HISTORIAndo!

Blog destinado à aqueles que amam História! Escrevam a sua História! Participe! Meu nome é Edevânio Francisconi Arceno , Moro em Garuva -SC! Sou casado com Viviani e pai de Giovanni e Fernanda! Sou acadêmico de Historia-UNIASSELVI - Contato : edevaniopm@terra.com.br.É só Clicar nas imagens abaixo para entar nas páginas! Acompanhe os trabalhos destaques elaborados por alunos! É só clicar! Boa Leitura.

30.9.09

DO ATELIÊ DE DURVAL À VITRINE DE BIÁ

 

DO ATELIÊ DE DURVAL À
VITRINE DE BIÁ

   

Edevânio Francisconi Arceno
Prof. Diego Finder Machado
Literatura, Memória e Sociedade.
Curso de Pós-Graduação em História Cultural – AUPEX

24/09/09

 

O que fabrica um historiador? É a pergunta que norteia o trabalho do historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior. Quando Michel de Certeau fez o mesmo questionamento, obviamente estava tentando passar a visão de que o historiador é um construtor, alguém que cria a partir de algo, pois toda construção surgi a partir de algo, enquanto Marx diz que a própria História é a máquina de construção, ao historiador cabe apenas o papel de engrenagem. Independentemente da forma, sendo máquina, agindo como força motriz ou produto resultante desta força, a História tem um papel social significativo, pois ela explícita esta e muitas outras divergências que movem o mundo. Diante disto, o historiador Durval, compara o trabalho de historiador a de um tecelão, por se tratar de uma construção delicada, complexa e minuciosa de agregar fragmentos através dos pontos, formando uma costura sempre buscando a forma desejada.

Uma visão linda e poética, porém gostaríamos de lembrar com que intenção Penélope tecia o seu infindável enxoval, ela aguardava a volta de seu Ulisses. Sempre há uma intenção, uma força motriz por trás de cada História. Independente de como o historiador é chamado ou comparado através do tempo, desde histor até tecelão, seus serviços sempre foram, são e serão contratados por alguém, e ninguém contrata um tecelão para fazer um suéter e se satisfaz com um cachecol.

 

Partindo da visão de Albuquerque, de que o historiador é um tecelão dos tempos, visitamos uma malharia e encontramos os mais variados tipos de máquinas de tecelagem, que vão sendo destinadas a cada tipo de tecelão. O primeiro nível, ou seja, os tecelões inexperientes que estão em fase de aprendizagem, são colocados nas máquinas manuais, ou seja, esta máquina vai respeitar a velocidade e perícia de seu operador, assim não terá nenhum motivo para apressar a troca dos fios, e terá tempo e tranqüilidade para a manutenção das agulhas na troca do ponto. Com um pouco mais de experiência este tecelão será colocado na máquina conhecida como pica-pau, ou seja, é manual e também automatizada, quando o operador sentir-se preparado para as trocas imediatas ele optará pela segunda opção. Quando este tecelão adquirir mais experiência e tiver domínio na manutenção das agulhas, (Fundamentação Teórica) e conhecimento sobre os diferentes pontos, (Conversar com as Fontes), ele estará preparado para outra máquina totalmente automática, porém mesmo com todo este conhecimento adquirido através da prática, ainda assim estará apenas prestando um serviço a alguém, que só será comprado se agradar o cliente.

 
Existem também os tecelões que trabalham por conta própria. Aquele que se coloca diante de uma cesta cheia de documentos, de relatos, de imagens, de escritos, de narrativas, de variadas cores e tonalidades e depois acha o famoso fio da meada, então vai tecendo e quando percebe seu produto está pronto. Ele olha e diz que obra linda eu criei, com certeza ganharei um bom dinheiro com ela! Então começa a ofertá-la, derrepente nota que todos a sua volta têm uma obra similar e por causa disto resolve ir para outro contexto, pois só assim darão valor no seu trabalho. Quando chega lá, vê outros milhares de tecelões que tiveram a mesma idéia e se vê como os redeiros nordestinos, que abandonaram suas casas para vender redes nas praias do Sul, chegando, observam que existem muitos outros vendedores de rede. Em virtude disto começa oferecendo sua arte por um determinado preço e acaba vendendo por menos da metade do valor. Observem que até o dono do ateliê reconhece esta dificuldade:
 

Mas quero chamar atenção para o fato de que, o historiador, tal como o artesão, o produtor direto, realiza, quase sempre, uma troca bastante desigual quando seu produto é colocado a venda. O texto do historiador, como o objeto fabricado pelo artesão, exige muitas horas de trabalho, é um produto que exige um trabalho extensivo, mas que será adquirido por preços que estão muito longe de corresponder ao tempo gasto para sua produção. (ALBUQUERQUE JÚNIOR, p.10)

Não importa como o historiador se sente, um tecelão efeminado, um ferreiro solitário, jardineiro escolhido por Deus, uma carpideira saudosa, um carpinteiro do tempo, como um padeiro de sonhos ou mestre cuca do pirão de gente, sempre estará a serviço de alguém, farão tudo que o mestre mandar

Não gostaríamos de deixar uma imagem pessimista da função de historiador, até porque ser historiador é muito nobre, e a presença deste funcionário é imprescindível à Sociedade. Isto mesmo Funcionário! Claro que existem entre os milhares de funcionários, aqueles que se destacam e podem ser tecelões ou até mesmo mestres da alta costura. O próprio Durval, caminha nesta direção, porém sabe que para ser um dos grandes, tais como: Heródoto, Tácito, Maquiavel, Petrarca, Carr, Bloch, tem que vender muita rede

É possível deixar de ser um funcionário e ser um tecelão? Sim, porém para isto você terá primeiramente que participar da semana da moda, “Antonio Biá-Fashion Week”. Nome herdado do grande mestre da alta costura que soube valorizar a História e o papel do historiador. Deixou de ser um singelo personagem, do pequeno vilarejo de Javé, deixando para trás seu ínfimo emprego, para se tornar um dos maiores mestres da alta costura historicista mundial, um verdadeiro tecelão, que tecia o que achasse valer a pena ser tecido. Negou-se a ser um funcionário, que tecia apenas o que os Mestres mandavam.

Quem deseja tecer como Homero, Heródoto, Tácito e outros, têm que sair do Ateliê de Durval e seguir uma longa estrada até chegar a Vitrine de Biá. Muitos não chegarão, serão sempre funcionários, mas com certeza a caminhada será histórica!

 

 

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. O Tecelão dos Tempos:O Historiador como artesão das temporalidades. Disponível em: http://www.cchla.ufrn.br/ppgh/docentes/durval/artigos/o_tecelao_dos_tempos.pdf Acesso em : 21/09/09

 

 NARRADORES de Javé. Direção: Eliane Caffé. Produção: Vânia Catani. Roteiro: Luis Alberto de Abreu e Eliane Caffé. Interpretes: José Dumont, Matheus Nachtergaele, Gero Camilo, Nelson Dantas e outros. Rio de Janeiro. Estúdio: Bananeira Filmes / Gullane Filmes / Laterit Productions. 2003. Fita VHS (100min.), son, color.

 

 

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1.8.09

REFORMA PROTESTANTE: O Tilintar da Moeda na Caixa.

O Tilintar da Moeda na Caixa

Edevânio Francisconi Arceno

Prof Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

Licenciatura / História (HID 0771) - História Moderna

19/05/09

RESUMO

A palavra Reforma, apesar de complexa, seus significados mais comuns são: melhoramento; conserto, reparação, restauração, modificação, ou seja, aprimorar, reparar, restaurar ou modificar o que já está feito. Porém quando observamos os fatos da Reforma Religiosa, uma nomenclatura Reforma fica sem sentido, pois não foi isto que aconteceu.O que houve foi uma contrução de novas religiões, novos dogmas, novas alternativas e ainda que todas tenha o mesmo fim, guiar o homem ao REENCONTRO com Deus, cada uma delas afirma ser o único e verdadeiro caminho.Mas será que uma dita reforma, teve Exito por que Deus queria dar uma nova chance ao Homem? Será que existem outros fatores que contribuiram para este feito? Veremos No decorrer deste trabalho, que existem tantos motivos materiais quanto espirituais, além disto outros interesses menos autruistas também contribuiram. Estudaremos como dimenções econômicas, políticas e sociais que contextualizaram uma histórica Reforma Religiosa.

Palavras-chave: Igreja; burguesia; Transformações.


1 INTRODUÇÃO

Acreditamos que uma revolução nunca acontece baseada apenas em um fato isolado, por isso entendemos que vários fatores culminaram na Reforma Religiosa. Não queremos minimizar nenhum deles, da mesma forma, achamos difícil destacar o principal, porém isto não significa que não exista um.

