HISTORIAndo!

Blog destinado à aqueles que amam História! Escrevam a sua História! Participe! Meu nome é Edevânio Francisconi Arceno , Moro em Garuva -SC! Sou casado com Viviani e pai de Giovanni e Fernanda! Sou acadêmico de Historia-UNIASSELVI - Contato : edevaniopm@terra.com.br.É só Clicar nas imagens abaixo para entar nas páginas! Acompanhe os trabalhos destaques elaborados por alunos! É só clicar! Boa Leitura.

30.9.09

“ABEL E NORMINHA” NA RELAÇÃO DE HISTÓRIA E MEMÓRIA

“ABEL E NORMINHA” NA RELAÇÃO DE

HISTÓRIA E MEMÓRIA

 

Edevânio Francisconi Arceno
Prof. Diego Finder Machado
Literatura, Memória e Sociedade.

Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

29/09/09

 

Atualmente quando ouvimos a música que diz: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”, automaticamente vem à nossa memória o casal Norminha e Abel, personagens da novela global Caminho das Índias. Aproveitando à popularidade deste casal fictício, que conquistou o Brasil, mencionaremos seu relacionamento contraditório com a relação intensa e conflituosa entre História e Memória

Primeiramente vamos desmistificar o discurso de que falar sobre a relação entre História e Memória, é complexo, pois não sabemos ao certo o conceito de cada uma. Isto não é verdade, pois a expressão latina “Memória” deriva de menor e oris, significando: “O que lembra” e está ligado ao passado. Apesar dos vários significados ao longo da História, sempre manteve sua essência, ou seja, Memória é algo que lembra o passado. Quanto ao conceito de História, você como historiador deve estar careca de saber, se ainda não sabe, propomos rever sua opção, que tal engenharia eletrônica? A empresa Tupy tem ótimas ofertas para estes profissionais! 

Conhecendo seus respectivos conceitos, vamos analisá-los separadamente usando como referencia aquele casal, “Você não vale nada, mas eu gosto de você”, lembrou da Norminha e Abel, não foi? Isto é Memória!Vamos começar pelo Abel, personagem do ator Anderson Muller, ele é um homem responsável, cumpridor de seus deveres e sabe fazer uso de sua autoridade. Seu trabalho é seguir regras e fazer com que outros também as sigam. Quer desapontá-lo? É só atravessar a rua fora da faixa. Da mesma forma a História tem uma reputação a zelar, ela é definida tradicionalmente como uma reconstrução científica que se faz através de um método, devendo sempre questionar a "integridade" de suas fontes, sejam elas escritas ou orais. O dever tradicional da história está em estabelecer os fatos como realmente ocorreram, pois só assim o passado é recuperado pelo presente. Para a História a compreensão do passado, não está simplesmente ligada a um ato esporádico, mas é composta de uma rede bem mais complexa. Na História a “faixa” são as fontes, quer ser um historiador, ande na faixa.

Enquanto Abel permanece vigilante com sua tradicional reputação sempre de olho na faixa, ela surge como um lapso. Seu caminhar é curvilíneo e sedutor, seus dedos sempre em movimentos circulares moldando a franjinha do cabelo. Seu olhar atento a todos a sua volta procura avidamente por sua propriedade, Abel. O vestido modelo “tomara que caia” parece cair a cada batida do coração, deixando quase livre seus fartos seios, que são retidos pelas rendas de seu sutiã, sempre amostra nas mais variadas cores. Seu vestido também protege o corpo de uma tradicional mulher brasileira, com bumbum grande e uma barriguinha saliente presa dentro da cinta elástica disfarçadamente escondida debaixo do vestido, e tudo isto em cima de um lindo sapato de salto alto comprado em doze vezes sem juros. Esta mistura de realidade e ficção que caminha em direção do tradicional Abel, é Norminha, personagem da atriz Dirá Paes.

Para os gregos a Memória é a geradora das artes, porém não obedece a regras, não combina sapatos e bolsa, mesmo assim se populariza e ganha autonomia e destaque em relação aos membros de um grupo. Isto não significa que a memória seja individual ou que cada um tenha uma memória própria, mas ela está situada num universo mais amplo, pois segundo Halbwach, toda memória se constrói com intermédio de outrem, através de trocas de experiências coletivas. Diante disto, a memória além de individual pode ser coletiva porque nem sempre é verdadeira, infalível e principalmente fiel. Esta falta de fidelidade desestabiliza a relação apaixonada entre Norminha e Abel, ou Memória e História.

