUPEX
História e Artes Visuais

16/09/09

 

Filha do fotógrafo judeu-alemão Guillermo Kahlo e de Matilde Calderón e Gonzalez, uma mestiça mexicana, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu no dia 6 de julho de 1907 em Coyoacán, na Cidade do México. Em 1914 sofre de poliomielite. Em 1922, na escola onde estuda, conhece Diego Rivera, que lá estivera pintando um mural. Em 1925 estuda pintura com o pintor comercial Fernando Fernández, amigo de seu pai. No mesmo ano, em 17 de setembro, ao retornar da escola sofre um acidente de trânsito no qual quebra a bacia e a coluna dorsal, além de graves ferimentos. Começa a pintar durante a convalescença. Em 1928 quando Frida Kahlo entra no Partido comunista mexicano, revê o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte. Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com Rivera. Entre 1937 e 1939 Leon Trotski vive em sua casa de Coyoacan. Frida sofre vários abortos, submetendo-se, ainda, a duas cirurgias: uma no pé e outra para retirar o apêndice. Ao longo da vida, a pintora será submetida a mais de 35 cirurgias, numa das quais teve amputada a perna direita. Depois de algumas tentativas de suicídio com facas e martelos, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraído uma forte pneumonia, foi encontrada morta.

A vida e obra de Frida Kahlo são impossíveis de resumir em um simples enredo. Uma Mulher à frente de seu tempo, que lutou contra a debilidade física de seu corpo e social do seu gênero. Afinal quem era Frida Kahlo? Um vulcão preste a entrar em erupção que nunca se preocupou com o puritanismo hipócrita que a cercava, mulher de muitas paixões, apaixonados e apaixonadas. Assim como era apaixonada pelo México e o partido comunista, esta dualidade de sentimentos fez deste ícone mexicano uma mulher diferente. Alguns a definem como bi-sexual ousamos dizer que Frida estava, além disso, pois nem Ela própria sabia o que era e tão pouco queria saber, e quem disse que temos que ser Homem ou Mulher!A moral, os bons costumes?E quem diz que os costumes são bons ou ruins? Quem ousaria dizer a Frida o que fazer!Tudo isto ela retrata em sua obra, sentimentos conflituosos, desesperanças, saudades, frustrações, mas ainda assim ela deixa bem claro: “Frida está no domínio de tudo”.

Esta forma irreverente de ser, viver e pintar fez com que o galanteador e eternamente infiel muralista Diego Rivera se apaixonasse por ela. Da mesma forma Frida viu em Rivera o parceiro perfeito para suas aspirações políticas, seu desejo de liberdade e principalmente a companhia perfeita para sua arte. Frida e Diego escandalizariam muitos casais liberais do século XXI. Um casamento onde a fidelidade foi substituída pela lealdade, pelo menos esta era a vontade de Frida, sabendo que seria impossível esperar fidelidade do insaciável Rivera.

Os encontros com amantes eram comum para o casal. Diego sabia de todas as variações e desejos sexuais de Frida, porém ela não sabia de todos os desejos de Rivera. Entre idas e vindas o casamento foi resistindo, até o dia em que Diego seduz e conquista sua irmã mais nova Cristina. O pacto de lealdade não resistiu a este golpe, então Frida separou-se de Diego. Mesmo separados, ele procura Frida como companheiro pedindo ajuda para exilar Leon Trotski, um dos líderes da revolução Russa, com quem ela se envolve sentimentalmente, porém logo Trotski se vê obrigado a mudar de endereço novamente.

Frida aceitou um convite para expor suas obras em Paris na galeria Renón et Colle, em 1939.Ao retornar para o México recebeu dois grandes golpes. O primeiro foi o pedido de separação judicial de Diego Rivera, que iria para os Estados Unidos e o segundo foi a notícia da morte de Trotski, mais que um amigo era símbolo do autêntico comunismo de Frida. Neste contexto Frida Kahlo pintou em 1939 o quadro: “As duas Fridas”, o qual será objeto de análise neste trabalho.

 

 

ANÁLISE DO QUADRO

 

O quadro mostra duas Fridas sentadas sobre um sofá de cordas sem encosto, uma ao lado da outra de mãos dadas. Ao fundo temos um céu muito escuro e talvez tempestuoso dando-nos a idéia de que naquele instante a autora não vislumbrava um horizonte claro, um futuro, mas sim uma eminente tempestade. O piso parece sem vida, sem cor, somente areia e mais nada. Nem uma grama, flor ou canteiro, nenhuma cor vibrante, apenas barro, quase tão sem vida ou apenas com meia vida como uma das duas Fridas.

As duas Fridas olham para o mesmo lugar, com olhar altivo, concentrado e enigmático. Suas peles se diferenciam através da tonalidade, uma é um pouco mais escura do que a outra, assim como suas expressões faciais. A de pele mais clara tem um rosto mais suave e feminino, enquanto que a outra não.

Outra vez Frida usou um vestido como diferencial em sua obra, os vestidos sempre foram peças importantes na composição dos seus quadros. Em seu diário está relatado que no dia do seu casamento, ela optou por um vestido verde com uma capa vermelha, cores da bandeira do México. Em outra obra ela delimitou as fronteiras do México e Estados Unidos com um vestido no varal.

            Agora ela aparece sentada duplamente em um banco vestida com diferentes vestidos. Um deles veste a Frida de pele mais clara com expressões mais femininas e este é diferente de todos outros que ela pintou. Um vestido branco, com detalhes florais em vermelho, gola alta, com peitoral e mangas trabalhadas, talvez influência da recente viagem da autora a Paris. A outra Frida veste um cotidiano, com cores fortes, poucos detalhes e uma barra enfeitada, tipicamente um vestido “Fridiano”.

            Um detalhe marcante no quadro é a exposição do coração em ambas Fridas, que se interligam por uma artéria. O coração da Frida tipicamente vestida aparece inteiro, ainda que fora do corpo, mas inteiro, enquanto que a outra está com o coração partido. A autora mostra o coração do lado externo do corpo, fazendo referência do que Diego falou de suas obras, quando disse que pintava o que é aparente, enquanto Frida externa o que se passa por dentro. Diante disto acreditamos que ela quis demonstrar e Diego compreendeu o que estava sentido.

            O detalhe das mãos demonstra quem estava apoiando quem. A Frida de coração inteiro é quem segura à mão da outra, e na mão esquerda ela segura um pequeno retrato de Diego, que em muitas obras e por muito tempo foi retratado como seu terceiro olho, apesar de reconhecer que a recíproca não existia. Com a expressão menos feminina e queimada pelo sol, arranca este terceiro olho, mas quem rompe a ligação com o coração é a sensível Frida, pois ela é quem está com o instrumento cirúrgico na mão para romper as lembranças de Diego. As marcas de sangue que salpicam o vestido branco demonstram o quanto foi difícil e dolorosa esta ruptura.

            Mesmo com o coração partido, a parte feminina e delicada de Frida Kahlo, não está morta. A forte, masculinizada através de expressões e o modo de sentar-se de pernas abertas, ainda mantém uma artéria ligada e levando vida ao coração partido da doce Frida. E a mesma mão que desligou a artéria da imagem de Rivera, ainda está ali, bem como a imagem. Apesar da autora não vislumbrar um futuro no horizonte, no céu ainda há nuvens brancas e esperança de que tudo pode ser religado.

            Diante disto concluímos que a porção feminina de Frida está momentaneamente abalada. Esta foi nossa análise superficial da obra: “As duas Fridas”. Ainda que não seja nada disso que a autora quis nos dizer, arriscamo-nos sem medo de errar, ousamos e talvez, contradissemos muitas outras análises acadêmicas. Porém como revolucionários vislumbramos a possibilidade de esperança e dias melhores mesmo em céus tempestuosos. Também acreditamos que uma ruptura por mais dolorosa e sofrida que tenha sido, pode ser apenas momentânea. Por tudo isto, cremos que agindo desta forma, fomos um pouco, FRIDA KAHLO.

 

REFERÊNCIAS

FRIDA. Direção: Julie Taymor. Produção: Salma Hayek, Lindsay Flickinger, Sarah Green, Nancy Hardin e outros. Roteiro: Clancy Sigal, Diane Lake, Gregory Nava, Anna Thomas. Intérpretes: Salma Hayek como Frida Kahlo, Alfred Molina, Antonio Bandeira. Distribuidora: Miramax Films / Lumière. Drama, 2002. 1DVD (123 min)

Kahlo, Frida. O diário de Frida Kahlo: um auto-retrato íntimo. Introdução Carlos Fuentes; comentários Sarah M. Lowe; tradução Mário Pontes. - 2ª. ed. - Rio de Janeiro: José Olympio, 1996. p. 287.

WIKIPÉDIA. Frida Kahlo. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frida_Kahlo. Acesso em 10/09/2009.

 

 

 

criado por Edevanio    16:22 — Arquivado em: Sem categoria

13.8.09

O MITO DA CAVERNA

VOLTAR À CAVERNA, JAMAIS!

MM

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof.ª Regina Küster Moraes

Curso de Pós-Graduação em História Cultural - AUPEX

12/08/09

 

Analisar o “Mito da Caverna” é sempre desafiador, pois força-nos a uma hermenêutica onde a matéria prima está entre a sensibilidade e o imaginário. Até mesmo o autor do Mito, o intelectual Platão, mergulhou neste dilema tentando racionalizar essa incrível viagem surreal de Sócrates, mas como racionalizar ou sistematizar o inatingível abstrato? Todo aquele que ousou e ousar, terá grande possibilidade de errar, mas todo erro aponta para um novo caminho onde possivelmente encontraremos o acerto. Nesta busca incansável pela verdade, alvo do “Mito”, muitos intelectuais contribuíram e contribui com seus erros e acertos, encaixando algumas peças deste intrigante quebra-cabeça.

Um dos mais apaixonados pelo Mito foi o filósofo alemão Martin Heidegger, que produziu um ensaio com o título “A doutrina de Platão sobre a verdade”, onde acredita que o Mito pode conceituar a verdade. Afirma que a filosofia é a educação e caminho para esta verdade. Heidegger nos faz acreditar que o Mito da Caverna nos diz que olhar para a direção certa, exata e rigorosa é a chave para se obter a verdadeira Verdade.

Neste mundo analítico encontramos entre muitos, o nosso homem da caverna Piteco, personagem das histórias em quadrinhos criado pelo desenhista Maurício de Souza, que nos faz uma revelação surpreendente, alertando-nos para o fato de que ainda estamos numa caverna. Em uma viagem no tempo através das tirinhas, o personagem encontra os mesmos homens plantados em frente à televisão, vivendo uma realidade muito semelhante, mas não é a deles. Ainda estamos acorrentados por campanhas previamente coordenadas para manter-nos cada vez mais alienados da realidade existente.

Nossa professora de Artes Visuais, disse-nos que certa vez Michelangelo depois de terminar sua estátua Moisés, bateu com o martelo na obra e gritou: Porque não falas? (Perché non parli), pois acreditava que a missão do escultor era libertar as formas existentes que estavam dentro da pedra, apropriando-nos disso, embasaremos nossa análise do “Mito da Caverna”.

Cremos que desde a criação do mundo, ou seja, algum tempo antes de Sócrates e Platão, o mundo já era o que é hoje, e o mundo de hoje é muito mais do que vemos, pois seus elementos naturais e tecnológicos já estão dentro da Pedra, apenas esperando os escultores. Assim como Sócrates, Platão, Heidegger, Piteco, Mauricio, e outros, nós também vemos apenas sombras do porvir. Nosso ambiente é uma enorme Caverna, delimitada por contextos e temporalidades e estas sombras que evidenciamos, são apenas reflexos de uma realidade longínqua, mas que também pode estar bem perto, pois a luz da razão que as faz refletir, hoje está mais forte do que nos tempos de Sócrates, mas quem poderá mensurar sua intensidade?

Não é fácil deixar a caverna! Muitos creditam isto à comodidade, mas não é apenas isto que nos detém na Caverna, existem muitos obstáculos à frente, que nem sequer conhecemos ,pois temos que nos livrar primeiro das correntes. Estas correntes, não são fáceis de serem quebradas, pois seus elos foram forjados no fogo do preconceito, alimentado pela queima do senso comum, que chega até nós, por ambíguos lenhadores, que apesar da simplicidade aparente, estão extremamente comprometidos com aqueles nos observam do topo da Caverna.

Apesar de tudo, você pode enfrentar as correntes, os obstáculos, as luzes e finalmente se libertar. Aconselhamos aos que conseguirem realizar este feito, para não cometer o mesmo erro de outros. Como todos sabem, todos aqueles que voltaram para avisar sobre sua descoberta, pagaram um preço. Sócrates pagou com a vida, Heidegger sabe-se lá! Podemos imaginar que não foi fácil em uma sociedade manipulada por poucos, afirmar que a verdade está no nosso olhar, e não fora dele. Quanto ao Maurício de Souza, acreditamos que não foi fácil, esperar terminar todos os resquícios da ditadura Militar no Brasil, para demonstrar aos brasileiros que a televisão nos afasta da realidade, condiciona nossos pensamentos e ameniza as barbáries cometidas pelos poderosos.