Seguiremos o método cartesiano, Analisaremos cada dimensão separadamente. Assim, poderemos perceber que para uma dimensão econômica os motivos da reforma da política são diferentes, e assim por diante. Compreendendo cada contexto, poderemos analisar de maneira mais precisa os motivos de cada uma.

Como cristãos esperamos que o motivo mais importante desta reforma, foi uma providência divina com o intuito de resgatar o homem, Colocando-o novamente nenhum caminho, para que no futuro ambos possam estar para sempre no paraíso.

Como escritores, temos a responsabilidade de expor na forma mais clara possível todas as informações necessárias para que nossos leitores possam analisar e chegar a uma conclusão. Como historiadores, nosso compromisso é com os fatos.


2 A DIMENSÃO ECONÔMICA DA REFORMA Religiosa

Os princípios do Sacro Império Germanico estavam com dificuldades de aceitar uma imposição do Imperador Carlos V da Espanha e sua subordinação uma todas as exigências da Igreja Católica. Suas inquietações causavam ressentimentos com os demais povos, por ter que pagar impostos absurdos para uma instituição estrangeira em detrimento do povo Germanico.

Neste contexto Lutero encontrou o apoio para dar continuidade às tentativas frustradas do britânico Wyclif e Jan Hus fazer Boêmio, de reformar uma Igreja Católica Romana. O apoio ea proteção do Príncipe Frederico III, eleitor da Saxonia foi imprescindível na Reforma protestante liderada por Lutero.

Este apoio foi ganhando cada vez mais adeptos a partir do momento em que a burguesia germanica, viu na reforma uma possibilidade de livrar-se dos tributos e do poder cerceador da Igreja Católica ea possibilidade de ENFRAQUECER o poder político de Carlos V.

Em outro contexto, os interesses burgueses também contribuíram na Reforma Calvinista, pois a Igreja Católica condenava a prática da usura, ao contrário do calvinismo que incentivava o acúmulo de bens, indo de encontro aos interesses da burguesia.

Por isso, dentre os reformistas o que mais recebeu apoio da burguesia, foi João Calvino que além de conceber um usura, pregava uma predestinação, ou seja, os eleitos de Deus são justamente aqueles que trabalham e acumulam riquezas.

“Inclusive as chamadas guerras de religião do século XVII Aconteceram, antes de tudo por interesses materiais de classes muito concretas. Estas guerras foram lutas de classes, da mesma forma que os conflitos internos que mais tarde se produziram na França e na Inglaterra. Que estas lutas tivessem certas características religiosas, que os interesses, necessidades e reivindicações de cada uma das classes tenham sido dissimulados com uma capa religiosa, não altera em nada a situação e se explica pelas condições da época “(Engels, apud Marques, Beirutte e Faria, 2005 p. 104)

Surgiu uma ética protestante, que impulsionou o desenvolvimento do capitalismo, recebendo total apoio dos burgueses que em pouco tempo espalhou o calvinismo por toda a Europa.

Na Inglaterra, uma ruptura com a Igreja Católica Apostólica Romana, não foi fundamentada Desentendimento entre Henrique VIII eoPapa Clemente VII em relação ao divorcio, ou seja, uma questão politica. Porém uma questão economica Esteve intrisecamente ligada, uma vez que a Igreja Católica era proprietária de um grande número de bens e propriedades, que foram confiscado logo após esta ruptura, que deu origem ao Anglicanismo, uma nova Igreja de Henrique VIII e seus súditos.


3 ADimensão política da reforma religiosa

Como dissemosuma Reforma Inglesa, aconteceu em virtude das necessidades políticas de Henrique VIII. O mesmo era casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, então Henrique solicitou ao Papa Clemente VII a anulação do casamento.

Com a recusa do Papa, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Parlamento concedeu um Henrique VIII e os seus sucessores uma liderança da igreja, nascendo assim o Anglicanismo.

Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho Eduardo VI, os protestantes viram-se em ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta Diferenciando o anglicanismo ainda mais do catolicismo.

Outra questão política que podemos mencionar foi um recém formação dos Estados Nacionais.

Estes Estados Nacionais, entre eles a França, viram na Reforma Religiosa uma oportunidade de aumentar sua autonomia, consolidando seu poder e soberania política, minimizando assim como Interferências eclesiásticas da Igreja de Roma ..


4ADIMENSÃO SOCIAL DA REFORMA Religiosa

Os séculos XII e XVI foram marcados por profundas transformações sociais, devido a um período de transição, onde muitos conceitos e movimentos se contradiziam. O antropocentrismo se confrontava com o Teocentrismo, o Geocentrismo contra o Heliocentrismo, enfim uma razão versus uma Fé.

Este período de Renascimento produziu alguns pensadores, tais como Erasmo de Rotterdam e Nicolau Copernico, que através de suas obras influenciaram muitos outros pensadores, Clérigos e nobres, pessoas formadoras de opinião, entre elas o próprio Lutero.

Apesar dos diferentes contextos sociais e os seus motivos para aderir um movimento separatista, todos os territórios europeus viram na Reforma Religiosa uma alternativa para livrar-se de vez dos dogmas e conceitos medievais da Igreja, possibilitando uma evolução das ciências.

No campo artístico, uma Reforma influenciou diversos artistas renascentistas propiciando um grande número de literaturas, arquiteturas, esculturas, pinturas, todas as belas artes, servindo de expressão popular a esta Reforma.

Outra questão social que contribuiu para a difusão da Reforma foi o desenvolvimento técnico eo surgimento da imprensa, que possibilitou uma publicação em série da Bíblia, conscientizando e alertando uma pequena parcela da sociedade que conhecia a escrita, produzindo fiéis mais exigentes e críticos em relação à Igreja.


5 AQUESTÃO DA REFORMA ESPIRIUAL Religiosa

Apesar de algumas pessoas já se terem manifestado e criticado o comportamento de alguns líderes eclesiásticos e os desvios da Igreja de Cristo, a eclosão do processo reformista envolveu o papa Leão X e seus métodos para arrecadar dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro, em Roma.

Leão X negociou uma venda de indulgências, que era o perdão de pecados cometidos. Este benefício também se entendia aos mortos, pois segundo o Frei dominicano alemão Jhoann Tetzel, o maior vendedor das indulgências papais, tão logo tilintar uma moeda lançada na caixa, a alma sairá voando do purgatório para o Céu!

Diante disto, no dia 31 de outubro de 1517, o monge Martinho Lutero, protestou colando suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, onde Atacava como indulgências, alegando que a única forma do Homem justificar-se diante de Deus e pela Fé, e ninguém mais tem este poder, inclusive o Papa.

A intenção de Lutero não era criar uma nova Igreja, mas sim reformar uma Igreja Católica Apostólica Romana, porém suas interpretações bíblicas divergiam muito das interpretações dos líderes eclesiásticos, que o excomungaram. Lutero só não foi para um Fogueira devido uma proteção de alguns nobres saxões.

Na Suíça, região de comércio Próspero, teve início o processo de Reforma protestante com Ulrich Zwinglio (1489-1531). Seguidor de Lutero e de Erasmo de Roterdão. Zwinglio morreu porque fazia pregações que resultaram em violenta guerra civil entre reformistas e católicos.

A obra de Zwinglio foi continuada por um francês, João Calvino, que sofreu uma forte perseguição em seu país e fugiu para a Suíça. Em Genebra, começou a propagar uma doutrina calvinista, que teve grande aceitação entre os representantes da burguesia, na medida em que valorizava aspectos de seu interesse, tais como o trabalho eo acúmulo de riquezas.

A doutrina calvinista consolidou-se por meio do Consistório[1], Que estabeleceu em Genebra um rígido modelo de vida para os habitantes da cidade e suas atividades sociais.

Quanto a Reforma Anglicana na Inglaterra, foi gerada por um conjunto de fatores, dentre eles, a influência das idéias de John Wyclif, o nacionalismo português que se opunha ao poder da Igreja Católica ea necessidade da Monarquia inglesa romper com Roma para centralizar o poder.

6 CONCLUSÃO

A Reforma Religiosa reduziu o poder ea influência de um dos últimos impérios da Terra. Apesar de não ostentar este estatuto, podemos analisar através de suas ações que se trata de uma instituição que tinha poderes políticos, propriedades em toda a Europa e ainda tinha autonomia para processar, prender e Matar todos aqueles que ousassem desafiá-la.

Através deste trabalho entendemos que a Reforma Religiosa só foi possível devido hum diversos fatores, contextualizados na realidade daquele momento histórico e também que as investidas de Wyclif e Hus não deram certo por não contemplar o mesmo contexto.

Além da justificativa de reconduzir o homem ao caminho de Deus, todas as reformas européias tinham em comum uma questão financeira, reflexos das transformações sociais. Uma coisa é certa, uma Reforma Religiosa foi um importante marco na História do Homem.