Mesmo com tantas contradições, ambos são eternamente apaixonados e dependentes do passado, apesar de tratarem dele de forma diferente. Abel não tira os olhos da faixa, por acreditar que pode contribuir através de seus conhecimentos para que novos eventos não ocorram, bem como a História que estuda e analisa o Passado com objetivos específicos e às vezes refletindo em ações. Para Huyssen, a olhada para o passado viria para compensar a perda de estabilidade que o indivíduo tem com seu presente.  Norminha busca no passado fatos sem se importar se foram tristes ou alegres, se aconteceram na faixa ou não, pois não tem pretensão ou desejo de evitar outros acontecimentos, apesar de todo amor e respeito por Abel. Claro que além das memórias estáticas como Norminha, existem também as não estáticas, pois a memória muda sempre de acordo com o presente, e por ser intensa tende a perpetuar sentimentos.

Concluiremos dizendo que esta relação intensa e conflituosa entre História e Memória, está longe de terminar, talvez seja isto que a deixe tão apaixonante. Assim como na novela Caminho das Índias, o desconfiado Abel vai continuar sendo vítima das armações e infidelidades de Norminha durante muito tempo, a História também conviverá com a frágil veracidade da Memória. Pois assim como Abel não vive sem sua Norminha, a História sem a Memória não existe.

 

REFERÊNCIAS

 

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990. 

HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro: 2000. 

SARLO, Beatriz. Tempo passado. Cultura da Memória e Guinada Subjetiva. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

 

 

 

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SOFIA OU HILDE, EIS A QUESTÃO

SOFIA OU HILDE, EIS A QUESTÃO

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Diego Finder Machado

Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

Literatura, Memória e Sociedade.

27/09/09

Quem não desejou um dia atravessar a “Ponte para Terabítia” e viver as mais loucas aventuras em um mundo completamente imaginário. Quem quiser ousar, não precisa ir muito longe, pois este mundo pode estar a sua frente, talvez não tenha nem que atravessar o rio. Basta abrir um livro e viajar por reinos fantásticos, repleto das mais variadas culturas em qualquer tempo e espaço. Nesta viagem quem determina o tempo é o leitor.

A maravilha da literatura, é que seus personagens ganham vida própria a ponto de o próprio escritor perder seu domínio sobre eles, pois vão desenvolvendo suas próprias Histórias. Para relatar nossas impressões sobre a simultaneidade entre Literatura e História, gostaríamos de fazer uma analogia através da vida de duas adolescentes com a mesma idade, aparência, sonhos e outras semelhanças. A primeira é Hilde Knag, uma linda jovem que vive com a mãe, mas espera angustiada pela volta de seu pai, Albert Knag, um oficial militar no Líbano a serviço da ONU. Outra é Sofia Amundsem, filha de pai ausente, vive com a mãe e como toda adolescente espera ansiosa pelo seu décimo quinto aniversário. A vida de Sofia era exatamente igual à de outras adolescentes, muitas dúvidas e poucas decisões, até que um dia recebeu uma correspondência anônima com a seguinte pergunta, “Quem é você?”, sem saber, neste momento ela estava iniciando um curso, um caminho que mudaria sua vida para sempre.

Você já se deparou com este questionamento? Afinal quem somos nós!Somos o que pensamos ou pensamos o que somos! Estas e muitas outras respostas foram encontradas por Sofia, com ajuda do seu professor de Filosofia Alberto Knox. Esses personagens ganharam vida através do escritor norueguês Jostein Gaarder, em “O mundo de Sofia”. Esta obra traz um debate entre o real e o imaginário. Na medida em que a trama vai se desenvolvendo o autor nos revela que aquilo que tínhamos por verdadeiro era falso e o falso verdadeiro.

Afinal quem é real, Hilde ou Sofia? Depende da perspectiva. No livro, “O Mundo de Sofia”, somente uma delas é real, porém para o escritor Jostein Gaarder, ambas são imaginárias. Então o que é real e o que é imaginário?