Como historiadores, sabemos que os acontecimentos passados, servem para nos ensinar a não cometer os mesmos erros, então, Jamais voltaremos para contar as maravilhas que vislumbramos aqui fora, como por exemplo, o tele-transportador que nos leva em um segundo até Marte e em cinco até Júpiter, as novas florestas amazônicas que foram implantadas, uma em cada continente e dez em cada Planeta, e a maior de todas as maravilhas, a verdadeira origem do Homem. Estas e muitas outras “Novidades” estão todas aí, bem na sua frente, porém você insiste em ficar na caverna vendo sombras e alguns nem isto vêem. Não voltaremos para avisar ninguém, no máximo mandaremos um email, ou talvez até façamos um artigo relatando todas estas maravilhas que descobrimos, porém voltar à caverna jamais, afinal ninguém quer morrer!

 

 

criado por Edevanio    9:34 — Arquivado em: CRÔNICAS, Sem categoria

1.8.09

REFORMA PROTESTANTE: O Tilintar da Moeda na Caixa.

O Tilintar da Moeda na Caixa

Edevânio Francisconi Arceno

Prof Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

Licenciatura / História (HID 0771) - História Moderna

19/05/09

RESUMO

A palavra Reforma, apesar de complexa, seus significados mais comuns são: melhoramento; conserto, reparação, restauração, modificação, ou seja, aprimorar, reparar, restaurar ou modificar o que já está feito. Porém quando observamos os fatos da Reforma Religiosa, uma nomenclatura Reforma fica sem sentido, pois não foi isto que aconteceu.O que houve foi uma contrução de novas religiões, novos dogmas, novas alternativas e ainda que todas tenha o mesmo fim, guiar o homem ao REENCONTRO com Deus, cada uma delas afirma ser o único e verdadeiro caminho.Mas será que uma dita reforma, teve Exito por que Deus queria dar uma nova chance ao Homem? Será que existem outros fatores que contribuiram para este feito? Veremos No decorrer deste trabalho, que existem tantos motivos materiais quanto espirituais, além disto outros interesses menos autruistas também contribuiram. Estudaremos como dimenções econômicas, políticas e sociais que contextualizaram uma histórica Reforma Religiosa.

Palavras-chave: Igreja; burguesia; Transformações.


1 INTRODUÇÃO

Acreditamos que uma revolução nunca acontece baseada apenas em um fato isolado, por isso entendemos que vários fatores culminaram na Reforma Religiosa. Não queremos minimizar nenhum deles, da mesma forma, achamos difícil destacar o principal, porém isto não significa que não exista um.

Seguiremos o método cartesiano, Analisaremos cada dimensão separadamente. Assim, poderemos perceber que para uma dimensão econômica os motivos da reforma da política são diferentes, e assim por diante. Compreendendo cada contexto, poderemos analisar de maneira mais precisa os motivos de cada uma.

Como cristãos esperamos que o motivo mais importante desta reforma, foi uma providência divina com o intuito de resgatar o homem, Colocando-o novamente nenhum caminho, para que no futuro ambos possam estar para sempre no paraíso.

Como escritores, temos a responsabilidade de expor na forma mais clara possível todas as informações necessárias para que nossos leitores possam analisar e chegar a uma conclusão. Como historiadores, nosso compromisso é com os fatos.


2 A DIMENSÃO ECONÔMICA DA REFORMA Religiosa

Os princípios do Sacro Império Germanico estavam com dificuldades de aceitar uma imposição do Imperador Carlos V da Espanha e sua subordinação uma todas as exigências da Igreja Católica. Suas inquietações causavam ressentimentos com os demais povos, por ter que pagar impostos absurdos para uma instituição estrangeira em detrimento do povo Germanico.

Neste contexto Lutero encontrou o apoio para dar continuidade às tentativas frustradas do britânico Wyclif e Jan Hus fazer Boêmio, de reformar uma Igreja Católica Romana. O apoio ea proteção do Príncipe Frederico III, eleitor da Saxonia foi imprescindível na Reforma protestante liderada por Lutero.

Este apoio foi ganhando cada vez mais adeptos a partir do momento em que a burguesia germanica, viu na reforma uma possibilidade de livrar-se dos tributos e do poder cerceador da Igreja Católica ea possibilidade de ENFRAQUECER o poder político de Carlos V.

Em outro contexto, os interesses burgueses também contribuíram na Reforma Calvinista, pois a Igreja Católica condenava a prática da usura, ao contrário do calvinismo que incentivava o acúmulo de bens, indo de encontro aos interesses da burguesia.

Por isso, dentre os reformistas o que mais recebeu apoio da burguesia, foi João Calvino que além de conceber um usura, pregava uma predestinação, ou seja, os eleitos de Deus são justamente aqueles que trabalham e acumulam riquezas.

“Inclusive as chamadas guerras de religião do século XVII Aconteceram, antes de tudo por interesses materiais de classes muito concretas. Estas guerras foram lutas de classes, da mesma forma que os conflitos internos que mais tarde se produziram na França e na Inglaterra. Que estas lutas tivessem certas características religiosas, que os interesses, necessidades e reivindicações de cada uma das classes tenham sido dissimulados com uma capa religiosa, não altera em nada a situação e se explica pelas condições da época “(Engels, apud Marques, Beirutte e Faria, 2005 p. 104)

Surgiu uma ética protestante, que impulsionou o desenvolvimento do capitalismo, recebendo total apoio dos burgueses que em pouco tempo espalhou o calvinismo por toda a Europa.

Na Inglaterra, uma ruptura com a Igreja Católica Apostólica Romana, não foi fundamentada Desentendimento entre Henrique VIII eoPapa Clemente VII em relação ao divorcio, ou seja, uma questão politica. Porém uma questão economica Esteve intrisecamente ligada, uma vez que a Igreja Católica era proprietária de um grande número de bens e propriedades, que foram confiscado logo após esta ruptura, que deu origem ao Anglicanismo, uma nova Igreja de Henrique VIII e seus súditos.


3 ADimensão política da reforma religiosa

Como dissemosuma Reforma Inglesa, aconteceu em virtude das necessidades políticas de Henrique VIII. O mesmo era casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, então Henrique solicitou ao Papa Clemente VII a anulação do casamento.

Com a recusa do Papa, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Parlamento concedeu um Henrique VIII e os seus sucessores uma liderança da igreja, nascendo assim o Anglicanismo.

Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho Eduardo VI, os protestantes viram-se em ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta Diferenciando o anglicanismo ainda mais do catolicismo.

Outra questão política que podemos mencionar foi um recém formação dos Estados Nacionais.

Estes Estados Nacionais, entre eles a França, viram na Reforma Religiosa uma oportunidade de aumentar sua autonomia, consolidando seu poder e soberania política, minimizando assim como Interferências eclesiásticas da Igreja de Roma ..


4ADIMENSÃO SOCIAL DA REFORMA Religiosa

Os séculos XII e XVI foram marcados por profundas transformações sociais, devido a um período de transição, onde muitos conceitos e movimentos se contradiziam. O antropocentrismo se confrontava com o Teocentrismo, o Geocentrismo contra o Heliocentrismo, enfim uma razão versus uma Fé.

Este período de Renascimento produziu alguns pensadores, tais como Erasmo de Rotterdam e Nicolau Copernico, que através de suas obras influenciaram muitos outros pensadores, Clérigos e nobres, pessoas formadoras de opinião, entre elas o próprio Lutero.

Apesar dos diferentes contextos sociais e os seus motivos para aderir um movimento separatista, todos os territórios europeus viram na Reforma Religiosa uma alternativa para livrar-se de vez dos dogmas e conceitos medievais da Igreja, possibilitando uma evolução das ciências.

No campo artístico, uma Reforma influenciou diversos artistas renascentistas propiciando um grande número de literaturas, arquiteturas, esculturas, pinturas, todas as belas artes, servindo de expressão popular a esta Reforma.

Outra questão social que contribuiu para a difusão da Reforma foi o desenvolvimento técnico eo surgimento da imprensa, que possibilitou uma publicação em série da Bíblia, conscientizando e alertando uma pequena parcela da sociedade que conhecia a escrita, produzindo fiéis mais exigentes e críticos em relação à Igreja.


5 AQUESTÃO DA REFORMA ESPIRIUAL Religiosa

Apesar de algumas pessoas já se terem manifestado e criticado o comportamento de alguns líderes eclesiásticos e os desvios da Igreja de Cristo, a eclosão do processo reformista envolveu o papa Leão X e seus métodos para arrecadar dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro, em Roma.

Leão X negociou uma venda de indulgências, que era o perdão de pecados cometidos. Este benefício também se entendia aos mortos, pois segundo o Frei dominicano alemão Jhoann Tetzel, o maior vendedor das indulgências papais, tão logo tilintar uma moeda lançada na caixa, a alma sairá voando do purgatório para o Céu!

Diante disto, no dia 31 de outubro de 1517, o monge Martinho Lutero, protestou colando suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, onde Atacava como indulgências, alegando que a única forma do Homem justificar-se diante de Deus e pela Fé, e ninguém mais tem este poder, inclusive o Papa.

A intenção de Lutero não era criar uma nova Igreja, mas sim reformar uma Igreja Católica Apostólica Romana, porém suas interpretações bíblicas divergiam muito das interpretações dos líderes eclesiásticos, que o excomungaram. Lutero só não foi para um Fogueira devido uma proteção de alguns nobres saxões.

Na Suíça, região de comércio Próspero, teve início o processo de Reforma protestante com Ulrich Zwinglio (1489-1531). Seguidor de Lutero e de Erasmo de Roterdão. Zwinglio morreu porque fazia pregações que resultaram em violenta guerra civil entre reformistas e católicos.

A obra de Zwinglio foi continuada por um francês, João Calvino, que sofreu uma forte perseguição em seu país e fugiu para a Suíça. Em Genebra, começou a propagar uma doutrina calvinista, que teve grande aceitação entre os representantes da burguesia, na medida em que valorizava aspectos de seu interesse, tais como o trabalho eo acúmulo de riquezas.

A doutrina calvinista consolidou-se por meio do Consistório[1], Que estabeleceu em Genebra um rígido modelo de vida para os habitantes da cidade e suas atividades sociais.

Quanto a Reforma Anglicana na Inglaterra, foi gerada por um conjunto de fatores, dentre eles, a influência das idéias de John Wyclif, o nacionalismo português que se opunha ao poder da Igreja Católica ea necessidade da Monarquia inglesa romper com Roma para centralizar o poder.

6 CONCLUSÃO

A Reforma Religiosa reduziu o poder ea influência de um dos últimos impérios da Terra. Apesar de não ostentar este estatuto, podemos analisar através de suas ações que se trata de uma instituição que tinha poderes políticos, propriedades em toda a Europa e ainda tinha autonomia para processar, prender e Matar todos aqueles que ousassem desafiá-la.

Através deste trabalho entendemos que a Reforma Religiosa só foi possível devido hum diversos fatores, contextualizados na realidade daquele momento histórico e também que as investidas de Wyclif e Hus não deram certo por não contemplar o mesmo contexto.

Além da justificativa de reconduzir o homem ao caminho de Deus, todas as reformas européias tinham em comum uma questão financeira, reflexos das transformações sociais. Uma coisa é certa, uma Reforma Religiosa foi um importante marco na História do Homem.

Nesta busca incansável pelo criador, o homem encontrou motivos para sacrificar, flagelar, flagelar-se, guerrear, Matar, queimar, enfim uma série de atrocidades, que às vezes nos fazem refletir. Será que realmente Deus criou o homem a sua imagem?

Talvez o maior erro não estivesse nas mãos que jogavam uma moeda na caixa para tilintar, pois estas pessoas acreditavam que isto ajudaria a si mesmo e seu ente querido, que há muito tempo estaria sofrendo uma angústia interminável e finalmente encontraria repouso!

Então resta-nos perguntar, quem errou mais, os donos da caixa aonde tilintavam como moedas, ou aqueles que nos disseram que de nada adiantava tilintar uma moeda, pois nossos entes morreram estão mortos e se condenados, não há mais nada a fazer. Então perguntamos, uma Reforma aconteceu em virtude da alma do Homem ou da moeda que tilintava na caixa?

Como cristãos acreditamos veementemente que foi em virtude da alma do homem. Como escritores, esperamos que todas as informações expressas, contribuam para que nossos leitores cheguem a uma conclusão, ou que tenha pelo menos neste artigo uma direção em suas pesquisas.

Como historiadores, acreditamos que cada temporalidade tem suas Verdades, razões e enganos, e todas são igualmente importantes e necessárias para que esta História continua sendo escrita.

7 REFERÊNCIAS

DAUWE, Fabiano.História Moderna.Indaial: Ed. ASSELVI, 2008.

REFORMA protestante. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/reforma-protestante/reforma-protestante-5.php. Acesso em: 15/05/09.


[1] UmconsistórioÉ uma reunião de Cardeais para dar assistência ao Papa nas suas decisões.

criado por Edevanio    19:52 — Arquivado em: PAPER, Sem categoria

30.7.09

A ESCRAVIDÃO EM SANTA CATARINA

A VISÍVEL CONVENIÊNCIA HISTORIOGRÁFICA:
Na Invisibilidade da Presença Escrava em Santa Catarina.