Nesta busca incansável pelo criador, o homem encontrou motivos para sacrificar, flagelar, flagelar-se, guerrear, Matar, queimar, enfim uma série de atrocidades, que às vezes nos fazem refletir. Será que realmente Deus criou o homem a sua imagem?

Talvez o maior erro não estivesse nas mãos que jogavam uma moeda na caixa para tilintar, pois estas pessoas acreditavam que isto ajudaria a si mesmo e seu ente querido, que há muito tempo estaria sofrendo uma angústia interminável e finalmente encontraria repouso!

Então resta-nos perguntar, quem errou mais, os donos da caixa aonde tilintavam como moedas, ou aqueles que nos disseram que de nada adiantava tilintar uma moeda, pois nossos entes morreram estão mortos e se condenados, não há mais nada a fazer. Então perguntamos, uma Reforma aconteceu em virtude da alma do Homem ou da moeda que tilintava na caixa?

Como cristãos acreditamos veementemente que foi em virtude da alma do homem. Como escritores, esperamos que todas as informações expressas, contribuam para que nossos leitores cheguem a uma conclusão, ou que tenha pelo menos neste artigo uma direção em suas pesquisas.

Como historiadores, acreditamos que cada temporalidade tem suas Verdades, razões e enganos, e todas são igualmente importantes e necessárias para que esta História continua sendo escrita.

7 REFERÊNCIAS

DAUWE, Fabiano.História Moderna.Indaial: Ed. ASSELVI, 2008.

REFORMA protestante. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/reforma-protestante/reforma-protestante-5.php. Acesso em: 15/05/09.


[1] UmconsistórioÉ uma reunião de Cardeais para dar assistência ao Papa nas suas decisões.

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30.7.09

A ESCRAVIDÃO EM SANTA CATARINA

A VISÍVEL CONVENIÊNCIA HISTORIOGRÁFICA:
Na Invisibilidade da Presença Escrava em Santa Catarina.

Edevânio Francisconi Arceno

Professora Karyne Johann

História da África e dos Afrodescendentes de Santa Catarina

Curso de Pós-Graduação em História Cultural- AUPEX

29/07/09

RESUMO

Quando começamos a captar literaturas para a composição deste trabalho, a primeira obra que analisamos foi a história sobre a colonização de Joinville, do autor Carlos Ficker. Depois de ler as quatrocentas e quarenta e cinco páginas deste livro, encontramos apenas quatro linhas mencionando os escravos. Então indagamos em um diálogo imaginário com o autor, tentando compreender o porquê um historiador tão renomado deixou de mencionar a presença negra em Joinville detalhadamente. Então como que respondendo ao nosso clamor, compreendemos que Ele nos diz nestas quatro linhas, tudo o que precisávamos saber sobre a concepção histórica dos Negros Catarinenses, para nossos antepassados. Depois desta conversa inspiradora com o autor Carlos Ficker, encontramos a direção do nosso trabalho, levantando alguns simples questionamentos. A escravidão em Santa Catarina é inexpressiva? Será que a invisibilidade da presença Negra é reflexo de poucas Fontes?É verdade esta história de poucas Fontes?

Palavras-chave: Revisão; Escravidão; Santa Catarina.

1 INTRODUÇÃO

Certo dia um aluno perguntou qual a função do historiador e rindo complementou, contar História? Então resolvemos explicar a função do historiador fazendo a seguinte analogia. Imagine quatro intelectuais observando uma linda queda d’água. Entre eles há um matemático, que olha para a cachoeira e calcula a altura e a velocidade das águas. Outro é um filósofo que contemplando a cachoeira questiona pensativo, de onde vem toda esta água? Depois é a vez do Teólogo que simplesmente olha e exclama, só pode ser coisa de Deus! Então surge o Historiador, que observa a altura e a velocidade das águas, mas este não é o seu foco. De onde vem esta água, também o intriga, mas não o detém. Não discorda que pode ser coisa de Deus, porém ele quer mais! Então olha atentamente para a Cachoeira, esquadrinhando centímetro por centímetro e percebe uma sombra escura no interior da mesma. Aproximando-se descobre que atrás da queda d’água existe uma caverna, então entra e se maravilha com sua descoberta! Quando olha para trás, percebe que a cachoeira ainda está lá, porém sob uma nova ótica, uma nova perspectiva. Depois disso ele anuncia como um arauto em alta voz: Matemático, Filósofo, Teólogo, Mundo a cachoeira tem outro lado! Esta é a função do Historiador, anunciar ao Mundo o outro lado!

Acontece que esta missão, nem sempre é fácil, justamente porque desfaz mitos através do questionamento das “verdades absolutas”, construídas pela historiografia de acordo com sua temporalidade. Uma destas verdades absolutas construídas pela historiografia catarinense é a invisibilidade da escravidão negra no estado catarinense.

Muitos historiadores alegam que isto ocorre devido ao número escasso de fontes, e que em virtude dos poucos registros, ficou evidente que no estado catarinense a escravidão não teve a mesma intensidade que no sudeste e nordeste brasileiro. Concordamos plenamente que nenhum lugar do Brasil e talvez do mundo, a escravidão foi tão intensa quanto nestas regiões brasileiras, porém isto não apaga sua existência nas demais.

A Professora Mestre Karyne Johann usou antigos processos judiciais , como uma das fontes na composição de sua Dissertação, trazendo muitas informações oficiais sobre a escravidão no Sul do Brasil, porém o que mais nos chamou a atenção, foi sua observação em relação ao autor Paulo Zarth, um historiador crítico da historiografia tradicional que menospreza a importância da escravidão no Sul.

Apesar de escassas, estas fontes existem, o nosso dever é encontrá-las, pois só assim conseguiremos compreender o grande mistério sobre a presença escrava em Santa Catarina.Nosso Objetivo é indagar o porquê alguns historiadores fazem tanta questão de minimizar esta realidade histórica de Santa Catarina.

2 OS ESCRAVOS RURAIS


Há relatos de que a maior incidência de registros de escravos na província catarinense é de escravos de ganho, uma espécie de escravo urbano e/ou residencial, porém apesar dos poucos, registros, também encontramos a presença de escravos rurais.

Segundo o Jornalista Henrique Luiz Fendrich,os municípios catarinenses de São Bento e Campo Alegre, registraram a presença destes escravos, ao longo da Estrada Dona Francisca, em Mato Preto, Bateias e Avenquinha, onde residiam proprietários de terras que vinham de São José dos Pinhais e Lapa da província do Paraná. Entre eles a família Teixeira, descendentes de Nazário Teixeira da Cruz que possuía uma dezena de escravos registrados em Pinhais.

Observe este registro, comprovando a existência de escravos rurais, fornecido pelo Sr Gustavo Konder em seu relato “Algo sobre Itajaí”, quando se refere ao seu bisavô:

Seria interessante anotar que as abastadas famílias dos primeiros imigrantes alemães que, em vez de assimilar as tradições de algumas ricas famílias luso-brasileiras, não adotaram a escravidão dos negros. Por exemplo, o meu bisavô, Cel. José Henrique Flores, donatário de toda a zona de Ilhota, possuía muitos escravos. Em 1845, o Cel. Flores vendeu toda a propriedade aos colonizadores belgas Van Lede e irmãos Lebon, abandonando assim, a mercê do destino, os seus escravos, retendo apenas alguns para os serviços caseiros na sua nova residência em Itajaí. Ele nunca trabalhou, pois viveu sempre como “baronete”, à custa do suor dos pobres escravos. Residindo em Itajaí, logo tornou-se chefe político crônico (mais de 20 anos). Quando veio a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888 (abençoada data), a família Flores, já bastante empobrecida, desfalcada com o falecimento do seu chefe, dispensou o restante dos escravos. O meu avô, o alemão Marcos Konder Sênior, como bom cristão, recolheu três velhos ex-escravos chamados Manoel, Catharina, Domingos Silva e Honorata para trabalharem na sua firma com salários semanais, religiosamente pagos. Quando eu trabalhava na Usina de Açúcar Adelaide, estabelecida em Pedra d`Amolar, perto de Ilhota, alguns pretos, plantadores de cana, me revelaram orgulhosamente que seus avós ou bisavós foram escravos do meu bisavô Flores.

É evidente neste relato que havia uma fazenda de cana-de-açúcar na região de Itajaí, bem como mão de obra escrava, que após a venda desta fazenda, foram abandonados a própria sorte. Ainda em Itajaí, podemos verificar a presença de escravos em fazendas, no trabalho de José Bento Rosa da Silva, que em suas pesquisas descreve um crime na vila de Itajahy, em 1861, envolvendo um imigrante alemão de nome Adolfo Rienne, oriundo da colônia de Brusque, que negociava na vila de Itajahy. Foi provado que o imigrante matou premeditadamente por motivo fútil, o escravo Miguel, propriedade do Sr Bento Malaquias da Silva, proprietário de muitas terras e prestígio naquela região e exigia uma indenização de um conto de réis.