Esta questão vem polemizando a relação entre História e Literatura. A História diz que a Literatura não é real, enquanto a Literatura pergunta à História, o que é real ou quem é real? Vemos esta relação, como um amor platônico e incestuoso entre irmãs ou de duas adolescentes curiosas como Hilde e Sofia. De um lado temos Sofia ou a História, toda certinha, responsável, preocupada com que os outros dizem, acham ou pensam a seu respeito. Sempre procurando respostas no passado com pensadores no assunto em questão. De outro temos Hilde ou a Literatura, desligada, pois esquece as coisas, é descompromissada, romântica, mimada e até mesmo irresponsável, porém ela tem algo que a diferencia, sua simpática narrativa. Então diz à Sofia para ser mais simpática (Narrativa), porém Sofia diz que Simpatia é sinônimo de fantasia e seu compromisso é com a verdade. Porém, o que é verdade?

Alguns dizem que nossa realidade depende de nossos sentidos, de nossa mente e de nossas subjetividades. Os Gregos antigos acreditavam numa verdade absoluta e universal advinda de sua Mitologia e Filosofia. Santo Tomás de Aquino, na Idade Média, definiu a verdade como um acordo do pensamento com o real. As verdades e os conceitos sobre as coisas mudam com as apropriações de novos conhecimentos, como por exemplo, a circunferência da Terra, que até pouco tempo achava-se que era plana e delimitada por precipícios infindáveis. Muitos associam a verdade, à uma neutralidade absoluta, porém uns pensadores a vinculam à subjetividade enquanto outros a consideram condicional. Como podemos observar este embate entre real e imaginário é antigo, por isso a Literatura grita aos quatro ventos, quem garante que a História (Sofia) é a verdade e quem lhe deu o direito de dizer que o resto é imaginário.

Atualmente é comum observarmos nas salas de aula, a presença cada vez mais constante da Literatura, auxiliando nas aulas de História, mas até que ponto esta aproximação é conveniente? A historiadora gaúcha Sandra Pesavento, tem vários estudos sobre a relação entre História e Literatura. Ela procura demonstrar que apesar de ambas terem diferentes objetivos na construção da identidade, se apresentam “como representações do mundo social”. A autora entende que a partir deste conceito de representação é possível incluirmos a Literatura como mais uma fonte histórica.

“a ficção não seria o avesso do real, mas uma outra forma de captá-la, onde os limites da criação e fantasia são mais amplos do que aqueles permitidos ao historiador [...]. Para o historiador a literatura continua a ser um documento ou fonte, mas o que há para ler nela é a representação que ela comporta [...] o que nela se resgata é a re-apresentação do mundo que comporta a forma narrativa”. (PESAVENTO, p.117)

O conceito de representação passa a ser essencial para entendermos essa aproximação. Outro autor que apregoa esse conceito é Roger Chartier, ele diz que o conceito de representação deve ser compreendido como um “instrumento de um conhecimento mediador que faz ver um objeto ausente através da substituição por uma imagem capaz de reconstituí-lo e figurar na memória como ele é”. Neste sentido, acreditamos que os textos literários podem ser compreendidos, como representações que demonstram a sociedade da época retratada através dos contextos, que aparecem de uma forma ou outra, na descrição dos personagens, na maneira de como se comportam, ou seja, na forma como o enredo é construído.

Apesar disto, é importante salientarmos que a literatura traz representações singulares do autor, mesmo que este trate da pluralidade social, enquanto a História trata de representações sociais, baseadas nas narrativas singulares do historiador e suas fontes. Resumindo, uma representação literária é singular enquanto que a histórica é pluralizada.

Para concluir, gostaríamos de ressaltar que a narrativa histórica e a narrativa da ficção são semelhantes, mas não podemos radicalizar dizendo que não são diferentes. Acreditamos que as narrativas históricas seguiram e devem seguir técnicas específicas, através da leitura de documentos, técnicas de análise, organização das fontes, sempre utilizando os critérios de provas. Não podemos esperar o mesmo procedimento da narrativa literária, porém o historiador pode apropriar-se desta narrativa, bastando apenas confrontá-la com outras fontes. Desta forma ele estará analisando e enriquecendo-a com a cientificidade exigida pela narrativa histórica.