Edevânio Francisconi Arceno

Professora Karyne Johann

História da África e dos Afrodescendentes de Santa Catarina

Curso de Pós-Graduação em História Cultural- AUPEX

29/07/09

RESUMO

Quando começamos a captar literaturas para a composição deste trabalho, a primeira obra que analisamos foi a história sobre a colonização de Joinville, do autor Carlos Ficker. Depois de ler as quatrocentas e quarenta e cinco páginas deste livro, encontramos apenas quatro linhas mencionando os escravos. Então indagamos em um diálogo imaginário com o autor, tentando compreender o porquê um historiador tão renomado deixou de mencionar a presença negra em Joinville detalhadamente. Então como que respondendo ao nosso clamor, compreendemos que Ele nos diz nestas quatro linhas, tudo o que precisávamos saber sobre a concepção histórica dos Negros Catarinenses, para nossos antepassados. Depois desta conversa inspiradora com o autor Carlos Ficker, encontramos a direção do nosso trabalho, levantando alguns simples questionamentos. A escravidão em Santa Catarina é inexpressiva? Será que a invisibilidade da presença Negra é reflexo de poucas Fontes?É verdade esta história de poucas Fontes?

Palavras-chave: Revisão; Escravidão; Santa Catarina.

1 INTRODUÇÃO

Certo dia um aluno perguntou qual a função do historiador e rindo complementou, contar História? Então resolvemos explicar a função do historiador fazendo a seguinte analogia. Imagine quatro intelectuais observando uma linda queda d’água. Entre eles há um matemático, que olha para a cachoeira e calcula a altura e a velocidade das águas. Outro é um filósofo que contemplando a cachoeira questiona pensativo, de onde vem toda esta água? Depois é a vez do Teólogo que simplesmente olha e exclama, só pode ser coisa de Deus! Então surge o Historiador, que observa a altura e a velocidade das águas, mas este não é o seu foco. De onde vem esta água, também o intriga, mas não o detém. Não discorda que pode ser coisa de Deus, porém ele quer mais! Então olha atentamente para a Cachoeira, esquadrinhando centímetro por centímetro e percebe uma sombra escura no interior da mesma. Aproximando-se descobre que atrás da queda d’água existe uma caverna, então entra e se maravilha com sua descoberta! Quando olha para trás, percebe que a cachoeira ainda está lá, porém sob uma nova ótica, uma nova perspectiva. Depois disso ele anuncia como um arauto em alta voz: Matemático, Filósofo, Teólogo, Mundo a cachoeira tem outro lado! Esta é a função do Historiador, anunciar ao Mundo o outro lado!

Acontece que esta missão, nem sempre é fácil, justamente porque desfaz mitos através do questionamento das “verdades absolutas”, construídas pela historiografia de acordo com sua temporalidade. Uma destas verdades absolutas construídas pela historiografia catarinense é a invisibilidade da escravidão negra no estado catarinense.

Muitos historiadores alegam que isto ocorre devido ao número escasso de fontes, e que em virtude dos poucos registros, ficou evidente que no estado catarinense a escravidão não teve a mesma intensidade que no sudeste e nordeste brasileiro. Concordamos plenamente que nenhum lugar do Brasil e talvez do mundo, a escravidão foi tão intensa quanto nestas regiões brasileiras, porém isto não apaga sua existência nas demais.

A Professora Mestre Karyne Johann usou antigos processos judiciais , como uma das fontes na composição de sua Dissertação, trazendo muitas informações oficiais sobre a escravidão no Sul do Brasil, porém o que mais nos chamou a atenção, foi sua observação em relação ao autor Paulo Zarth, um historiador crítico da historiografia tradicional que menospreza a importância da escravidão no Sul.

Apesar de escassas, estas fontes existem, o nosso dever é encontrá-las, pois só assim conseguiremos compreender o grande mistério sobre a presença escrava em Santa Catarina.Nosso Objetivo é indagar o porquê alguns historiadores fazem tanta questão de minimizar esta realidade histórica de Santa Catarina.

2 OS ESCRAVOS RURAIS


Há relatos de que a maior incidência de registros de escravos na província catarinense é de escravos de ganho, uma espécie de escravo urbano e/ou residencial, porém apesar dos poucos, registros, também encontramos a presença de escravos rurais.

Segundo o Jornalista Henrique Luiz Fendrich,os municípios catarinenses de São Bento e Campo Alegre, registraram a presença destes escravos, ao longo da Estrada Dona Francisca, em Mato Preto, Bateias e Avenquinha, onde residiam proprietários de terras que vinham de São José dos Pinhais e Lapa da província do Paraná. Entre eles a família Teixeira, descendentes de Nazário Teixeira da Cruz que possuía uma dezena de escravos registrados em Pinhais.

Observe este registro, comprovando a existência de escravos rurais, fornecido pelo Sr Gustavo Konder em seu relato “Algo sobre Itajaí”, quando se refere ao seu bisavô:

Seria interessante anotar que as abastadas famílias dos primeiros imigrantes alemães que, em vez de assimilar as tradições de algumas ricas famílias luso-brasileiras, não adotaram a escravidão dos negros. Por exemplo, o meu bisavô, Cel. José Henrique Flores, donatário de toda a zona de Ilhota, possuía muitos escravos. Em 1845, o Cel. Flores vendeu toda a propriedade aos colonizadores belgas Van Lede e irmãos Lebon, abandonando assim, a mercê do destino, os seus escravos, retendo apenas alguns para os serviços caseiros na sua nova residência em Itajaí. Ele nunca trabalhou, pois viveu sempre como “baronete”, à custa do suor dos pobres escravos. Residindo em Itajaí, logo tornou-se chefe político crônico (mais de 20 anos). Quando veio a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888 (abençoada data), a família Flores, já bastante empobrecida, desfalcada com o falecimento do seu chefe, dispensou o restante dos escravos. O meu avô, o alemão Marcos Konder Sênior, como bom cristão, recolheu três velhos ex-escravos chamados Manoel, Catharina, Domingos Silva e Honorata para trabalharem na sua firma com salários semanais, religiosamente pagos. Quando eu trabalhava na Usina de Açúcar Adelaide, estabelecida em Pedra d`Amolar, perto de Ilhota, alguns pretos, plantadores de cana, me revelaram orgulhosamente que seus avós ou bisavós foram escravos do meu bisavô Flores.

É evidente neste relato que havia uma fazenda de cana-de-açúcar na região de Itajaí, bem como mão de obra escrava, que após a venda desta fazenda, foram abandonados a própria sorte. Ainda em Itajaí, podemos verificar a presença de escravos em fazendas, no trabalho de José Bento Rosa da Silva, que em suas pesquisas descreve um crime na vila de Itajahy, em 1861, envolvendo um imigrante alemão de nome Adolfo Rienne, oriundo da colônia de Brusque, que negociava na vila de Itajahy. Foi provado que o imigrante matou premeditadamente por motivo fútil, o escravo Miguel, propriedade do Sr Bento Malaquias da Silva, proprietário de muitas terras e prestígio naquela região e exigia uma indenização de um conto de réis.

Mais um autor registra a presença de escravos rurais, foi na região da Colônia Dona Francisca (atual Joinville). O historiador Dilney Cunha, segundo o jornalista Gustavo Meneghim, acabou com o mito que entre os colonizadores de Joinville não houve escravocratas. Dilney relatou em seu livro “História do Trabalho em Joinville - Gênese”, que no início da colonização em Joinville, no ano de 1856, houve na região uma forte tendência à produção do artesanato, comércio, exportação de madeira (que foi a primeira grande fonte de renda da região). Em seguida relata a produção e exportação de erva-mate e de cana-de-açúcar, cuja usina ficava em Pirabeiraba. A prática de ter escravos era comum entre os luso-brasileiros, porém isto não quer dizer que os imigrantes ficavam alheio a isto:

Trata-se do caso de Felizarda, africana, falecida em 1880 com “mais ou menos” 45 anos, escrava de Gustavo Seiler, um dos mais ricos comerciantes locais e feitor do engenho de erva-mate de Eduard Trinks. De Seiler, sabe-se apenas que foi nascido na Suíça e que era primo do primeiro prefeito de Joinville, Ottokar Doerfel”[...] A região de Joinville já contava com escravos desde o início das Sesmarias (latifúndios de luso-brasileiros) onde por volta de 1850 existiam em torno de 60 a 70 escravos. Entre a população local, também existiam diversos escravos libertos e outros “emprestados” a imigrantes da região e que realizavam todo o tipo de oficio, de barqueiros, artesãos a criados. O próprio Inácio Lázaro Bastos, telegrafista, jornalista, teatrólogo, professor e uma das principais lideranças republicanas da região (vide rua Inácio Bastos), chegou a Joinville nesta época, proveniente da Desterro (Florianópolis) com sua escrava. A região de Joinville já contava com escravos desde o início das Sesmarias (latifúndios de luso-brasileiros) onde por volta de 1850 existiam em torno de 60 a 70 escravos. Entre a população local, também existiam diversos escravos libertos e outros “emprestados” a imigrantes da região e que realizavam todo o tipo de oficio, de barqueiros, artesãos a criados. O próprio Inácio Lázaro Bastos, telegrafista, jornalista, teatrólogo, professor e uma das principais lideranças republicanas da região (vide rua Inácio Bastos), chegou a Joinville nesta época, proveniente da Desterro (Florianópolis) com sua escrava.
Na Colônia Dona Francisca existia um verdadeiro apartheid (separação exclusiva de negros), que eram proibidos de freqüentar qualquer um dos clubes que brancos freqüentavam.A segregação racial, segundo o livro, era motivo de orgulho dos ditos “alemães” que se viam como exemplos de civilização.

O sucesso da usina de açúcar de Pirabeiraba foi registrado por um dos mais renomados historiadores, Carlos Ficker, que descreveu em sua obra: “História de Joinville: Crônica da Colônia Dona Francisca”, a reprodução de um relatório produzido pelo Senhor Bruestlein, prefeito de Joinville em 1880, onde o mesmo enaltecia o plantio e o beneficiamento da cana-de-açúcar de Pirabeiraba.

O sucesso desta usina foi tão expressivo, que em dezembro de 1884, Sua Alteza Real o Conde d’Eu, esposo da Princesa Isabel, permaneceu três dias em Joinville, visitando a Fazenda Pirabeiraba e outros estabelecimentos industriais e rurais, desta colônia.

O interessante é que em nenhum momento o Sr Frederico Bruestlein, administrador da Colônia Dona Francisca, mencionou a presença de escravos na Fazenda, ou em qualquer outra parte da região, até porque sua propriedade fazia divisa com a Fazenda Gomes, onde faziam uso de mão obra escrava.

Acreditamos que esta ausência de registros foi proposital, em virtude de uma legislação que proibia as Colônias de Imigrantes fazerem uso desta mão de obra. Nesta linha também segue o grande historiador Carlos Ficker, pois em sua obra sobre a colonização joinvilense, fez vários paralelos com acontecimentos políticos e sociais no âmbito nacional em sua narrativa cronológica, porém quando chegou ao ano de 1888, registrou em quatros linhas que na noite do dia 15 de maio, “… sob chuvisco e tempo nebuloso, percorreram a cidade de Joinville os negros, mulatos, moradores da redondeza, soltando foguetes…”.

Com certeza não foram os escravos de São Francisco do Sul, que se deslocaram até Joinville para homenagear a Princesa Isabel e o Conselheiro Antonio Prado, mas sim os próprios escravos joinvilenses, que tanto os historiadores tentam “Invisibilizar”.

O viajante Auguste de Saint-Hilare, em sua passagem por São Francisco do Sul em 1820, registrou em sua obra um censo populacional significativo, pois da população de 4.028 pessoas, 871 eram escravos. Acrescentou que o número de escravos não crescia proporcionalmente ao número da população livre, por uma questão econômica, pois devido à falta de recursos, os agricultores optavam pela aquisição de dois escravos homens, que era muito mais lucrativo, ao invés de um casal.

Relacionou a mão obra escrava com o cultivo da cana-de-açúcar, dizendo que esta cultura dá-se muito bem, porém toda a produção era empregada na fabricação de aguardente. Diante deste registro podemos verificar a significativa presença escrava nesta região, inclusive nas plantações de cana-de-açúcar.

3 REGISTROS E CASTIGOS

Encontramos mais registros de escravos rurais na Colônia Dona Francisca (atual Joinville), inclusive listando-os como propriedades do Sr João Gomes de Oliveira, proprietário de uma Fazenda no Rio Cubatão Grande, por volta da década de 1880. Observe o texto de Ricardo Costa de Oliveira:

Alguns escravos do meu trisavô João Gomes de Oliveira, fazendeiro do Rio Cubatão Grande, município de Joinville, Santa Catarina, por volta da década de 1880. Eram classificados como de regular moralidade. Bernarda, preta, 24 anos, solteira, da lavoura e apta para todos os serviços. Com quatro pessoas de família Benta, preta, 25 anos, com tres pessoas da família. Theodora, preta, 27 anos, com tres pessoas de família. Rosália, preta, 17 anos, sem família. Lucrécia, preta de 11 anos. André, preto de 32 anos, Joaquim, preto, de 25 anos, Luiz, pardo, 29 anos, João, preto, 21 anos. Marcos, preto, 14 anos, Fabricio, preto, 14 anos, Gaspar, preto, 13 anos. Antonio, preto, 13 anos, Ventura, preto, 14 anos. Em 15/3/1888 consta o óbito de Gaspar, afogado no Rio Cubatão Grande. Escravo de João Gomes de Oliveira. O corpo foi encontrado rio abaixo, no terreno de Herman Vetlerdander.