Mais um autor registra a presença de escravos rurais, foi na região da Colônia Dona Francisca (atual Joinville). O historiador Dilney Cunha, segundo o jornalista Gustavo Meneghim, acabou com o mito que entre os colonizadores de Joinville não houve escravocratas. Dilney relatou em seu livro “História do Trabalho em Joinville - Gênese”, que no início da colonização em Joinville, no ano de 1856, houve na região uma forte tendência à produção do artesanato, comércio, exportação de madeira (que foi a primeira grande fonte de renda da região). Em seguida relata a produção e exportação de erva-mate e de cana-de-açúcar, cuja usina ficava em Pirabeiraba. A prática de ter escravos era comum entre os luso-brasileiros, porém isto não quer dizer que os imigrantes ficavam alheio a isto:

Trata-se do caso de Felizarda, africana, falecida em 1880 com “mais ou menos” 45 anos, escrava de Gustavo Seiler, um dos mais ricos comerciantes locais e feitor do engenho de erva-mate de Eduard Trinks. De Seiler, sabe-se apenas que foi nascido na Suíça e que era primo do primeiro prefeito de Joinville, Ottokar Doerfel”[...] A região de Joinville já contava com escravos desde o início das Sesmarias (latifúndios de luso-brasileiros) onde por volta de 1850 existiam em torno de 60 a 70 escravos. Entre a população local, também existiam diversos escravos libertos e outros “emprestados” a imigrantes da região e que realizavam todo o tipo de oficio, de barqueiros, artesãos a criados. O próprio Inácio Lázaro Bastos, telegrafista, jornalista, teatrólogo, professor e uma das principais lideranças republicanas da região (vide rua Inácio Bastos), chegou a Joinville nesta época, proveniente da Desterro (Florianópolis) com sua escrava. A região de Joinville já contava com escravos desde o início das Sesmarias (latifúndios de luso-brasileiros) onde por volta de 1850 existiam em torno de 60 a 70 escravos. Entre a população local, também existiam diversos escravos libertos e outros “emprestados” a imigrantes da região e que realizavam todo o tipo de oficio, de barqueiros, artesãos a criados. O próprio Inácio Lázaro Bastos, telegrafista, jornalista, teatrólogo, professor e uma das principais lideranças republicanas da região (vide rua Inácio Bastos), chegou a Joinville nesta época, proveniente da Desterro (Florianópolis) com sua escrava.
Na Colônia Dona Francisca existia um verdadeiro apartheid (separação exclusiva de negros), que eram proibidos de freqüentar qualquer um dos clubes que brancos freqüentavam.A segregação racial, segundo o livro, era motivo de orgulho dos ditos “alemães” que se viam como exemplos de civilização.

O sucesso da usina de açúcar de Pirabeiraba foi registrado por um dos mais renomados historiadores, Carlos Ficker, que descreveu em sua obra: “História de Joinville: Crônica da Colônia Dona Francisca”, a reprodução de um relatório produzido pelo Senhor Bruestlein, prefeito de Joinville em 1880, onde o mesmo enaltecia o plantio e o beneficiamento da cana-de-açúcar de Pirabeiraba.

O sucesso desta usina foi tão expressivo, que em dezembro de 1884, Sua Alteza Real o Conde d’Eu, esposo da Princesa Isabel, permaneceu três dias em Joinville, visitando a Fazenda Pirabeiraba e outros estabelecimentos industriais e rurais, desta colônia.

O interessante é que em nenhum momento o Sr Frederico Bruestlein, administrador da Colônia Dona Francisca, mencionou a presença de escravos na Fazenda, ou em qualquer outra parte da região, até porque sua propriedade fazia divisa com a Fazenda Gomes, onde faziam uso de mão obra escrava.

Acreditamos que esta ausência de registros foi proposital, em virtude de uma legislação que proibia as Colônias de Imigrantes fazerem uso desta mão de obra. Nesta linha também segue o grande historiador Carlos Ficker, pois em sua obra sobre a colonização joinvilense, fez vários paralelos com acontecimentos políticos e sociais no âmbito nacional em sua narrativa cronológica, porém quando chegou ao ano de 1888, registrou em quatros linhas que na noite do dia 15 de maio, “… sob chuvisco e tempo nebuloso, percorreram a cidade de Joinville os negros, mulatos, moradores da redondeza, soltando foguetes…”.

Com certeza não foram os escravos de São Francisco do Sul, que se deslocaram até Joinville para homenagear a Princesa Isabel e o Conselheiro Antonio Prado, mas sim os próprios escravos joinvilenses, que tanto os historiadores tentam “Invisibilizar”.

O viajante Auguste de Saint-Hilare, em sua passagem por São Francisco do Sul em 1820, registrou em sua obra um censo populacional significativo, pois da população de 4.028 pessoas, 871 eram escravos. Acrescentou que o número de escravos não crescia proporcionalmente ao número da população livre, por uma questão econômica, pois devido à falta de recursos, os agricultores optavam pela aquisição de dois escravos homens, que era muito mais lucrativo, ao invés de um casal.

Relacionou a mão obra escrava com o cultivo da cana-de-açúcar, dizendo que esta cultura dá-se muito bem, porém toda a produção era empregada na fabricação de aguardente. Diante deste registro podemos verificar a significativa presença escrava nesta região, inclusive nas plantações de cana-de-açúcar.

3 REGISTROS E CASTIGOS

Encontramos mais registros de escravos rurais na Colônia Dona Francisca (atual Joinville), inclusive listando-os como propriedades do Sr João Gomes de Oliveira, proprietário de uma Fazenda no Rio Cubatão Grande, por volta da década de 1880. Observe o texto de Ricardo Costa de Oliveira:

Alguns escravos do meu trisavô João Gomes de Oliveira, fazendeiro do Rio Cubatão Grande, município de Joinville, Santa Catarina, por volta da década de 1880. Eram classificados como de regular moralidade. Bernarda, preta, 24 anos, solteira, da lavoura e apta para todos os serviços. Com quatro pessoas de família Benta, preta, 25 anos, com tres pessoas da família. Theodora, preta, 27 anos, com tres pessoas de família. Rosália, preta, 17 anos, sem família. Lucrécia, preta de 11 anos. André, preto de 32 anos, Joaquim, preto, de 25 anos, Luiz, pardo, 29 anos, João, preto, 21 anos. Marcos, preto, 14 anos, Fabricio, preto, 14 anos, Gaspar, preto, 13 anos. Antonio, preto, 13 anos, Ventura, preto, 14 anos. Em 15/3/1888 consta o óbito de Gaspar, afogado no Rio Cubatão Grande. Escravo de João Gomes de Oliveira. O corpo foi encontrado rio abaixo, no terreno de Herman Vetlerdander.

O historiador Gleison Vieira, no seu livro “Porto Barrancos, Berço de Garuva”, reiterou a existência da Fazenda Gomes, próximo a Estrada Três Barras, dizendo que se dedicavam a criação bovina e que tinham mais de quinhentas cabeças de gado. Disse ainda que segundo suas fontes, esta família chegou ao local em 1830, e teria possuído muitos escravos, e que os escravos infratores, não só desta fazenda, mas também da região eram amarrados em pelourinhos numa Ilha conhecida como Ilha do Inferno (Ilha do Nego), próxima ao Porto Barrancos e cruelmente castigados. Mais de uma dezena destes pelourinhos permaneceram de pé até 1920, segundo moradores da região. Esta Ilha constava no mapa feito por Jerônimo Coelho de 1846.

Outro relato curioso deste escritor relacionando à presença escrava, a família Gomes e a Ilha do Inferno, é a lenda do capitão do mato Antônio Polaco:

Esta lenda foi lembrada pelo Senhor Policarpo Gonçalves, que viveu por anos nas Três Barras e se recorda do que os antigos falavam sobre este novo personagem. Segundo a narrativa, o vulgo Antônio Polaco cuidava dos escravos da Fazenda das Três Barras. Era um “capitão do mato”. Mas, como era um homem livre, ele sempre ambicionou terras para si (e com razão, pois o sistema colonial agrário se concentrava, aparentemente, na figura do fazendeiro e do negro cativo). Quando ocorria uma transgressão por parte de um escravo, Antônio Polaco os levava até a ilha e lá os amarrava, para serem “devorados” pelos maruins. Em suma, era um homem que personificava a própria maldade. Ao morrer, este capitão foi enterrado no cemitério próximo ao Rio Cavalinhos. O tal Antônio Polaco foi tão perverso e ganancioso durante a vida, que seu cadáver foi amaldiçoado. Ao cobrir seu caixão, no dia seguinte, não havia mais terra sobre sua tumba, não importa o que se fizesse. Com medo desta maldição, retiraram o caixão daquele cemitério e levaram-no para distante dali, para a ilha onde amarravam os escravos, e desde então, a ilha teria recebido o nome nefasto de Ilha do Inferno.