Quem não sentiu o coração pulsar mais forte, a cada mensagem solucionada e mistério desvendado pela garotinha Sofia, como um gigante quebra-cabeça onde a solução era sua própria inexistência. Sofia, a História, poderá conviver perfeitamente com Hilde, a Literatura, enquanto cada uma viver em sua dimensão. A partir do momento em que uma tomar o lugar da outra, a História termina. Diante disto quem nos garante que não existe um norueguês maluco escrevendo e brincando de Deus com a sua, a minha ou a nossa vida? Quem pode nos garantir que não somos como Hilde ou Sofia, personagens de uma História sem fim, ou com dia e horário marcado para a leitura do último parágrafo. O que é real? O que é imaginário?

Para nós, não importa se as imagens que estão sendo refletidas na grande parede da caverna são imaginárias ou reais. Temos que ter em mente, a certeza de que as correntes que nos aprisionam diante desta parede, são imaginárias. Elas não existem, então não podem nos deter, estamos livres e a um passo de ver o real, pois o que nos separa dele são nossas atitudes. Se a leitura desta despretensiosa literatura lhe fez ver isto, estimulou ou simplesmente fez você refletir sobre sua História, se és Sofia ou Hilde, acreditamos que ambas, História e Literatura, podem perfeitamente coexistir.

REFERÊNCIAS

CHARTIER, Roger. O mundo como Representação. Estudos Avançados, nº 11, p.115-127. Jan./Abr. de 1991.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia.

São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Relação entre História e Literatura e Representação das Identidades Urbanas no Brasil (século XIX e XX). In: Revista Anos 90, Porto Alegre, n. 4, dezembro de 1995. p. 117.

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DO ATELIÊ DE DURVAL À VITRINE DE BIÁ

 

DO ATELIÊ DE DURVAL À
VITRINE DE BIÁ

   

Edevânio Francisconi Arceno
Prof. Diego Finder Machado
Literatura, Memória e Sociedade.
Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

24/09/09

 

O que fabrica um historiador? É a pergunta que norteia o trabalho do historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior. Quando Michel de Certeau fez o mesmo questionamento, obviamente estava tentando passar a visão de que o historiador é um construtor, alguém que cria a partir de algo, pois toda construção surgi a partir de algo, enquanto Marx diz que a própria História é a máquina de construção, ao historiador cabe apenas o papel de engrenagem. Independentemente da forma, sendo máquina, agindo como força motriz ou produto resultante desta força, a História tem um papel social significativo, pois ela explícita esta e muitas outras divergências que movem o mundo. Diante disto, o historiador Durval, compara o trabalho de historiador a de um tecelão, por se tratar de uma construção delicada, complexa e minuciosa de agregar fragmentos através dos pontos, formando uma costura sempre buscando a forma desejada.

Uma visão linda e poética, porém gostaríamos de lembrar com que intenção Penélope tecia o seu infindável enxoval, ela aguardava a volta de seu Ulisses. Sempre há uma intenção, uma força motriz por trás de cada História. Independente de como o historiador é chamado ou comparado através do tempo, desde histor até tecelão, seus serviços sempre foram, são e serão contratados por alguém, e ninguém contrata um tecelão para fazer um suéter e se satisfaz com um cachecol.

 

Partindo da visão de Albuquerque, de que o historiador é um tecelão dos tempos, visitamos uma malharia e encontramos os mais variados tipos de máquinas de tecelagem, que vão sendo destinadas a cada tipo de tecelão. O primeiro nível, ou seja, os tecelões inexperientes que estão em fase de aprendizagem, são colocados nas máquinas manuais, ou seja, esta máquina vai respeitar a velocidade e perícia de seu operador, assim não terá nenhum motivo para apressar a troca dos fios, e terá tempo e tranqüilidade para a manutenção das agulhas na troca do ponto. Com um pouco mais de experiência este tecelão será colocado na máquina conhecida como pica-pau, ou seja, é manual e também automatizada, quando o operador sentir-se preparado para as trocas imediatas ele optará pela segunda opção. Quando este tecelão adquirir mais experiência e tiver domínio na manutenção das agulhas, (Fundamentação Teórica) e conhecimento sobre os diferentes pontos, (Conversar com as Fontes), ele estará preparado para outra máquina totalmente automática, porém mesmo com todo este conhecimento adquirido através da prática, ainda assim estará apenas prestando um serviço a alguém, que só será comprado se agradar o cliente.