O historiador Gleison Vieira, no seu livro “Porto Barrancos, Berço de Garuva”, reiterou a existência da Fazenda Gomes, próximo a Estrada Três Barras, dizendo que se dedicavam a criação bovina e que tinham mais de quinhentas cabeças de gado. Disse ainda que segundo suas fontes, esta família chegou ao local em 1830, e teria possuído muitos escravos, e que os escravos infratores, não só desta fazenda, mas também da região eram amarrados em pelourinhos numa Ilha conhecida como Ilha do Inferno (Ilha do Nego), próxima ao Porto Barrancos e cruelmente castigados. Mais de uma dezena destes pelourinhos permaneceram de pé até 1920, segundo moradores da região. Esta Ilha constava no mapa feito por Jerônimo Coelho de 1846.

Outro relato curioso deste escritor relacionando à presença escrava, a família Gomes e a Ilha do Inferno, é a lenda do capitão do mato Antônio Polaco:

Esta lenda foi lembrada pelo Senhor Policarpo Gonçalves, que viveu por anos nas Três Barras e se recorda do que os antigos falavam sobre este novo personagem. Segundo a narrativa, o vulgo Antônio Polaco cuidava dos escravos da Fazenda das Três Barras. Era um “capitão do mato”. Mas, como era um homem livre, ele sempre ambicionou terras para si (e com razão, pois o sistema colonial agrário se concentrava, aparentemente, na figura do fazendeiro e do negro cativo). Quando ocorria uma transgressão por parte de um escravo, Antônio Polaco os levava até a ilha e lá os amarrava, para serem “devorados” pelos maruins. Em suma, era um homem que personificava a própria maldade. Ao morrer, este capitão foi enterrado no cemitério próximo ao Rio Cavalinhos. O tal Antônio Polaco foi tão perverso e ganancioso durante a vida, que seu cadáver foi amaldiçoado. Ao cobrir seu caixão, no dia seguinte, não havia mais terra sobre sua tumba, não importa o que se fizesse. Com medo desta maldição, retiraram o caixão daquele cemitério e levaram-no para distante dali, para a ilha onde amarravam os escravos, e desde então, a ilha teria recebido o nome nefasto de Ilha do Inferno.

4 NEGROS AFRICANOS

Segundo Denize Aparecida da Silva, que apresentou em seu trabalho; “Estigmas e Fronteiras: atribuição de procedência e cor dos escravos na freguesia de Nossa Senhora da Graça (1845/1888) revelou um dado curioso e surpreendente, pois encontrou registros em São Francisco do Sul de um número expressivo de escravos africanos, o que coloca em cheque o falar histórico que Santa Catarina teria apenas escravos negociados entre províncias.

Ela relatou que os registros de batismos da referida freguesia Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco Xavier, atual São Francisco do Sul, marcaram uma ínfima quantidade de africanos, porém os processos de inventários, principalmente os da década de 1850 revelaram um número significativo de africanos entre os cativos do local. Observe o quadro exposto em seu trabalho:

Analisando os dados expostos, percebemos que a partir de 1870 o número de escravos africanos caiu bruscamente, e também que a população escrava africana vinha diminuindo no decorrer de uma década para outra, isto pode significar o efeito da proibição do tráfico negreiro no atlântico.

Denize, concluiu que a população predominante entre os cativos de São Francisco do Sul era Crioula, porém ainda que raramente, o Porto de São Francisco recebeu muitos escravos africanos oriundos da África Central Atlântica.

Em nossa última visita ao Museu do Mar em São Francisco do Sul, perguntamos ao jovem responsável por nos conduzir nesta visita, onde ficava o depósito de negros escravos trazidos pelos navios, afinal ali funcionava o antigo porto. Este jovem olhou-nos e disse não ter conhecimento deste fato, pois não tem nenhum registro.

5 UM POUCO DE DESTERRO

A maior incidência de fontes da presença escrava em terras catarinenses tem sido Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, capital de Santa Catarina. Isto tem uma explicação lógica e facilmente provável, devido ao poder aquisitivo da população local, tanto econômica, quanto política e cultural.

O Nosso viajante já citado Auguste de Saint-Hilare, em sua passagem por Desterro, também registrou em seu livro: “Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina”, que os agricultores da Ilha de Santa Catarina, parecem mais “industriosos” do que os fazendeiros do interior e também fez menção de escravos rurais na Ilha de Santa Catarina.

Saint-Hilare relatou que em 1820, a população da ilha era de 14.000 sendo que 2.800 eram escravos. Em outro relatório, em 1841 registrou uma população de 19.568 indivíduos, dos quais 4.336 eram escravos, porém sobre este último censo, ele levantou suspeitas, quanto sua veracidade, pois os dados poderiam ter sido maquiados em virtude dos conflitos sulistas, o que justificaria as informações falsas.

Outro registro interessante de Saint-Hilaire, foi quando saindo da Ilha de Desterro, resolveu ancorar defronte uma Igreja, em Nossa Senhora da Lapa. (Provavelmente atual Ribeirão da Ilha). Numa conversa amistosa com o Vigário local, descobriu que a população daquele povoado era de 1900 indivíduos, sendo que 500 eram escravos.

O líder eclesiástico justificou que o grande número de escravos era reflexo das grandes plantações de cana-de-açúcar na região, que o próprio viajante descreveu quando passou por elas, como um grande mosaico verde. Mais uma vez, registros comprovam a mão de obra escrava em fazendas.

O número de escravos foi tão significativo em Desterro, que fontes comprovaram que Santa Catarina também exportou escravos após o tráfico internacional. O historiador Rafael da Cunha Scheffer, no seu trabalho, Comerciantes de escravos em Campinas – década de 1870, falou sobre o comércio de escravos entre as regiões brasileiras, após a proibição efetiva do tráfico de escravos.

O foco do seu trabalho foram as negociações realizadas na cidade paulista de Campinas. Lá ele encontrou registros de movimentações comerciais, tendo como fonte os registros cartoriais, jornais da época (Década de 1870) que anunciavam seus produtos (escravos) para comércio e também os registros de recebimento de impostos da meia siza.

Entre os negociadores pesquisados estão, o Sr Manoel Antonio Victorino de Menezes, natural do Rio de Janeiro, que se mudou para Desterro no final de 1860. Ele anunciava no jornal local que comprava escravos para revendê-los no Sudeste. No ano de 1870 negociou na cidade de Campinas, cento e setenta escravos, quase todos naturais de Santa Catarina, porém este número de escravos pode ser ainda maior devido sua sociedade com Manoel Jorge Graça, que tem registrado em seu nome um total de noventa vendas.

6 APONTAMENTOS


A historiadora Ana Paula Wagner
relatou que até 1980, notícias a respeito de casamentos, processos, etc., envolvendo escravos, dificilmente freqüentariam as páginas de um livro de História. No entanto a autora concorda com muitos historiadores, que os tempos são outros.

Nestes quinze dias, estivemos envolvidos com estudos de literaturas e outras fontes para compor este trabalho, que apesar de todo zelo e dedicação, é apenas um trabalho de finalização de uma das muitas disciplinas do curso de pós-graduação em História Cultural, não encontramos dificuldade alguma em encontrar fontes, pelo contrário, deixamos de citar ícones da historiografia catarinense como Oswaldo Rodrigues Cabral, Laura Machado Hubener, Walter Piazza e outros.

Obviamente não podemos esperar uma variedade e quantidade tanto quanto encontramos quando estudamos a escravidão no Rio de Janeiro, Pernambuco ou Bahia. Como questionamos anteriormente, em que parte do mundo a escravidão negra foi tão intensa quanto nestes lugares!

Constatamos que apesar do mito, que a maioria dos escravos de Santa Catarina foi de ganho, ou seja, urbanos, verificamos que existiram inúmeros escravos rurais, estabelecidos nas grandes fazendas de plantações de cana-de-açúcar e bovinas.

O comércio de escravos também aconteceu no Estado de Santa Catarina, chegando a exportar mão de obra escrava para outras regiões do país. E o número de registros deste comércio só não foi mais expressivo por causa de vários fatores tais como o baixo poder econômico da população catarinense, as guerras sulistas e a Abolição.

7 CONCLUSÃO

Este é o momento que devemos cumprir o nosso papel, e como um arauto anunciar em alta voz. Isto não é fácil, pois mitos geralmente estão impregnados no consciente humano, portanto muitos não aceitam e tentam resistir até o fim na esperança de que ele sobreviva.

A presença de Escravos Negros na Província de Santa Catarina, não foi ínfima, pelo contrário foi muito expressiva, ainda mais se levarmos em conta a temporalidade da colonização desta província em relação a outras. No entanto, o historiador-matemático dirá, calcule o número de escravos do Rio de Janeiro em proporção a população, depois faça o mesmo com Santa Catarina, então verificará se a escravidão foi expressiva ou não.

Quanto à escassez de fontes sobre o tema: Escravos em Santa Catarina, não é verdade, temos muitas fontes e uma variedade delas, como por exemplo, processos criminais, registros cartoriais, registros de nascimento e morte nas entidades eclesiásticas, literaturas de viajantes e colonizadores, além de muitos registros orais. Porém o Historiador-Filósofo, dirá: temos que ter cuidado com as fontes, pois nem sempre são confiáveis, por isso a necessidade de selecioná-las através de um crivo altamente seletivo, de onde elas vem é a grande questão…!

Em relação ao menosprezo sobre o tema por parte de alguns autores-historiadores, é perfeitamente compreensível, principalmente nas publicações mais antigas, afinal a denominação “Afrodescendente”, é moderníssima e “Preconceito”, também não é assim tão velha. Na verdade estamos acompanhando um período de transição, apesar disto, ainda encontraremos Historiadores-Teólogos que indagarão: Se esta for a vontade de Deus! Quem são vocês para mudar isto?

Então responderemos, somos Historiadores-Historiadores e temos a missão de mostrar ao Mundo o outro lado da Cachoeira, ainda que seja cômodo para este Mundo ver apenas um lado. Obrigado Carlos Ficker!

8 REFERÊNCIAS

COSTA, Ricardo da. Escravos e Índios em Joinville de 1880.Disponível em : http://listsearches.rootsweb.com/th/read/BRAZIL/2000-01/0948027867 Acesso em : 18/07/2009

FENDRICH, Henrique Luiz. Escravos em São Bento e Campo Alegre. Disponível em: http://saobentonopassado.wordpress.com/2009/07/09/escravos-em-sao-ben. Acesso em: 20/07/2009.

FICKER, Carlos. História de Joinville, Subsídios para a Crônica da Colônia Dona Francisca. Joinville, 1965.

JOHANN, Karyne. Escravidão, Criminalidade e Justiça no Sul de Brasil: Tribunal de Relação de Porto Alegre (1874-1889).Porto Alegre , 2006, Dissertação de Mestrado, Faculdade de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

KONDER, Gustavo. Algo sobre Itajaí. Disponível em: http://br.geocities.com/familia_mueller/itajai.html. Acesso em: 19/07/2009.

MENEGHIM, Gustavo. Blog Gazeta de Joinville. Sem pudores: Livro revela as condições desumanas do tempo da colonização. Disponível em: http://gazetadejoinville.blogspot.com/2008/11/sem-pudores-livro-revel. Acesso em 19/07/2009.

SAIN-HILAIRE, Auguste de.Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina. Tradução: Regina Regis Junqueira. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Limitada, 1978.

SCHEFFER. Rafael da Cunha. Comerciantes de Escravos em Campinas – Década 1870. Campinas, 2006, Doutorando em História Social da Cultura na Universidade de Campinas: Unicamp.

SILVA, Denize Aparecida da. Estigmas e Fronteiras:Atribuição de Procedência e Cor dos Escravos na Freguesia de Nossa Senhora da Graça.Disponível em : http://www.labhstc.ufsc.br/pdf2007/19.19.pdf. Acesso em 20/07/2009.

SILVA, José Bento Rosa da. Crime e Escravidão numa Freguesia da Villa do Itajahy (1861). Disponível em: http://fgmladm.itajai.sc.gov.br/arquivos/Crime%20e%20escravidao.pdf. Acesso em 25/07/2009.

WAGNER, Ana Paula. Uma Vida em Comum: Africanos Libertos e Seus Arranjos Familiares em Desterro (1800 a 1819). de BRANCHER , Ana ; AREND, Silvia Maria Fávero(Organizadoras).História de Santa Catarina – Séculos XVI a XIX.Florianópolis Ed da UFSC, 2004.p.149-173.