4 NEGROS AFRICANOS

Segundo Denize Aparecida da Silva, que apresentou em seu trabalho; “Estigmas e Fronteiras: atribuição de procedência e cor dos escravos na freguesia de Nossa Senhora da Graça (1845/1888) revelou um dado curioso e surpreendente, pois encontrou registros em São Francisco do Sul de um número expressivo de escravos africanos, o que coloca em cheque o falar histórico que Santa Catarina teria apenas escravos negociados entre províncias.

Ela relatou que os registros de batismos da referida freguesia Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco Xavier, atual São Francisco do Sul, marcaram uma ínfima quantidade de africanos, porém os processos de inventários, principalmente os da década de 1850 revelaram um número significativo de africanos entre os cativos do local. Observe o quadro exposto em seu trabalho:

Analisando os dados expostos, percebemos que a partir de 1870 o número de escravos africanos caiu bruscamente, e também que a população escrava africana vinha diminuindo no decorrer de uma década para outra, isto pode significar o efeito da proibição do tráfico negreiro no atlântico.

Denize, concluiu que a população predominante entre os cativos de São Francisco do Sul era Crioula, porém ainda que raramente, o Porto de São Francisco recebeu muitos escravos africanos oriundos da África Central Atlântica.

Em nossa última visita ao Museu do Mar em São Francisco do Sul, perguntamos ao jovem responsável por nos conduzir nesta visita, onde ficava o depósito de negros escravos trazidos pelos navios, afinal ali funcionava o antigo porto. Este jovem olhou-nos e disse não ter conhecimento deste fato, pois não tem nenhum registro.

5 UM POUCO DE DESTERRO

A maior incidência de fontes da presença escrava em terras catarinenses tem sido Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, capital de Santa Catarina. Isto tem uma explicação lógica e facilmente provável, devido ao poder aquisitivo da população local, tanto econômica, quanto política e cultural.

O Nosso viajante já citado Auguste de Saint-Hilare, em sua passagem por Desterro, também registrou em seu livro: “Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina”, que os agricultores da Ilha de Santa Catarina, parecem mais “industriosos” do que os fazendeiros do interior e também fez menção de escravos rurais na Ilha de Santa Catarina.

Saint-Hilare relatou que em 1820, a população da ilha era de 14.000 sendo que 2.800 eram escravos. Em outro relatório, em 1841 registrou uma população de 19.568 indivíduos, dos quais 4.336 eram escravos, porém sobre este último censo, ele levantou suspeitas, quanto sua veracidade, pois os dados poderiam ter sido maquiados em virtude dos conflitos sulistas, o que justificaria as informações falsas.

Outro registro interessante de Saint-Hilaire, foi quando saindo da Ilha de Desterro, resolveu ancorar defronte uma Igreja, em Nossa Senhora da Lapa. (Provavelmente atual Ribeirão da Ilha). Numa conversa amistosa com o Vigário local, descobriu que a população daquele povoado era de 1900 indivíduos, sendo que 500 eram escravos.

O líder eclesiástico justificou que o grande número de escravos era reflexo das grandes plantações de cana-de-açúcar na região, que o próprio viajante descreveu quando passou por elas, como um grande mosaico verde. Mais uma vez, registros comprovam a mão de obra escrava em fazendas.

O número de escravos foi tão significativo em Desterro, que fontes comprovaram que Santa Catarina também exportou escravos após o tráfico internacional. O historiador Rafael da Cunha Scheffer, no seu trabalho, Comerciantes de escravos em Campinas – década de 1870, falou sobre o comércio de escravos entre as regiões brasileiras, após a proibição efetiva do tráfico de escravos.

O foco do seu trabalho foram as negociações realizadas na cidade paulista de Campinas. Lá ele encontrou registros de movimentações comerciais, tendo como fonte os registros cartoriais, jornais da época (Década de 1870) que anunciavam seus produtos (escravos) para comércio e também os registros de recebimento de impostos da meia siza.

Entre os negociadores pesquisados estão, o Sr Manoel Antonio Victorino de Menezes, natural do Rio de Janeiro, que se mudou para Desterro no final de 1860. Ele anunciava no jornal local que comprava escravos para revendê-los no Sudeste. No ano de 1870 negociou na cidade de Campinas, cento e setenta escravos, quase todos naturais de Santa Catarina, porém este número de escravos pode ser ainda maior devido sua sociedade com Manoel Jorge Graça, que tem registrado em seu nome um total de noventa vendas.

6 APONTAMENTOS


A historiadora Ana Paula Wagner
relatou que até 1980, notícias a respeito de casamentos, processos, etc., envolvendo escravos, dificilmente freqüentariam as páginas de um livro de História. No entanto a autora concorda com muitos historiadores, que os tempos são outros.

Nestes quinze dias, estivemos envolvidos com estudos de literaturas e outras fontes para compor este trabalho, que apesar de todo zelo e dedicação, é apenas um trabalho de finalização de uma das muitas disciplinas do curso de pós-graduação em História Cultural, não encontramos dificuldade alguma em encontrar fontes, pelo contrário, deixamos de citar ícones da historiografia catarinense como Oswaldo Rodrigues Cabral, Laura Machado Hubener, Walter Piazza e outros.

Obviamente não podemos esperar uma variedade e quantidade tanto quanto encontramos quando estudamos a escravidão no Rio de Janeiro, Pernambuco ou Bahia. Como questionamos anteriormente, em que parte do mundo a escravidão negra foi tão intensa quanto nestes lugares!

Constatamos que apesar do mito, que a maioria dos escravos de Santa Catarina foi de ganho, ou seja, urbanos, verificamos que existiram inúmeros escravos rurais, estabelecidos nas grandes fazendas de plantações de cana-de-açúcar e bovinas.

O comércio de escravos também aconteceu no Estado de Santa Catarina, chegando a exportar mão de obra escrava para outras regiões do país. E o número de registros deste comércio só não foi mais expressivo por causa de vários fatores tais como o baixo poder econômico da população catarinense, as guerras sulistas e a Abolição.

7 CONCLUSÃO

Este é o momento que devemos cumprir o nosso papel, e como um arauto anunciar em alta voz. Isto não é fácil, pois mitos geralmente estão impregnados no consciente humano, portanto muitos não aceitam e tentam resistir até o fim na esperança de que ele sobreviva.

A presença de Escravos Negros na Província de Santa Catarina, não foi ínfima, pelo contrário foi muito expressiva, ainda mais se levarmos em conta a temporalidade da colonização desta província em relação a outras. No entanto, o historiador-matemático dirá, calcule o número de escravos do Rio de Janeiro em proporção a população, depois faça o mesmo com Santa Catarina, então verificará se a escravidão foi expressiva ou não.

Quanto à escassez de fontes sobre o tema: Escravos em Santa Catarina, não é verdade, temos muitas fontes e uma variedade delas, como por exemplo, processos criminais, registros cartoriais, registros de nascimento e morte nas entidades eclesiásticas, literaturas de viajantes e colonizadores, além de muitos registros orais. Porém o Historiador-Filósofo, dirá: temos que ter cuidado com as fontes, pois nem sempre são confiáveis, por isso a necessidade de selecioná-las através de um crivo altamente seletivo, de onde elas vem é a grande questão…!

Em relação ao menosprezo sobre o tema por parte de alguns autores-historiadores, é perfeitamente compreensível, principalmente nas publicações mais antigas, afinal a denominação “Afrodescendente”, é moderníssima e “Preconceito”, também não é assim tão velha. Na verdade estamos acompanhando um período de transição, apesar disto, ainda encontraremos Historiadores-Teólogos que indagarão: Se esta for a vontade de Deus! Quem são vocês para mudar isto?

Então responderemos, somos Historiadores-Historiadores e temos a missão de mostrar ao Mundo o outro lado da Cachoeira, ainda que seja cômodo para este Mundo ver apenas um lado. Obrigado Carlos Ficker!

8 REFERÊNCIAS

COSTA, Ricardo da. Escravos e Índios em Joinville de 1880.Disponível em : http://listsearches.rootsweb.com/th/read/BRAZIL/2000-01/0948027867 Acesso em : 18/07/2009

FENDRICH, Henrique Luiz. Escravos em São Bento e Campo Alegre. Disponível em: http://saobentonopassado.wordpress.com/2009/07/09/escravos-em-sao-ben. Acesso em: 20/07/2009.

FICKER, Carlos. História de Joinville, Subsídios para a Crônica da Colônia Dona Francisca. Joinville, 1965.