 
Existem também os tecelões que trabalham por conta própria. Aquele que se coloca diante de uma cesta cheia de documentos, de relatos, de imagens, de escritos, de narrativas, de variadas cores e tonalidades e depois acha o famoso fio da meada, então vai tecendo e quando percebe seu produto está pronto. Ele olha e diz que obra linda eu criei, com certeza ganharei um bom dinheiro com ela! Então começa a ofertá-la, derrepente nota que todos a sua volta têm uma obra similar e por causa disto resolve ir para outro contexto, pois só assim darão valor no seu trabalho. Quando chega lá, vê outros milhares de tecelões que tiveram a mesma idéia e se vê como os redeiros nordestinos, que abandonaram suas casas para vender redes nas praias do Sul, chegando, observam que existem muitos outros vendedores de rede. Em virtude disto começa oferecendo sua arte por um determinado preço e acaba vendendo por menos da metade do valor. Observem que até o dono do ateliê reconhece esta dificuldade:
 

Mas quero chamar atenção para o fato de que, o historiador, tal como o artesão, o produtor direto, realiza, quase sempre, uma troca bastante desigual quando seu produto é colocado a venda. O texto do historiador, como o objeto fabricado pelo artesão, exige muitas horas de trabalho, é um produto que exige um trabalho extensivo, mas que será adquirido por preços que estão muito longe de corresponder ao tempo gasto para sua produção. (ALBUQUERQUE JÚNIOR, p.10)

Não importa como o historiador se sente, um tecelão efeminado, um ferreiro solitário, jardineiro escolhido por Deus, uma carpideira saudosa, um carpinteiro do tempo, como um padeiro de sonhos ou mestre cuca do pirão de gente, sempre estará a serviço de alguém, farão tudo que o mestre mandar

Não gostaríamos de deixar uma imagem pessimista da função de historiador, até porque ser historiador é muito nobre, e a presença deste funcionário é imprescindível à Sociedade. Isto mesmo Funcionário! Claro que existem entre os milhares de funcionários, aqueles que se destacam e podem ser tecelões ou até mesmo mestres da alta costura. O próprio Durval, caminha nesta direção, porém sabe que para ser um dos grandes, tais como: Heródoto, Tácito, Maquiavel, Petrarca, Carr, Bloch, tem que vender muita rede

É possível deixar de ser um funcionário e ser um tecelão? Sim, porém para isto você terá primeiramente que participar da semana da moda, “Antonio Biá-Fashion Week”. Nome herdado do grande mestre da alta costura que soube valorizar a História e o papel do historiador. Deixou de ser um singelo personagem, do pequeno vilarejo de Javé, deixando para trás seu ínfimo emprego, para se tornar um dos maiores mestres da alta costura historicista mundial, um verdadeiro tecelão, que tecia o que achasse valer a pena ser tecido. Negou-se a ser um funcionário, que tecia apenas o que os Mestres mandavam.

Quem deseja tecer como Homero, Heródoto, Tácito e outros, têm que sair do Ateliê de Durval e seguir uma longa estrada até chegar a Vitrine de Biá. Muitos não chegarão, serão sempre funcionários, mas com certeza a caminhada será histórica!

 

 

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. O Tecelão dos Tempos:O Historiador como artesão das temporalidades. Disponível em: http://www.cchla.ufrn.br/ppgh/docentes/durval/artigos/o_tecelao_dos_tempos.pdf Acesso em : 21/09/09

 

 NARRADORES de Javé. Direção: Eliane Caffé. Produção: Vânia Catani. Roteiro: Luis Alberto de Abreu e Eliane Caffé. Interpretes: José Dumont, Matheus Nachtergaele, Gero Camilo, Nelson Dantas e outros. Rio de Janeiro. Estúdio: Bananeira Filmes / Gullane Filmes / Laterit Productions. 2003. Fita VHS (100min.), son, color.

 

 

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