VIEIRA, Gleison. Porto Barrancos Berço de Garuva. Joinville: Editora Letradágua, 2007.



A siza era um imposto sobre 10% do valor do bem transferido, sendo assim, em meados do século XIX, a meia siza representava uma taxação de 5% do valor do escravo paga nas coletorias de impostos no ato da transferência de posse sobre o mesmo.


criado por Edevanio    0:39 — Arquivado em: PAPER, Sem categoria

11.3.09

É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO.

É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO.

 

 

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/ História (HID 0771) – História do Brasil Colonial

03/03/09

 

RESUMO

 

Existem várias causas que levaram Portugal a colonizar o Brasil, dentre elas, a busca de novas fontes de renda foi a maior, ainda que manter a Colônia fosse uma prioridade. A baixa lucratividade na extração do pau-brasil e os altos custos das expedições às Índias, não estavam mais suprindo o luxo e as ostentações de uma corte extravagante. O aparente fracasso das capitanias hereditárias, onde tinham a pretensão assegurar suas fronteiras e colonizar a Colônia sem custos à Coroa, fizeram D. João III rever esta política e investir na gigantesca colônia do Brasil. O Rei confiaria à Martim Afonso de Sousa a manutenção de sua Colônia, para livrá-la das invasões e ao plantio da cana-de-açúcar para manter o esplendor de sua Corte. Em virtude da vigilância precária, aconteceram várias invasões na costa brasileira, apesar da retomada territorial, estas invasões sempre causavam prejuízos a Coroa Portuguesa, mas nenhuma invasão foi mais duradoura e prejudicial quanto a Holandesa na costa nordestina. Os holandeses também foram expulsos, mas levaram consigo mudas de Cana-de-açúcar, que era a maior fonte de renda da Colônia, essas mudas quase arruinaram os sonhos portugueses e marcaram para sempre a História do nosso Brasil.

 

Palavras-chave: Colônia; Cana-de-açúcar; Progresso.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

Com o alto lucro obtido com as colônias africanas e o comércio com as Índias, Portugal não tinha interesse em colonizar sua gigantesca colônia na América. Até 1530, o único interesse da Coroa era a extração do pau-brasil e expedições de reconhecimento litorâneo.

 

O excesso de ofertas das especiarias fez o preço cair, além disso, o custo das expedições e escoltas para livrá-las de piratas e corsários, aumentavam ainda mais as despesas, de uma corte que não poupava dinheiro em luxos e desperdícios.

 

Com o intuito de proteger e explorar o Brasil, D. João III resolveu povoa-lo. O expedicionário Martin Afonso de Sousa partiu de Portugal com a missão de fundar vilas e iniciar o plantio da cana-de-açúcar, cultura muito conhecida dos portugueses e praticada em outras colônias.

 

Chegando ao Brasil, fundou a vila de São Vicente, litoral da região na baixada santista do atual Estado de São Paulo. Diferentemente das usuais feitorias, a vila era composta de uma população permanente que possuía sede administrativa, praça central, cadeia, pelourinho e igreja. A Igreja sempre esteve presente na colonização brasileira e exercendo grande influência. Observe o quão importante era para a vila a construção de uma Igreja.

 

Trinta e quatro anos após a sua fundação (da vila de São Paulo), acharam os paulistas que já era tempo de possuírem a sua igreja matriz. E é assim que, a 6 de junho de 1588, se reúne o povo na Câmara da Vila, ficando resolvido que ‘era bom que na dita vila houvesse igreja matriz e vigário’. E mais: que a matriz ‘será erguida entre as casas de Diogo Teixeira e André Mendes’ que são eleitos a seguir para angariar os recursos necessários. (BELMONTE, Apud RODRIGUE, p.191).

 

 

Martim Afonso de Sousa foi o primeiro proprietário de engenho de açúcar no Brasil, e pouco tempo depois o Brasil alcançaria o número de 235 engenhos, sendo que a maioria deles ficava no nordeste. Mas foi a partir da invasão holandesa que a colônia brasileira atinge seu ápice na produção de açúcar. Onde as técnicas de refinos holandesas se tornariam tão importante quanto à mão de obra escrava.

 

O aparente progresso atingindo com a monocultura açucareira, a Coroa nunca desistiu do seu El Dourado. Apesar do fracasso das duas expedições enviadas pelo rei para encontrar ouro e pedras preciosas, o sonho de encontrar metais preciosos em terras brasileiras nunca foi deixado de lado.

 

 

2  A EsTRUTURA CANAVIEIRA

 

A sociedade açucareira era dividida em duas classes sociais, formada pelos senhores de engenho e sua família e a formada por dependentes, agregados e escravos.

 

A estrutura física dos engenhos era formada por várias benfeitorias desde capela até cemitério. O custo das instalações de todas estas benfeitorias e construção da casa-grande, senzala, as máquinas e instalações em que o açúcar e a aguardente eram fabricados e condicionados, bem como outros equipamentos como moenda, vasilhas de cobre e as fornalhas, era de responsabilidade do colono.

 

Também era necessário adquirir animais de tração para transportar a cana da roça até o engenho, além dos escravos, era imprescindível a contratação de assalariados e técnicos especializados como o mestre-de-açúcar e feitor-mor.

 

Diante de toda esta estrutura poucos possuíam capital para montar um engenho. A maioria dos colonos ocupava-se apenas do plantio da cana, dependendo de outros para moela e beneficia-la.

 

 

3 O APOGeu DO AÇUCAR

 

            Entre 1550 e 1650, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de açúcar. Apesar dos holandeses ficarem com a maior parte do lucro, pois eram eles que refinavam o açúcar brasileiro e revendiam, o sucesso com a comercialização da cana-de-açúcar, estimulou outras culturas brasileiras, como por exemplo, a pecuária.

 

            A economia açucareira contribuiu de certa forma, para a interiorização do Brasil, pois precisavam aumentar mais as áreas de plantio e consequentemente as fazendas de gados tinham que adentrar ainda mais os sertões coloniais.

 

            Em virtude do aumento da produção, a lavoura canavieira estimulou ainda um outro comércio, o tráfico de escravos, sendo considerado por muitos historiadores um mal necessário para o Brasil colonial.

 

Com a interatividade desta nova sociedade e a população indígena, resultou o estimulo à agricultura de subsistência e a produção do fumo, que ao ser levado para a Europa se tornou moeda de troca na aquisição de escravos.

 

Mesmo depois da queda de produção canavieira, o açúcar ainda continuou sendo o principal produto de exportação brasileira durante o período áureo da Colônia.

 

 

4 O CORAÇÃO DO ENGENHO

 

Muitos podem pensar obviamente que o coração do engenho é o engenheiro, ou seja, a casa grande. Outros ainda dirão que o coração do engenho é a plantação, onde se colhe a cana. No entanto não teríamos engenheiro, se não tivéssemos a plantação, da mesma forma não haveria plantação, se não tivéssemos a mão de obra escrava. 

 

Em 1434, o navegador português Gil Eanes adicionou ao seu feito histórico de ultrapassar o Cabo Bojador, o primeiro transporte de um comércio muito lucrativo, o tráfico de escravos. Com seu navio abarrotado de negros, capturados por tribos rivais na costa da África, Gil Eanes inicia um comércio que duraria quase quatrocentos anos no Brasil.

 

No primeiro momento os engenhos brasileiros usavam a mão de obra escrava dos indígenas, o que não deu muito certo devido a sua cultura e forma de vida. Os escravos vindos da África, já eram utilizados nas plantações de cana-de-açúcar em outras colônias portuguesas como as Ilhas Açores e Madeira.

 

Segundo, Joelza Ester Rodrigue, nos engenhos brasileiros a jornada de trabalho diário durava de 14 a 17 horas, sob a vigilância dos feitores, que eram autorizados a castigar com os mais diversos castigos os “preguiçosos”. Os castigos geralmente eram aplicados em público para intimidar os demais.

 

“No Brasil, costumam dizer que para o escravo são necessários três PPP, a saber, pau, pão e pano. Quisera Deus que tão abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo, dado por qualquer causa pouco provada e levantada, com instrumentos de muito rigor. Alguns senhores fazem mais caso e cavalo que de meia dúzia de escravos, pois o cavalo é servido, e tem quem lhe busque capim, têm pano para o suor, sela e freio dourado” (ANTONIL, Apud RODRIGUE, p.211).

 

 

5 O BRASIL HOLANDÊS  SOB A COROA ESPANHOLA

 

Com a União Ibérica, Portugal ficou sob domínio da Coroa espanhola regida por Dom Henrique I. Isto fez com que os acordos comerciais que Portugal mantinha com outros paises fossem revogados, principalmente os acordos com a Holanda, que reciprocamente não tinham negócios e tão poucos desejavam ter.

 

Diante disto restou aos holandeses à invasão. Após uma tentativa frustrada, em 1630 a frota holandesa ataca Olinda e Recife. Apesar das resistências internas, o domínio holandês se consolidou e ainda anexaram outros territórios litorâneos.

 

Sob o Governo de Mauricio de Nassau, esta região alcançou grande progresso. Este governante ganhou a confiança dos Senhores de engenho, emprestando-os dinheiro para refazer suas lavouras, que haviam sido destruídas durante as resistências à Invasão. Nassau reduziu impostos, aumentou a produção canavieira e introduziu novas tecnologias como irrigação e adubação do solo.

 

Em 1640 Portugal, reassume e coroa e Don João IV encontra um país em sérias dificuldades, depredado pela má administração espanhola. Quatro anos após Mauricio de Nassau entrou em atrito com seus superiores e retorna à Holanda. Sem a política conciliatória de Nassau a população formada por escravos, índios e colonos se reúnem e conseguem expulsar os holandeses derrotando-os na batalha de Guararapes.

 

A Holanda partiu do Brasil, mas levou consigo mudas de cana-de-açúcar e formaram outras lavouras nas Antilhas, colônias holandesas na América Central. Começou produzir açúcar e vender “a  preço” muito mais baixo, fazendo a produção brasileira entrar em colapso e declínio.

 

 

5 CONCLUSÃO

 

Mesmo com a queda na produção, a colônia continuou produzindo cana-de-açúcar e quando os olhos da coroa se voltaram para outra região, onde a incansável busca pelo ouro foi recompensada ao encontrar a maior reserva de metais preciosos do mundo, a cana-de-açúcar continuou sendo uma importante fonte de renda.

Atualmente o Brasil é o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo. Além do açúcar, também são produzidos da cana outros produtos, onde destacamos: O álcool, combustível e o bio-diesel.

Oficialmente não temos mais trabalho escravo nos canaviais, mas os denominados “Bóias Frias”, que são os poucos trabalhadores que restaram devido à inserção de novas tecnologias no corte e manejo da cana, ainda sofrem com problemas devido aos baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Muitos brasileiros e brasileiros, independentemente da cor, etnia ou credo, deram suas vidas em campos e lavouras deste Brasil quinhentos anos e quantos ainda darão, pois a cada dia nossa História escreve uma página!

 

A homenagem aos que ainda farão parte desta linda História, deixaremos aos historiadores do futuro. Para os que construíram o nosso Brasil Colônia, resta-nos dizer, muito obrigado por terem desde o inicio acreditado e sonhado com uma terra melhor e mais segura para nossa geração.

 

Este grande mosaico étnico formado de várias cores e muitos amores, produziu Caramuru, Castro Alves, Zumbi, Rui Barbosa, Antônio Conselheiro, Lampião, Pixinguinha, Luis Gonzaga, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Chica da Silva, Chico Mendes, Chico Buarque de Hollanda, Chico Anísio e outros Chicos, Josés , Marias, Clarisses, Betinhos e Luizes, como Luiz Inácio “Lula” da Silva,  pessoas que fizeram e fazem a cada dia a História do nosso Brasil.

 

 

 

6 REFERÊNCIAS

 

ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil, 1711. Belo Horizonte: Edusp. 1982 p.91.

 

BELMONTE. No Tempo dos Bandeirantes. São Paulo: Melhoramentos, 1948, p.75.

 

SOUZA, Evandro André; SAYÃO Thiago Juliano. História do Brasil Colonial. Indaial: ASSELVI, 2007.

 

RODRIGUE, Joelza Ester. A História em Documento. 6ª Série. São Paulo. Ftd, 2006, p.191,211.

criado por Edevanio    19:48 — Arquivado em: PAPER, Sem categoria

17.2.09

UM NOVO MUNDO NO CAMINHO DAS ÍNDIAS

UM NOVO MUNDO NO CAMINHO DAS  ÍNDIAS

 

Edevânio Francisconi Arceno

AUPEX-UNIASSELVI

 

Estamos impressionados com os avanços tecnológicos, então indagamos onde o Homem vai parar? Acreditamos que a pergunta razoável seria: Onde o Homem quer parar? Dizemos isso porque cada dia mais limites são superados e quem afirmar categoricamente que a morte é o limite para o Homem, corre o risco mais tarde ser reconhecido como o Idiota que limitou a Humanidade. Entenderemos melhor estas afirmações se voltarmos no tempo para analisar as atitudes e estratégias adotadas pelo Homem diante das adversidades.