JOHANN, Karyne. Escravidão, Criminalidade e Justiça no Sul de Brasil: Tribunal de Relação de Porto Alegre (1874-1889).Porto Alegre , 2006, Dissertação de Mestrado, Faculdade de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

KONDER, Gustavo. Algo sobre Itajaí. Disponível em: http://br.geocities.com/familia_mueller/itajai.html. Acesso em: 19/07/2009.

MENEGHIM, Gustavo. Blog Gazeta de Joinville. Sem pudores: Livro revela as condições desumanas do tempo da colonização. Disponível em: http://gazetadejoinville.blogspot.com/2008/11/sem-pudores-livro-revel. Acesso em 19/07/2009.

SAIN-HILAIRE, Auguste de.Viagem a Curitiba e Província de Santa Catarina. Tradução: Regina Regis Junqueira. Belo Horizonte: Editora Itatiaia Limitada, 1978.

SCHEFFER. Rafael da Cunha. Comerciantes de Escravos em Campinas – Década 1870. Campinas, 2006, Doutorando em História Social da Cultura na Universidade de Campinas: Unicamp.

SILVA, Denize Aparecida da. Estigmas e Fronteiras:Atribuição de Procedência e Cor dos Escravos na Freguesia de Nossa Senhora da Graça.Disponível em : http://www.labhstc.ufsc.br/pdf2007/19.19.pdf. Acesso em 20/07/2009.

SILVA, José Bento Rosa da. Crime e Escravidão numa Freguesia da Villa do Itajahy (1861). Disponível em: http://fgmladm.itajai.sc.gov.br/arquivos/Crime%20e%20escravidao.pdf. Acesso em 25/07/2009.

WAGNER, Ana Paula. Uma Vida em Comum: Africanos Libertos e Seus Arranjos Familiares em Desterro (1800 a 1819). de BRANCHER , Ana ; AREND, Silvia Maria Fávero(Organizadoras).História de Santa Catarina – Séculos XVI a XIX.Florianópolis Ed da UFSC, 2004.p.149-173.

VIEIRA, Gleison. Porto Barrancos Berço de Garuva. Joinville: Editora Letradágua, 2007.



A siza era um imposto sobre 10% do valor do bem transferido, sendo assim, em meados do século XIX, a meia siza representava uma taxação de 5% do valor do escravo paga nas coletorias de impostos no ato da transferência de posse sobre o mesmo.


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11.3.09

É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO.

É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO.

 

 

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/ História (HID 0771) – História do Brasil Colonial

03/03/09

 

RESUMO

 

Existem várias causas que levaram Portugal a colonizar o Brasil, dentre elas, a busca de novas fontes de renda foi a maior, ainda que manter a Colônia fosse uma prioridade. A baixa lucratividade na extração do pau-brasil e os altos custos das expedições às Índias, não estavam mais suprindo o luxo e as ostentações de uma corte extravagante. O aparente fracasso das capitanias hereditárias, onde tinham a pretensão assegurar suas fronteiras e colonizar a Colônia sem custos à Coroa, fizeram D. João III rever esta política e investir na gigantesca colônia do Brasil. O Rei confiaria à Martim Afonso de Sousa a manutenção de sua Colônia, para livrá-la das invasões e ao plantio da cana-de-açúcar para manter o esplendor de sua Corte. Em virtude da vigilância precária, aconteceram várias invasões na costa brasileira, apesar da retomada territorial, estas invasões sempre causavam prejuízos a Coroa Portuguesa, mas nenhuma invasão foi mais duradoura e prejudicial quanto a Holandesa na costa nordestina. Os holandeses também foram expulsos, mas levaram consigo mudas de Cana-de-açúcar, que era a maior fonte de renda da Colônia, essas mudas quase arruinaram os sonhos portugueses e marcaram para sempre a História do nosso Brasil.

 

Palavras-chave: Colônia; Cana-de-açúcar; Progresso.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

Com o alto lucro obtido com as colônias africanas e o comércio com as Índias, Portugal não tinha interesse em colonizar sua gigantesca colônia na América. Até 1530, o único interesse da Coroa era a extração do pau-brasil e expedições de reconhecimento litorâneo.

 

O excesso de ofertas das especiarias fez o preço cair, além disso, o custo das expedições e escoltas para livrá-las de piratas e corsários, aumentavam ainda mais as despesas, de uma corte que não poupava dinheiro em luxos e desperdícios.

 

Com o intuito de proteger e explorar o Brasil, D. João III resolveu povoa-lo. O expedicionário Martin Afonso de Sousa partiu de Portugal com a missão de fundar vilas e iniciar o plantio da cana-de-açúcar, cultura muito conhecida dos portugueses e praticada em outras colônias.

 

Chegando ao Brasil, fundou a vila de São Vicente, litoral da região na baixada santista do atual Estado de São Paulo. Diferentemente das usuais feitorias, a vila era composta de uma população permanente que possuía sede administrativa, praça central, cadeia, pelourinho e igreja. A Igreja sempre esteve presente na colonização brasileira e exercendo grande influência. Observe o quão importante era para a vila a construção de uma Igreja.

 

Trinta e quatro anos após a sua fundação (da vila de São Paulo), acharam os paulistas que já era tempo de possuírem a sua igreja matriz. E é assim que, a 6 de junho de 1588, se reúne o povo na Câmara da Vila, ficando resolvido que ‘era bom que na dita vila houvesse igreja matriz e vigário’. E mais: que a matriz ‘será erguida entre as casas de Diogo Teixeira e André Mendes’ que são eleitos a seguir para angariar os recursos necessários. (BELMONTE, Apud RODRIGUE, p.191).

 

 

Martim Afonso de Sousa foi o primeiro proprietário de engenho de açúcar no Brasil, e pouco tempo depois o Brasil alcançaria o número de 235 engenhos, sendo que a maioria deles ficava no nordeste. Mas foi a partir da invasão holandesa que a colônia brasileira atinge seu ápice na produção de açúcar. Onde as técnicas de refinos holandesas se tornariam tão importante quanto à mão de obra escrava.

 

O aparente progresso atingindo com a monocultura açucareira, a Coroa nunca desistiu do seu El Dourado. Apesar do fracasso das duas expedições enviadas pelo rei para encontrar ouro e pedras preciosas, o sonho de encontrar metais preciosos em terras brasileiras nunca foi deixado de lado.

 

 

2  A EsTRUTURA CANAVIEIRA

 

A sociedade açucareira era dividida em duas classes sociais, formada pelos senhores de engenho e sua família e a formada por dependentes, agregados e escravos.

 

A estrutura física dos engenhos era formada por várias benfeitorias desde capela até cemitério. O custo das instalações de todas estas benfeitorias e construção da casa-grande, senzala, as máquinas e instalações em que o açúcar e a aguardente eram fabricados e condicionados, bem como outros equipamentos como moenda, vasilhas de cobre e as fornalhas, era de responsabilidade do colono.

 

Também era necessário adquirir animais de tração para transportar a cana da roça até o engenho, além dos escravos, era imprescindível a contratação de assalariados e técnicos especializados como o mestre-de-açúcar e feitor-mor.

 

Diante de toda esta estrutura poucos possuíam capital para montar um engenho. A maioria dos colonos ocupava-se apenas do plantio da cana, dependendo de outros para moela e beneficia-la.

 

 

3 O APOGeu DO AÇUCAR

 

            Entre 1550 e 1650, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de açúcar. Apesar dos holandeses ficarem com a maior parte do lucro, pois eram eles que refinavam o açúcar brasileiro e revendiam, o sucesso com a comercialização da cana-de-açúcar, estimulou outras culturas brasileiras, como por exemplo, a pecuária.

 

            A economia açucareira contribuiu de certa forma, para a interiorização do Brasil, pois precisavam aumentar mais as áreas de plantio e consequentemente as fazendas de gados tinham que adentrar ainda mais os sertões coloniais.

 

            Em virtude do aumento da produção, a lavoura canavieira estimulou ainda um outro comércio, o tráfico de escravos, sendo considerado por muitos historiadores um mal necessário para o Brasil colonial.

 

Com a interatividade desta nova sociedade e a população indígena, resultou o estimulo à agricultura de subsistência e a produção do fumo, que ao ser levado para a Europa se tornou moeda de troca na aquisição de escravos.

 

Mesmo depois da queda de produção canavieira, o açúcar ainda continuou sendo o principal produto de exportação brasileira durante o período áureo da Colônia.

 

 

4 O CORAÇÃO DO ENGENHO

 

Muitos podem pensar obviamente que o coração do engenho é o engenheiro, ou seja, a casa grande. Outros ainda dirão que o coração do engenho é a plantação, onde se colhe a cana. No entanto não teríamos engenheiro, se não tivéssemos a plantação, da mesma forma não haveria plantação, se não tivéssemos a mão de obra escrava. 