A convivência em grupo nasceu da necessidade de proteção, em virtude dos predadores. Através desta relação em sociedade, compreenderam que a união não só poderia deixá-los mais fortes tanto para defender-se como para atacar, tornando-se assim também predadores. Quando o Homem conseguiu impor sua superioridade diante das demais espécies, sentiu necessidade da disputa entre si, para descobrir quem é mais sábio ou forte. Desde então a força e o intelecto vem ditando regras entre a humanidade, no intuito de descobrir quem é o mais poderoso. Com o advento da escrita, todas as estratégias adotadas pelo intelecto e as proezas realizadas através da força, foram sendo registradas, propiciando ao Homem, aquilo que conceituamos progresso.

O Homem se organizou em Estado, após viver anos como sociedade tribal, ainda que existam sociedades tribais semelhantes, o Homem evoluiu, e quando a extensão territorial tentou-lhe impor limites, ele se lançou ao mar. Não demorou muito para perceber que o mar era uma grande oportunidade de ampliar seus poderes, com terras e povos a serem conquistados.

Deste modo os Fenícios, iniciaram aquilo que seria denominado de “Comércio Marítimo”. Segundo a Ilíada de Homero, as rotas comerciais do mediterrâneo foi o verdadeiro motivo de Agamenon ter unido toda a Grécia para lutar contra Tróia do rei Príamo, e não a desonra de Menelau, em virtude da paixão “avassaladora” de Paris e Helena. Por que tanto interesse de Agamenon e tantos outros, em monopolizar as navegações? A resposta parece obvia! Poder, isto mesmo, quem dominasse os mares e as rotas comerciais teriam mais poder sobre os demais. A soberania grega não levaria muito tempo, pois como todo império que se levanta, um dia cai, e assim tem sido durante toda a História.

No período medieval, outros povos dominariam o mediterrâneo, mas nenhum foi tão importante quanto às cidades italianas de Veneza e Gênova, que se transformaram nos centros comerciais mais ricos da Europa. Serviam de ponte entre os consumidores ocidentais e os produtores do oriente. Em virtude dos impostos aduaneiros, as mercadorias eram acrescidas de muitos juros. Depois da tomada de Constantinopla pelos turco-otomanos, sérias restrições foram impostas ao comércio no mediterrâneo, o que fez encarecer ainda mais as mercadorias. Para uma Europa Feudal, em fase de transição, a situação ficou calamitosa, em virtude da escassez do ouro e demais metais preciosos, o que dificultou ainda mais o comércio. A única alternativa era tentar uma rota comercial alternativa. Mas quem poderia aventurar-se em busca de uma nova rota em meio ao caos urbano, escassez de moedas, êxodo rural e uma eterna queda de braço entre nobres e burgueses?

Este era o Cenário em quase toda a Europa, com exceção de um pequeno país banhado pelo oceano atlântico, que recentemente havia conquistado sua independência e a consolidando com a histórica “Revolução de Avis”, que conduziu ao trono de Portugal D. João I. Este governante conseguiu unir os interesses dos Burgueses e a maioria dos nobres, com total apoio do povo. Isto fez de Portugal, o primeiro Estado nacional da Europa, dando-lhe estabilidade política e econômica necessária para dar inicio a Expansão Marítima, em busca de uma rota alternativa rumo às Índias.

O pioneirismo em navegar em mares nunca d’antes navegados, era antes de tudo uma prova de coragem e do espírito aventureiro deste povo.Pois a navegação em águas desconhecidas eram povoadas de crenças e lendas medievais sobre fabulosos monstros marinhos.Além disto, haviam registros escritos pelo navegador italiano Marco Pólo, com histórias e personagens pra lá de fantásticos. D. Henrique, o terceiro filho de D. João I, fundou a “Escola de Sagres”, onde reuniu a experiência marítima italiana, a ciência herdada dos árabes ao espírito aventureiro do povo português. A primeira investida Lusitana foi à conquista de Ceuta, cidade do norte da África, que era uma importante rota comercial, que mais tarde perdeu seu valor, em virtude da mudança de rota por parte das caravanas árabes.

Depois de Ceuta, foi a vez da Ilha da madeira, em seguida o arquipélago de Açores, e a cada expedição, mais informações eram mapeadas. Após várias tentativas, o navegador Gil Eanes ultrapassa o Cabo Bojador, um obstáculo à pretensão portuguesa de chegar às Índias. Junto com a gloriosa vitória pelo seu feito, Gil Eanes desembarca em Portugal com a embarcação cheia de negros, para serem vendidos como escravos, tornando-se uma mercadoria muito lucrativa.

Bartolomeu Dias traz para Portugal, a travessia do Cabo da Tormenta, que para o Rei, nada mais é que a Boa Esperança, de que a Índia está próxima. Instituindo Feitorias e demarcando o litoral africano para a glória de Portugal, Vasco da Gama chega com sua expedição a Calicute. Apesar de não ter êxito no contato diplomático com o Rajá (Governante) daquela cidade Indiana, Vasco da Gama oficializa a abertura de uma rota alternativa às Especiarias. Veja a narração de um trecho do poema “Os Lusíadas”, de Camões ao avistar Calicute:

 

Já a manhã clara dava nos outeiros

Por onde o Ganges murmurando soa,

Quando da celsa gávea os marinheiros

Enxergavam terra alta, pela proa.

Já fora de tormentas e dos primeiros

Mares, o temor vão do peito voa.

Disse alegre o piloto melindano:

-Terra é de Calicute, se não me engano;

(RODRIGUE, apud Camões. p.103)

 

Nos relatos registrados no diário de bordo, Vasco da Gama faz menção de que ao afastar-se da costa africana em direção ao leste, percebeu a presença de aves, o que dava indícios da existência de terra não distante dali. (SOUZA; SAYÃO, apud Bueno, p.26)

            No dia 08 de março de 1500, a maior e mais poderosa frota de Portugal, comandada pelo jovem fidalgo Pedro Álvares Cabral, composta por mais de 1.500 homens distribuídos nas dez naus e três caravelas, saiu em direção à Índia. Cabral afastou-se em direção leste da rota demarcada por Vasco da Gama. A mudança de itinerário causa polêmica até hoje, afinal, esta mudança foi proposital ou casual? Se foi prevista ou não, se houve tempestade ou não, estas respostas ficaram para sempre no campo das especulações, até que o Homem crie uma “Máquina do Tempo”e retorne até 22 de abril de 1500, dia que Cabral avista a Ilha de Vera Cruz, o nosso Brasil! Dez dias depois, ele retoma sua rota para a Índia, onde fez acordos comerciais muito lucrativos para Portugal e o Mundo.

            Logo o pioneirismo português, faria seguidores. Os Espanhóis chegaram a América, sob o comando de Cristóvão Colombo, pois assim como Vasco da Gama, procurava um caminho alternativo para as Índias. Em seguida foram os Ingleses, Franceses, Flamengos e Holandeses. Ao dominar águas estranhas surgiram novas terras, que também foram dominadas, muitos mitos foram colocados abaixo e um novo mundo se formou.

Há muitas terras ainda a serem conquistadas, afinal a nossa Via Láctea, é apenas uma entre muitas, há ainda vários planetas a serem explorados e também novos povos ou seres a serem encontrados. Analisando o retrospecto do Homem, você dúvida que isto acontecerá?

 

 

REFERÊNCIAS

 

RODRIGUE, Joelza Ester. A História em Documento. 6ª Série. São Paulo. Ftd, 2006.

 

SOUZA, Evandro André; SAYÃO Thiago Juliano. História do Brasil Colonial. Indaial: ASSELVI, 2007.

criado por Edevanio    11:11 — Arquivado em: CRÔNICAS, Sem categoria

30.1.09

SETE DE SETEMBRO

 

 

Sete de Setembro

 

 

 

            Dia Sete de Setembro de 1822, dia da Independência do Brasil, dia em que às margens do rio Ipiranga, D. Pedro I deu o famoso grito “Independência ou morte!”. No Brasil o dia Sete de Setembro foi transformado em feriado nacional e é celebrado com desfiles por todo o território. O desfile de sete de setembro era obrigatório na época que o Edevânio estudava. A população prestigiava em peso, margeando toda a Avenida Celso Ramos, da Delegacia à Prefeitura, para ver o desfile, que tradicionalmente era aberto pela Banda do 62º Batalhão de Joinville.

Os desfiles implicitamente externavam qual classe social os alunos pertenciam. Vamos começar pelo ápice da pirâmide para que você entenda melhor. Na parte superior estavam os alunos com maior poder aquisitivo/econômico, ou seja, eram aqueles alunos convidados para desfilarem fantasiados de: D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Leopoldina, Princesa Isabel, Tiradentes, José Bonifácio, Rui Barbosa, enfim toda a nobreza imperial e os heróis da república. Logo abaixo estava os da classe média que geralmente abriam os pelotões como balizas, porta-bandeiras e não podemos esquecer da fanfarra. Neste grupo os alunos menos favorecidos não eram totalmente excluídos, mas só podiam participar se fossem patrocinados por alguém. O desfile ganhava volume e beleza, quando era completado pela classe dos alunos menos favorecidos , que era a grande maioria. Naquela época, os alunos não ganhavam uniformes e tinham que comprar. Os uniformes novos tinham que ser azul e branco e o calçado era a famosa conga, que também tinha nas cores, azul e branco. Mas havia também uma classe menos favorecida ainda, que geralmente não podia comprar o tal uniforme, então eram fantasiados de índios para participarem do desfile, e neste seleto grupo estavam presentes nossos heróis destemidos, Edevânio e Elízio, isto mesmo, o Edevânio e o seu primo Ida, aquele que deu no pé, no primeiro ano lembram?

Mas como tudo tem um fim, os dias do Edevânio desfilar de Índio terminaram, não que ele tenha vergonha da sua classe social ou de usar as roupas de índio que sua mãe fazia, ainda que aquela sainha rodeada de penas o deixasse muito constrangido. Acontece que ele foi promovido e agora ele fazia parte de um outro grupo, onde ele iria desfilar pelo time infantil do CTG, um clube muito conhecido em Garuva nas décadas de 70 e 80. Estava todo orgulhoso, levantou bem cedo, pois mal conseguiu dormir, se arrumou sem que sua mãe se preocupasse e foi ao clube. Chegando lá ganhou uma camisa, um shorts, meias e pela primeira vez na vida calçou um par de chuteiras, e aguardava ansioso para sair dali, formar o pelotão e desfilar.

O ex-indiozinho já estava na fila e tudo estava pronto para o desfile, quando derrepente seu sonho começou a se tornar um pesadelo. Quando todos já estavam vestidos e prontos para começar a desfilar, uniu-se ao grupo o filho do prefeito, e ele também queria desfilar de jogador, porém não tinha mais uniforme. Atendendo a um pedido superior o responsável pelo grupo foi olhando no rostinho de cada criança do grupo e por ironia do destino seu olhar parou no nosso ex-indiozinho, que teve que tirar o uniforme e entregar ao primeiro menino do município.

Edevânio teve que voltar para casa, e uma vez que não iria mais desfilar de jogador, e também não tinha comprado uniforme, adivinhem o que estava esperando por ele? A sua fantasia de índio. Quando chegou em casa começou a chorar, chorou pela perda de um sonho, por sua decepção  e humilhação . Sua mãe ao vê-lo naquela situação chorou junto, e abraçados sua mãe dizia que aquilo iria passar e que tudo isso tinha acontecido porque o pelotão de indiozinhos não podia desfilar sem ele. Ela então o arrumou colocou sua sainha de penas, seu cocar, seu arco e flechas e disse: Filho, você é o indiozinho mais lindo do mundo!

Edevânio foi à escola, explicou o que tinha ocorrido à professora e juntou-se a sua tribo, que o recebeu de braços abertos. O seu primo Ida, que ficava a sua frente na formação do desfile, não entendeu por que o Edevânio não desfilou de jogador e também nunca perguntou.

Na Segunda-feira seguinte ao desfile, o prefeito ficou sabendo do acontecido e querendo compensar, levou-lhe de presente uma bola de futebol nº. 5 novinha! Ele aceitou, porque criança não tem orgulho, e se não tem como pode feri-lo! Mas sem dúvida, a maior compensação daquele dia, foi à lição que Edevânio aprendeu com sua mãe, que lhe ensinou: “Não importa o que fazem ou que deixem de fazer, o que dão ou que tirem de você. O importante é que aqueles te amam sempre farão mais e darão coisas melhores ainda do que você merece!”.

Mais Informações: http://historianovicente.blog.terra.com.br/perfil/

 

criado por Edevanio    22:44 — Arquivado em: PERFIL, Sem categoria

28.1.09

A TRÍADE DO APRENDER

 

A TRÍADE DO APRENDER

 

 

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/História (HID 0771) – Didática e Avaliação

29/01/08

 

RESUMO

 

A educação que outrora foi privilégio de poucos, se tornou com o passar do tempo, acessível a todos ou quase todos. Esta acessibilidade é resultado de lutas, dos muitos pensadores, questionadores e visionários que estavam à frente de seu tempo, pois entendiam que a educação não era simplesmente um privilégio, mas um direito. Hoje existe a necessidade de se criar leis que obriguem as pessoas a irem à escola. Muitas vezes vão para as aulas, sem ter a mínima vontade de aprender, estes (as) não aprendem de forma consciente. Existem ainda aquelas que querem e até acham que estão aprendendo. Este trabalho pretende confrontar os conceitos de aprendizagem, para que possamos aprender a aprender.

 

Palavras-chave: Querer; Desenvolver; Compreender.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

            Lendo a introdução de uma entrevista com o professor Vicente Martins, sob o título, “Como desenvolver a capacidade de Aprender”, citada pela professora Íris Weiduschat, na agenda da disciplina, Didática e Avaliação, como anexo A, p.9, chamou-nos a atenção o relato sobre os três fatores que influenciam no desenvolvimento da capacidade de aprender.

 

            Decidimos discorrer ainda que superficialmente, a respeito do que entendemos desta tríade de fatores composta pela Atitude de querer aprender, Desenvolver a aprendizagem e Compreender o que aprendeu.

 

            Sabemos que algumas pessoas podem não concordar com a nossa opinião, inclusive até nós mesmos, amanhã ou depois poderemos discordar categoricamente, com algumas ou talvez todas essas afirmações, afinal nós recém concluímos a primeira fase de nossa licenciatura, além disto, descobrimos que nunca praticamos a verdadeira aprendizagem, porém nunca é tarde!

 

            Esperamos que estas declarações possam contribuir e provocar uma análise introspectiva, questionando como tem sido nossa maneira de aprender, como aprender mais e o que temos aprendido.

            Se  nossa aprendizagem está improdutiva, calada, inexpressiva e conformada, não está bem, e necessita de socorro, temos que Aprender a Aprender, observando a Tríade do Aprender.

 

 

2 ATITUDE DE QUERER APRENDER

“Eu quero aprender”, quantos entram em uma instituição de ensino, desejando realmente Isto? Criou-se uma atmosfera de obrigatoriedade em relação à Escola, justificativas como, porque todos vão, você tem que ir , tem que saber disto , daquilo , se não estudar não vai ter um bom emprego, não vai ser ninguém na vida ,etc.

          Acreditamos que aqueles que ignoram tais ameaças , vislumbram a verdadeira essência da educação ,descobrem que podem e decidem fazer a diferença no meio em que vive , e através disto constroem um olhar crítico e tornam-se  grandes questionadores e criadores das marchas.

         Questionam o sistema ,o governo, a sociedade, as estruturas, a educação, a saúde, a segurança, etc. Estes são os transformadores conceituais de seu tempo, e tudo porque decidiram aprender a aprender, não que a verdadeira aprendizagem nos tranformem  em rebeldes sem causa, pois que causa foge aos olhares críticos de quem verdadeiramente se educa.

        Temos a tendência de  cobrar-nos demasiadamente, a ponto de achar que ao sairmos das estruturas educacionais, temos a obrigação de saber tudo , afinal foram muitos anos e agora é o nosso dever social demonstrar que aprendemos tudo.

        Se este for o nosso pensamento, infelizmente teremos que recomeçar a nossa caminha escolar, pois não conseguimos perceber a essência da educação, e conseqüentemente nunca seremos um diferencial em nosso meio,um questionador transformador.

        Na educação não obtemos a espada , mas sim o segredo do fogo para forja-la, não desviamos ou anulamos correntes d’agua, mas a transformamos em energia, é na Escola que adquirimos a “Lupa” que nos ajudará a fazer a famosa leitura do mundo , tão defendida e incentivada pelo saudoso educador Paulo Freire.

          Para entendermos a verdadeira aprendizagem, teremos que tomar a atitude, de querer aprender a aprender , não por imposição ou  obrigação social, mas sim, “porque eu quero”!

           

3 DESENVOLVER O APRENDER  

 

            Como dissemos anteriormente , quando decidimos aprender a aprender, entendemos que a importância não está somente nos peixes, mas também na forma de pescá-los. Qual a melhor vara, a isca certa, que lua é a mais indicada, qual o clima é mais propício, em que condição a pescaria terá mais êxito, barco ou margem? Enfim, são informações que contribuem para uma pescaria prazerosa, segura e produtiva.

            Talvez possamos nos perguntar, tudo isto é necessário?  Pode  não ser , mas esta é a visão de quem aprende a aprender e desenvolve a aprendizagem, não que se esforcem para isto ,pois é com naturalidade que  necessitam e procuram tais informações.

 

           O diferencial não é o que vêem , mas sim na forma de ver, quem desenvolve a aprendizagem  através do querer aprender a aprender, busca mais profundidade e com isto adquiri uma forma diferenciada e tridimensional de ver o mundo, ou seja, observam além do plano ,intrigados com o que tem por trás do que se vê.

 

            Entendemos que aprender não é um evento, mas sim um processo, um processo infinito e progressivo , pois quanto mais aprendemos , mais sentimos a necessidade de aprender , pois através da aprendizagem adquirida ,descobrimos que ainda há muito mais à aprender .

 

 

4 COMPREENDER O QUE APRENDEU

 

            O Desenvolvimento da aprendizagem nos impulsiona ao seguinte degrau, pois que adianta sabermos qual a vara, a isca, a lua, o clima, o barco, enfim várias informações e não discenir suas conexões e finalidades, sem a compreensão deste desenvolvimento, jamais teremos uma pescaria prazerosa, segura e produtiva.

 

A compreensão das informações e conteúdos agregados durante nossa caminhada escolar é que irão direcionar a nossa “Lupa” para a leitura do mundo.

 

Certa vez , assistindo a um dos primeiros episódios de “Lost”, um dos sobreviventes estava tranquilissimo e após o acidente  disse aos outros que logo viria o resgate , pois eles (o Governo), localizavam a placa de um carro via satélite quanto mais um avião.Um outro sobrevivente esclareceu, que somente localizavam o veículo através do satélite , porque sabiam em que área procurar, diferentemente do avião, que estava totalmente fora da rota!

 

Gostaríamos de usar este exemplo e fazer uma analogia  com o nosso assunto, se não compreendemos o que aprendemos, estaremos tão sem ação quanto a equipe de  resgate , pois temos o satélite, a tecnologia e os técnicos, porém faltam informações importantes que nos impedem de progredir, de ir além.

 

Como docentes temos o dever de disponibilizar dispositivos e ferramentas que auxiliem aos discentes progredirem na compreensão de sua aprendizagem, este é o desafio de quem almeja e atreve-se a ser um educador.

Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: [...] III - zelar pela aprendizagem dos alunos; (Inciso III, art. 13, LDB). Primar pela aprendizagem do ensino é, antes de tudo, um compromisso profissional e papel social do educador.

 

5 CONCLUSÃO

 

           

            Revendo nossos conceitos subjetivamente construídos em nossa discência, temos a oportunidade de reconstruir o saber, não por orgulho, pois o orgulho não constrói, mas sim pelo desejo de colocar nas mãos de cada discente uma “Lupa”, que ampliará sua visão, porém com a “Lupa”, verão que a atual docência, necessita de uma reforma pedagógica, mas não é este o objetivo da verdadeira aprendizagem, produzir reformadores?

 

            Nenhuma docência responsável repreenderá quem deseja aprender a aprender, pois o verdadeiro papel do Educador é intermediar a relação da potencialidade cognitiva do educando com o mundo de possibilidades a sua volta, através da Tríade do Aprender.

                                   

 

6 REFERÊNCIAS

 

wEIDUSCHAT. Apud KPLUS.Agenda da Disciplina Didática e Avaliação.Indaial:ASSELVI,2007.

 

 

criado por Edevanio    8:51 — Arquivado em: PAPER, Sem categoria

AS PAREDES DE PERSÉPOLIS

AS PAREDES DE PERSÉPOLIS

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/História (HID 0771) – História Antiga

20/05/08

 

RESUMO

 

Na História, nunca houve um Império tão eclético quanto o Império Persa, talvez por reflexo da política adotada pelo Rei Ciro, que apesar de dominar várias nações, respeitava suas particularidades culturais, obtendo a admiração dos povos conquistados. Mas cremos que nenhum Imperador da antiguidade foi mais político que Dario o Grande, foi durante seu governo que a Pérsia atingiu seu apogeu, e entrou para a história como um dos impérios da Antiguidade. Talvez, nada saberíamos desse povo se Dario não tivesse tido a grande idéia de registrar esta linda história, narrando suas conquistas e deixando tudo devidamente registrado nas paredes de Persépolis.

 

Palavras-chave: Ciro; Dario; Persépolis.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

A conduta adotada pelas nações imperiais era de submeter política e culturalmente os povos conquistados. Foram assim no império egípcio, babilônico e assírio, os povos eram conquistados através das guerras ou por consenso a fim de evitá-las e doutrinados na cultura de seus conquistadores.

 

Este paradigma foi quebrado, quando um rei percebeu que poderia usar toda a riqueza cultural dominada a seu favor. Além disso, ficaria conhecido por ser benevolente e sábio. Foi isto que deu ao Império Persa, a mais heterogênea cultura da história mundial.

 

 

2 O PRINCÍPIO DE UM IMPÉRIO

 

Os persas eram sedentários e agricultores, viviam em conflito e oprimidos pelos vizinhos, os Medos. A partir de 559 a.C, surge um nobre chamado Ciro, este se tornou o fundador do Império Persa. Ele primeiramente dominou os Medos, mas foi ao conquistar a Lídia que Ciro se transformou em o grande rei Ciro.

O reino da Lídia era comandado pelo rei Creso, que era considerado o homem mais rico do mundo, pois tinha muitos tesouros em ouro, prata e pedras preciosas. O rei lídio ao ser ameaçado pelos exércitos de Ciro, tentou inutilmente enfrenta-los, porém os medos e persas invadiram e dominaram a Lídia.

 

Quando Creso iria ser executado, Ciro mudou de idéia e mandou liberta-lo. Livre, Creso indagou Ciro: O que faz os teus soldados com tanta pressa? Ciro respondeu: Estão saqueando a tua cidade. (RODRIGUE, apud HERODOTO).

 

Creso então explicou para Ciro que ele nada mais tinha, e que todo o tesouro que estava sendo saqueado, a cidade que estava sendo destruída e os povos que estavam sendo massacrados, agora pertenciam ao grande rei Ciro.

 

Ciro ordenou imediatamente que cessasse os saques e os massacres. Assim nasceu uma nova política, que faria do Império Persa, único e que tornaria seus reis temidos e admirados por todas as nações da terra.

 

 

3 A EXPANSÃO IMPERIAL

 

Assim a Pérsia crescia e se fortalecia, depois de submeter seus vizinhos, Ciro dominou as cidades gregas da Ásia Menor, da Mesopotâmia e da Síria. Deste modo Ciro conquistou e libertou os Judeus que estavam escravizados. Aos judeus deu o direito de reconstruir a Palestina e adorar livremente o seu Deus. Não seriam tratados como escravos, porém estariam sujeitos à Pérsia e a ela pagariam impostos.

 

Em 528 a.C. morre o grande rei Ciro, que deixa seu legado ao seu filho Cambises. Mas Ciro seria lembrado para sempre como grande conquistador e político, por causa das paredes de Persépolis.

 

4 CAMBISES, O SUCESSOR

Sendo um conquistador semelhante ao pai, Cambises não tinha a mesma benevolência, era temido pela sua crueldade, a ponto de matar seu próprio irmão pelo poder.

 

Conquistou o Egito, mas manteve os nobres egípcios no governo e nos cargos religiosos. Estendeu seu Império até a Índia, destacando-se como um eficiente administrador. Apesar das revoltas de alguns segmentos dos povos dominados, a presença do exército imperial mantinha a ordem e a submissão local ao Império Persa.

 

 

5 DARIO,O GRANDE REI DA PÉRSIA

 

Dario assumiu o império em 522 a.C. devido à morte acidental de seu tio Cambises, sob seu governo o Império Persa alcançou o apogeu. Uma rede de estradas foi construída para unir os mais distantes pontos do império. O comércio se desenvolveu, por isso foi necessária a criação de moedas de ouro. Novas rotas marinhas foram descobertas e as existentes impulsionadas, pelas ações do seu governo. Segundo a historiadora Joelza Rodrigue (2006):

 

O desenvolvimento das vias de transportes facilitou muito a comunicação, favorecendo o contato comercial e cultural entre os povos sob domínio do imperador persa. Foram difundidos o uso de moedas, o alfabeto fenício, a vida urbana, as técnicas agrícolas e metalúrgicas, os processos de irrigação e o sistema sexagesimal, que se tornou a base da matemática de numerosos povos.

 

Apesar de respeitar as mais diversas religiões, o povo persa também tinha suas convicções e conservavam as suas crenças primitivas. O rei Dario transformou as idéias difundidas pelo profeta Zoroastro, na religião oficial da Pérsia sob o nome de Mazdeísmo.

 

Devido às dimensões do vasto império Persa, Dario divide seu império em satrapias , através deste processo de unificação, adotou um sistema de pesos e medidas e instituiu imposto de quantia fixa. A economia girava em torno da agricultura, da pecuária, do artesanato, da mineração de metais e pedras preciosas e da metalurgia.