 

Em 1434, o navegador português Gil Eanes adicionou ao seu feito histórico de ultrapassar o Cabo Bojador, o primeiro transporte de um comércio muito lucrativo, o tráfico de escravos. Com seu navio abarrotado de negros, capturados por tribos rivais na costa da África, Gil Eanes inicia um comércio que duraria quase quatrocentos anos no Brasil.

 

No primeiro momento os engenhos brasileiros usavam a mão de obra escrava dos indígenas, o que não deu muito certo devido a sua cultura e forma de vida. Os escravos vindos da África, já eram utilizados nas plantações de cana-de-açúcar em outras colônias portuguesas como as Ilhas Açores e Madeira.

 

Segundo, Joelza Ester Rodrigue, nos engenhos brasileiros a jornada de trabalho diário durava de 14 a 17 horas, sob a vigilância dos feitores, que eram autorizados a castigar com os mais diversos castigos os “preguiçosos”. Os castigos geralmente eram aplicados em público para intimidar os demais.

 

“No Brasil, costumam dizer que para o escravo são necessários três PPP, a saber, pau, pão e pano. Quisera Deus que tão abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo, dado por qualquer causa pouco provada e levantada, com instrumentos de muito rigor. Alguns senhores fazem mais caso e cavalo que de meia dúzia de escravos, pois o cavalo é servido, e tem quem lhe busque capim, têm pano para o suor, sela e freio dourado” (ANTONIL, Apud RODRIGUE, p.211).

 

 

5 O BRASIL HOLANDÊS  SOB A COROA ESPANHOLA

 

Com a União Ibérica, Portugal ficou sob domínio da Coroa espanhola regida por Dom Henrique I. Isto fez com que os acordos comerciais que Portugal mantinha com outros paises fossem revogados, principalmente os acordos com a Holanda, que reciprocamente não tinham negócios e tão poucos desejavam ter.

 

Diante disto restou aos holandeses à invasão. Após uma tentativa frustrada, em 1630 a frota holandesa ataca Olinda e Recife. Apesar das resistências internas, o domínio holandês se consolidou e ainda anexaram outros territórios litorâneos.

 

Sob o Governo de Mauricio de Nassau, esta região alcançou grande progresso. Este governante ganhou a confiança dos Senhores de engenho, emprestando-os dinheiro para refazer suas lavouras, que haviam sido destruídas durante as resistências à Invasão. Nassau reduziu impostos, aumentou a produção canavieira e introduziu novas tecnologias como irrigação e adubação do solo.

 

Em 1640 Portugal, reassume e coroa e Don João IV encontra um país em sérias dificuldades, depredado pela má administração espanhola. Quatro anos após Mauricio de Nassau entrou em atrito com seus superiores e retorna à Holanda. Sem a política conciliatória de Nassau a população formada por escravos, índios e colonos se reúnem e conseguem expulsar os holandeses derrotando-os na batalha de Guararapes.

 

A Holanda partiu do Brasil, mas levou consigo mudas de cana-de-açúcar e formaram outras lavouras nas Antilhas, colônias holandesas na América Central. Começou produzir açúcar e vender “a  preço” muito mais baixo, fazendo a produção brasileira entrar em colapso e declínio.

 

 

5 CONCLUSÃO

 

Mesmo com a queda na produção, a colônia continuou produzindo cana-de-açúcar e quando os olhos da coroa se voltaram para outra região, onde a incansável busca pelo ouro foi recompensada ao encontrar a maior reserva de metais preciosos do mundo, a cana-de-açúcar continuou sendo uma importante fonte de renda.

Atualmente o Brasil é o principal produtor de cana-de-açúcar do mundo. Além do açúcar, também são produzidos da cana outros produtos, onde destacamos: O álcool, combustível e o bio-diesel.

Oficialmente não temos mais trabalho escravo nos canaviais, mas os denominados “Bóias Frias”, que são os poucos trabalhadores que restaram devido à inserção de novas tecnologias no corte e manejo da cana, ainda sofrem com problemas devido aos baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Muitos brasileiros e brasileiros, independentemente da cor, etnia ou credo, deram suas vidas em campos e lavouras deste Brasil quinhentos anos e quantos ainda darão, pois a cada dia nossa História escreve uma página!

 

A homenagem aos que ainda farão parte desta linda História, deixaremos aos historiadores do futuro. Para os que construíram o nosso Brasil Colônia, resta-nos dizer, muito obrigado por terem desde o inicio acreditado e sonhado com uma terra melhor e mais segura para nossa geração.

 

Este grande mosaico étnico formado de várias cores e muitos amores, produziu Caramuru, Castro Alves, Zumbi, Rui Barbosa, Antônio Conselheiro, Lampião, Pixinguinha, Luis Gonzaga, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Chica da Silva, Chico Mendes, Chico Buarque de Hollanda, Chico Anísio e outros Chicos, Josés , Marias, Clarisses, Betinhos e Luizes, como Luiz Inácio “Lula” da Silva,  pessoas que fizeram e fazem a cada dia a História do nosso Brasil.

 

 

 

6 REFERÊNCIAS

 

ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil, 1711. Belo Horizonte: Edusp. 1982 p.91.

 

BELMONTE. No Tempo dos Bandeirantes. São Paulo: Melhoramentos, 1948, p.75.

 

SOUZA, Evandro André; SAYÃO Thiago Juliano. História do Brasil Colonial. Indaial: ASSELVI, 2007.

 

RODRIGUE, Joelza Ester. A História em Documento. 6ª Série. São Paulo. Ftd, 2006, p.191,211.

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28.1.09

A TRÍADE DO APRENDER

 

A TRÍADE DO APRENDER

 

 

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/História (HID 0771) – Didática e Avaliação

29/01/08

 

RESUMO

 

A educação que outrora foi privilégio de poucos, se tornou com o passar do tempo, acessível a todos ou quase todos. Esta acessibilidade é resultado de lutas, dos muitos pensadores, questionadores e visionários que estavam à frente de seu tempo, pois entendiam que a educação não era simplesmente um privilégio, mas um direito. Hoje existe a necessidade de se criar leis que obriguem as pessoas a irem à escola. Muitas vezes vão para as aulas, sem ter a mínima vontade de aprender, estes (as) não aprendem de forma consciente. Existem ainda aquelas que querem e até acham que estão aprendendo. Este trabalho pretende confrontar os conceitos de aprendizagem, para que possamos aprender a aprender.

 

Palavras-chave: Querer; Desenvolver; Compreender.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

            Lendo a introdução de uma entrevista com o professor Vicente Martins, sob o título, “Como desenvolver a capacidade de Aprender”, citada pela professora Íris Weiduschat, na agenda da disciplina, Didática e Avaliação, como anexo A, p.9, chamou-nos a atenção o relato sobre os três fatores que influenciam no desenvolvimento da capacidade de aprender.

 

            Decidimos discorrer ainda que superficialmente, a respeito do que entendemos desta tríade de fatores composta pela Atitude de querer aprender, Desenvolver a aprendizagem e Compreender o que aprendeu.

 

            Sabemos que algumas pessoas podem não concordar com a nossa opinião, inclusive até nós mesmos, amanhã ou depois poderemos discordar categoricamente, com algumas ou talvez todas essas afirmações, afinal nós recém concluímos a primeira fase de nossa licenciatura, além disto, descobrimos que nunca praticamos a verdadeira aprendizagem, porém nunca é tarde!

 

            Esperamos que estas declarações possam contribuir e provocar uma análise introspectiva, questionando como tem sido nossa maneira de aprender, como aprender mais e o que temos aprendido.

            Se  nossa aprendizagem está improdutiva, calada, inexpressiva e conformada, não está bem, e necessita de socorro, temos que Aprender a Aprender, observando a Tríade do Aprender.

 

 

2 ATITUDE DE QUERER APRENDER

“Eu quero aprender”, quantos entram em uma instituição de ensino, desejando realmente Isto? Criou-se uma atmosfera de obrigatoriedade em relação à Escola, justificativas como, porque todos vão, você tem que ir , tem que saber disto , daquilo , se não estudar não vai ter um bom emprego, não vai ser ninguém na vida ,etc.

          Acreditamos que aqueles que ignoram tais ameaças , vislumbram a verdadeira essência da educação ,descobrem que podem e decidem fazer a diferença no meio em que vive , e através disto constroem um olhar crítico e tornam-se  grandes questionadores e criadores das marchas.

         Questionam o sistema ,o governo, a sociedade, as estruturas, a educação, a saúde, a segurança, etc. Estes são os transformadores conceituais de seu tempo, e tudo porque decidiram aprender a aprender, não que a verdadeira aprendizagem nos tranformem  em rebeldes sem causa, pois que causa foge aos olhares críticos de quem verdadeiramente se educa.

        Temos a tendência de  cobrar-nos demasiadamente, a ponto de achar que ao sairmos das estruturas educacionais, temos a obrigação de saber tudo , afinal foram muitos anos e agora é o nosso dever social demonstrar que aprendemos tudo.