 

 

6 DARIO E AS PAREDES DE PERSÉPOLIS

 

De todas as ações de Dario, a mais ousada sem dúvida foi no campo da arte.

Ele percebeu que a interação cultural entre os povos do seu império poderia ser utilizada para difundir e eternizar as ações de seu governo.

 

A escrita ainda era restrita, poucos detinham este conhecimento, então Dario usou a arte das imagens esculpidas em relevo nas paredes de Persépolis para propagar a sua imagem política.

 

Enquanto reis de impérios anteriores produziam tumbas faraônicas, outros esculpiam e pintavam imagens de guerras, em que representavam o rei esmagando e massacrando os povos dominados, o rei Dario, eternizava e honrava seus povos, esculpindo-os nas escadarias do palácio de Persépolis, no acesso à sala de audiência. Eram imagens, onde os povos dominados pelo império honravam o grande rei Dario, com oferendas típicas de seus países. Que outro rei, retrataria seus ex-inimigos nas paredes de seu castelo?

 

 

7 CONCLUSÃO

 

O império persa surgiu diante das batalhas vencidas pelo valente rei Ciro, que além de guerreiro, demonstrou ser um exímio político quando adotou medidas de respeito às culturas dominadas. Dario, por sua vez consolida este império com a sua forma eclética e ousada de administrar, usando recursos totalmente novos para se tornar um dos mais populares reis da antiguidade.

 

Hoje vemos nas páginas da Bíblia, que conta a história do povo hebreu, referências de Ciro e Dario como enviados de Deus, para libertá-los. Este foi o legado dos reis Persas, serem admirados e enaltecidos pelos povos dominados.

 

O mundo conhece melhor a Pérsia e seu reis, quando conhece as Paredes de Persépolis, onde tudo esta registrado, talvez isto sempre fosse o maior desejo de Dario, o Rei da Pérsia.

 

 

8 REFERÊNCIAS

 

RODRIGUE, Joelza Ester. História em Documento. 5ª Série. São Paulo: Ftd, 2006.

criado por Edevanio    8:07 — Arquivado em: PAPER, Sem categoria

26.1.09

SÉRIE A SAGA -1808-2008- 200 Anos - Brasil , Capital do Império

 

HISTÓRIAndo

Edevânio Francisconi Arceno

Acadêmico de História – UNIASSELVI

1808-2008

Brasil – Capital do Império

 

EPISÓDIO III

“UMA VIAGEM REAL”

 

A COROA EM “NAUS” LENCÓIS

Enquanto D. João deixava a foz do rio Tejo e entrava oceano adentro um problema maior do que Napoleão começou a perturbá-lo. As péssimas condições das Naus que outrora foram sinônimos de conquistas e prestígio aos portugueses, agora refletiam uma corte puramente extrativista. As naus tinham 67 MT de comprimento por 16,5 de largura, com 84 canhões e muita carga, não restavam muitos lugares para os passageiros a não ser nos tombadilhos, sujeitos as intempéries do tempo, como chuva, vento, trovoada, etc. A água era insuficiente, a comida era pouca, e as pestes se proliferavam em virtude da falta de higiene. Com vazamentos nos cascos das naus, entrava muita água, além disso, as velas e as cordas eram podres e a madeira parecia que não iria resistir aos açoites das ondas, deixando passageiros e tripulantes em pânico. Na nau em que viajava a princesa Carlota Joaquina, a falta de higiene e saneamento ocasionou uma epidemia de piolhos que fizeram as mulheres rasparem seus cabelos e lançar ao mar suas perucas. A rainha Maria I, D.João e seus filhos herdeiros, viajavam todos na mesma nau capitânia Príncipe Real, ou seja, se esta nau afunda-se levaria consigo toda a linhagem real.

PRIMEIRA ESCALA-SALVADOR

Até hoje, ninguém entendeu direito porque as naus portuguesas fizeram escala, ou seja, deram uma passadinha em Salvador, Bahia. Uns dizem que era para fortalecer a Coroa, outros dizem que pode ter sido uma necessidade em virtude das péssimas condições da viagem, porém existem rumores, de que haveria certa urgência por parte da Inglaterra de receber o seu pagamento, pelos serviços prestados. A verdade é que no dia 22 de Janeiro de 1808 as 11:00 h. da manhã as embarcações chegam à cidade de Salvador, e uma das primeiras ações do Príncipe regente em terras brasileiras foi decretar a abertura dos portos as nações amigas, ou seja, o Brasil poderia negociar diretamente com outras nações sem ter que passar pelo porto de Lisboa, e a maior privilegiada foi a Inglaterra. A estadia em Salvador foi rápida, há rumores de que o Príncipe não queria ir embora, porém o Rio de Janeiro era mais seguro, então partiram.

PARADA FINAL - RIO DE JANEIRO

No dia 7 de março de 1808, no começo de uma tarde onde o sol exaltava o azul do céu, a família real portuguesa chegava à baia da Guanabara-RJ. Os ilustres passageiros desembarcaram às 4 horas da tarde do dia seguinte. Os brasileiros coloniais esperavam uma chegada pomposa da família real, mas viram apenas nobres e uma corte castigada pela longa viagem. As mulheres tentavam esconder com um turbante, suas nobres cabeças com cabelos curtos ou raspados, em virtude dos piolhos, porém a moda do turbante se espalhou entre as coloniais. Na catedral foi realizada uma cerimônia de ação de graças pelo sucesso da viagem e depois se realizou o famoso beija-mão, onde toda corte e a população beijava a mão do príncipe em sinal de obediência e submissão. A cidade do Rio de Janeiro cresceu muito por conta desta breve estadia real, construções de grandes obras demonstravam o progresso da cidade, a construção da Biblioteca Real, o Jardim Botânico, a Escola de Medicina, que também havia sido fundada em Salvador, as ruas foram calçadas, praças foram construídas e a criação do Banco do Brasil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muitos apenas ridicularizaram a família real e suas gafes, porém é inegável que o Brasil, o único país da América a conseguir sua independência sem guerras, mudou depois deste fato, não que seus problemas tiveram fim, afinal já faz 200 anos e ainda temos muitos problemas, porém somos brasileiros e não desistimos nunca, D.João voltou a Portugal, mas o Brasil ficou, e nós príncipes e princesas desta terra abençoada por Deus, temos o privilégio de viver neste País, que tem seus problemas sociais, como a falta de emprego, de moradia, de educação, de segurança, de saúde, mas nunca faltou-nos a esperança. D. João VI embarcou para Lisboa com lágrimas nos olhos, Maria Joaquina disse que do Brasil não queria nem o Pó, D Pedro I disse “Eu fico”, seu Filho, D Pedro II, anos mais tarde ao morrer, deixaria registrado em seu atestado de óbito, causa morte “Saudades do Brasil”. Este é o nosso Brasil, que do conquistador fez um conquistado. O Blogue http://historianovicente.blog.terra.com.br , parabeniza todos, que nunca precisaram cruzar um oceano para descobrir as maravilhas de ser brasileiro. Assim termina o nosso breve relato sobre o fato histórico que transformou o mundo, principalmente o do Napoleão!

Referências:

GOMES, Laurentino. 1808.1.ed. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

criado por Edevanio    14:34 — Arquivado em: A SAGA DA FAMILIA REAL, Sem categoria

SÉRIE A SAGA -1808-2008- 200 Anos - Brasil , Capital do Império

HISTÓRIAndo

Edevânio Francisconi Arceno

Acadêmico de História – UNIASSELVI

1808-2008

Brasil – Capital do Império

EPISÓDIO II

“A VER NAVIOS”

AS ESTRATÉGIAS de D. JOÃO

Depois do Recado de Napoleão, D. João reuniu o seu Conselho de Estado no Palácio da Ajuda em Lisboa e mandou que preparassem os navios para uma viagem. Primeiramente pensou em enviar para o Brasil apenas seu filho mais velho, que tinha oito anos, o futuro imperador Pedro I, depois mudou de idéia e resolveu partir com toda a sua corte. Arquitetou um plano para ganhar mais tempo, enviando à Paris o Marques de Marialva, prometendo total apoio aos franceses, prendendo e seqüestrando os bens dos ingleses residentes de Lisboa. Como prova das suas boas intenções com a França enviou de presente a Napoleão uma caixa de diamantes, obviamente vindos do Brasil, acompanhados da seguinte sugestão, que D.Pedro o primogênito da coroa portuguesa se casasse com alguma princesa da família de Napoleão. Enquanto isso ele preparava-se para a maior fulga da História. Quando Napoleão percebeu que estava sendo enganado, mandou prender o embaixador Marialva em Paris e mandou publicar em 24 de novembro de 1807, no jornal de Paris, Le Moniteur que a Casa de Bragança havia cessado de reinar na Europa. Era o fim do engodo Português.

O PREÇO DA ESCOLTA REAL

D.João precisava partir imediatamente, pois sabia que o exército de Napoleão com 50.000 soldados franceses e espanhóis, comandados pelo General Junot, estava nas fronteiras portuguesas pronto para invadir. Lord Strangford, o inglês que fazia a ponte entre as coroas Portuguesa e Inglesa, ofereceu proteção para a viagem marítima, em troca, Portugal abriria os Portos Brasileiros para o comércio com outras nações. D. João não titubeou e disse sim. No dia 06 de novembro de 1807, a esquadra inglesa aparece no Rio Tejo, com 7000 homens, com a seguinte ordem, escoltar a corte Portuguesa até o Brasil em segurança, porém se Portugal mudasse de idéia e se juntasse a Napoleão, os ingleses tinham ordens para bombardear Lisboa.

A PARTIDA

Os navios estavam todos preparados, esperando a ordem real, que por causa de muita chuva atrasou a partida por dois dias.O povo abismado e incrédulo acompanhava o vai vem de três dias, das 700 carroças e carruagens que transportavam a corte e seus pertences, todo o ouro, diamante e dinheiro do tesouro Real. Na correria toda a Prata da Igreja e os 60.000 volumes da Biblioteca Real, foram esquecidos no cais de Lisboa. As listas de passageiros são imprecisas para avaliar o numero exato, mas estima-se que entre 10 a 15 mil pessoas acompanharam o príncipe regente nesta viagem ao Brasil. A família real foi conduzida secretamente ao porto. A rainha Maria I, gritava ao cocheiro: “Mais devagar. Vão pensar que estamos fugindo!”. Ao chegar ao cais, foi colocada a força dentro do navio, pois não queria partir. D João apenas deixara um bilhete de despedida ao povo português. Às 07 horas do dia 29 de novembro foi dada a ordem de partida, D. João, ao chegar à foz do rio Tejo, tinha à sua frente o Oceano Atlântico e seus perigos e na sua retaguarda o Exército francês que chegava a Lisboa e o abandonado povo português, que assistia atônito, aquele momento histórico, onde ficaram literalmente a “Ver Navios”.

Na próxima edição acompanharemos detalhes emocionantes desta viagem. Até Lá!

criado por Edevanio    14:03 — Arquivado em: A SAGA DA FAMILIA REAL, Sem categoria

21.1.09

GARUVA, UMA DECLARAÇÃO DE AMOR.

 

Garuva, uma Declaração de Amor.


Por Edevânio Francisconi Arceno

  


 De ti recebi o primeiro suspiro

Com pulmões ainda virgens,

E quando pela primeira vez

Senti tua água pura e morna em minha pele tocar

Apaixonei-me por ti, por esta água , que me fez duvidar que nasci!

 

Na tua atmosfera límpida e sombreada

Pela Serra verde que te circunda,

Reproduzi meu primeiro som, o choro e abri meus olhos,

Ao ver a luz, antes de procurar o rosto de quem me concebeu,

Contemplei primeiro tua beleza e as riquezas que Deus lhe deu!

 

A primeira vez sozinho , sem estar nos braços de alguém,

Sobre tua terra fiquei, me maravilhei ao sentir o teu cheiro,

Neste instante pensei: Deste lindo torrão que herdei,

Semelhante , talvez o mesmo ,não sei

na mão de Deus virou Homem .

 

Na tua entrada, saí para o mundo,

Sobre tua extensão cresci, vivi e amadureci,

Mas confesso diante de todos e de ti,

Que ainda sinto ciúmes quando em bocas estranhas ouço o teu nome.

Como se fostes minha mulher e eu o teu homem!

 

Quando de ti me afastaram

Teu nome comigo levei.

Por novas estradas que andei,

Quando  procuravam-me  e encontrando-me  clamavam

Não era o meu, mas o teu nome bradavam,

Garuva! Garuva! Garuva….!

 

Sem esperar , afastaram-me de ti,

Mas o sol que se esconde atrás de teus montes,

Brilhou mais forte, onde eu estava.

E como da roça de fumo nada restou,

O meu pai logo pensou, e por Deus eu creio,

Pagou o que devia do custeio, e para ti voltou.

 

Que alegria voltar aos teus braços

Andar nas ruas onde cresci.

Voltar para onde não se quis sair.

Se depender de mim Garuva

E o criador permitir,

Nunca mais saio daqui!

 

 

criado por Edevanio    11:23 — Arquivado em: POEMAS, Sem categoria

Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://historianovicente.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.