        Se este for o nosso pensamento, infelizmente teremos que recomeçar a nossa caminha escolar, pois não conseguimos perceber a essência da educação, e conseqüentemente nunca seremos um diferencial em nosso meio,um questionador transformador.

        Na educação não obtemos a espada , mas sim o segredo do fogo para forja-la, não desviamos ou anulamos correntes d’agua, mas a transformamos em energia, é na Escola que adquirimos a “Lupa” que nos ajudará a fazer a famosa leitura do mundo , tão defendida e incentivada pelo saudoso educador Paulo Freire.

          Para entendermos a verdadeira aprendizagem, teremos que tomar a atitude, de querer aprender a aprender , não por imposição ou  obrigação social, mas sim, “porque eu quero”!

           

3 DESENVOLVER O APRENDER  

 

            Como dissemos anteriormente , quando decidimos aprender a aprender, entendemos que a importância não está somente nos peixes, mas também na forma de pescá-los. Qual a melhor vara, a isca certa, que lua é a mais indicada, qual o clima é mais propício, em que condição a pescaria terá mais êxito, barco ou margem? Enfim, são informações que contribuem para uma pescaria prazerosa, segura e produtiva.

            Talvez possamos nos perguntar, tudo isto é necessário?  Pode  não ser , mas esta é a visão de quem aprende a aprender e desenvolve a aprendizagem, não que se esforcem para isto ,pois é com naturalidade que  necessitam e procuram tais informações.

 

           O diferencial não é o que vêem , mas sim na forma de ver, quem desenvolve a aprendizagem  através do querer aprender a aprender, busca mais profundidade e com isto adquiri uma forma diferenciada e tridimensional de ver o mundo, ou seja, observam além do plano ,intrigados com o que tem por trás do que se vê.

 

            Entendemos que aprender não é um evento, mas sim um processo, um processo infinito e progressivo , pois quanto mais aprendemos , mais sentimos a necessidade de aprender , pois através da aprendizagem adquirida ,descobrimos que ainda há muito mais à aprender .

 

 

4 COMPREENDER O QUE APRENDEU

 

            O Desenvolvimento da aprendizagem nos impulsiona ao seguinte degrau, pois que adianta sabermos qual a vara, a isca, a lua, o clima, o barco, enfim várias informações e não discenir suas conexões e finalidades, sem a compreensão deste desenvolvimento, jamais teremos uma pescaria prazerosa, segura e produtiva.

 

A compreensão das informações e conteúdos agregados durante nossa caminhada escolar é que irão direcionar a nossa “Lupa” para a leitura do mundo.

 

Certa vez , assistindo a um dos primeiros episódios de “Lost”, um dos sobreviventes estava tranquilissimo e após o acidente  disse aos outros que logo viria o resgate , pois eles (o Governo), localizavam a placa de um carro via satélite quanto mais um avião.Um outro sobrevivente esclareceu, que somente localizavam o veículo através do satélite , porque sabiam em que área procurar, diferentemente do avião, que estava totalmente fora da rota!

 

Gostaríamos de usar este exemplo e fazer uma analogia  com o nosso assunto, se não compreendemos o que aprendemos, estaremos tão sem ação quanto a equipe de  resgate , pois temos o satélite, a tecnologia e os técnicos, porém faltam informações importantes que nos impedem de progredir, de ir além.

 

Como docentes temos o dever de disponibilizar dispositivos e ferramentas que auxiliem aos discentes progredirem na compreensão de sua aprendizagem, este é o desafio de quem almeja e atreve-se a ser um educador.

Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: [...] III - zelar pela aprendizagem dos alunos; (Inciso III, art. 13, LDB). Primar pela aprendizagem do ensino é, antes de tudo, um compromisso profissional e papel social do educador.

 

5 CONCLUSÃO

 

           

            Revendo nossos conceitos subjetivamente construídos em nossa discência, temos a oportunidade de reconstruir o saber, não por orgulho, pois o orgulho não constrói, mas sim pelo desejo de colocar nas mãos de cada discente uma “Lupa”, que ampliará sua visão, porém com a “Lupa”, verão que a atual docência, necessita de uma reforma pedagógica, mas não é este o objetivo da verdadeira aprendizagem, produzir reformadores?

 

            Nenhuma docência responsável repreenderá quem deseja aprender a aprender, pois o verdadeiro papel do Educador é intermediar a relação da potencialidade cognitiva do educando com o mundo de possibilidades a sua volta, através da Tríade do Aprender.

                                   

 

6 REFERÊNCIAS

 

wEIDUSCHAT. Apud KPLUS.Agenda da Disciplina Didática e Avaliação.Indaial:ASSELVI,2007.

 

 

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AS PAREDES DE PERSÉPOLIS

AS PAREDES DE PERSÉPOLIS

 

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/História (HID 0771) – História Antiga

20/05/08

 

RESUMO

 

Na História, nunca houve um Império tão eclético quanto o Império Persa, talvez por reflexo da política adotada pelo Rei Ciro, que apesar de dominar várias nações, respeitava suas particularidades culturais, obtendo a admiração dos povos conquistados. Mas cremos que nenhum Imperador da antiguidade foi mais político que Dario o Grande, foi durante seu governo que a Pérsia atingiu seu apogeu, e entrou para a história como um dos impérios da Antiguidade. Talvez, nada saberíamos desse povo se Dario não tivesse tido a grande idéia de registrar esta linda história, narrando suas conquistas e deixando tudo devidamente registrado nas paredes de Persépolis.

 

Palavras-chave: Ciro; Dario; Persépolis.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

A conduta adotada pelas nações imperiais era de submeter política e culturalmente os povos conquistados. Foram assim no império egípcio, babilônico e assírio, os povos eram conquistados através das guerras ou por consenso a fim de evitá-las e doutrinados na cultura de seus conquistadores.

 

Este paradigma foi quebrado, quando um rei percebeu que poderia usar toda a riqueza cultural dominada a seu favor. Além disso, ficaria conhecido por ser benevolente e sábio. Foi isto que deu ao Império Persa, a mais heterogênea cultura da história mundial.

 

 

2 O PRINCÍPIO DE UM IMPÉRIO

 

Os persas eram sedentários e agricultores, viviam em conflito e oprimidos pelos vizinhos, os Medos. A partir de 559 a.C, surge um nobre chamado Ciro, este se tornou o fundador do Império Persa. Ele primeiramente dominou os Medos, mas foi ao conquistar a Lídia que Ciro se transformou em o grande rei Ciro.

O reino da Lídia era comandado pelo rei Creso, que era considerado o homem mais rico do mundo, pois tinha muitos tesouros em ouro, prata e pedras preciosas. O rei lídio ao ser ameaçado pelos exércitos de Ciro, tentou inutilmente enfrenta-los, porém os medos e persas invadiram e dominaram a Lídia.

 

Quando Creso iria ser executado, Ciro mudou de idéia e mandou liberta-lo. Livre, Creso indagou Ciro: O que faz os teus soldados com tanta pressa? Ciro respondeu: Estão saqueando a tua cidade. (RODRIGUE, apud HERODOTO).

 

Creso então explicou para Ciro que ele nada mais tinha, e que todo o tesouro que estava sendo saqueado, a cidade que estava sendo destruída e os povos que estavam sendo massacrados, agora pertenciam ao grande rei Ciro.

 

Ciro ordenou imediatamente que cessasse os saques e os massacres. Assim nasceu uma nova política, que faria do Império Persa, único e que tornaria seus reis temidos e admirados por todas as nações da terra.

 

 

3 A EXPANSÃO IMPERIAL

 

Assim a Pérsia crescia e se fortalecia, depois de submeter seus vizinhos, Ciro dominou as cidades gregas da Ásia Menor, da Mesopotâmia e da Síria. Deste modo Ciro conquistou e libertou os Judeus que estavam escravizados. Aos judeus deu o direito de reconstruir a Palestina e adorar livremente o seu Deus. Não seriam tratados como escravos, porém estariam sujeitos à Pérsia e a ela pagariam impostos.

 

Em 528 a.C. morre o grande rei Ciro, que deixa seu legado ao seu filho Cambises. Mas Ciro seria lembrado para sempre como grande conquistador e político, por causa das paredes de Persépolis.

 

4 CAMBISES, O SUCESSOR

Sendo um conquistador semelhante ao pai, Cambises não tinha a mesma benevolência, era temido pela sua crueldade, a ponto de matar seu próprio irmão pelo poder.

 

Conquistou o Egito, mas manteve os nobres egípcios no governo e nos cargos religiosos. Estendeu seu Império até a Índia, destacando-se como um eficiente administrador. Apesar das revoltas de alguns segmentos dos povos dominados, a presença do exército imperial mantinha a ordem e a submissão local ao Império Persa.

 

 

5 DARIO,O GRANDE REI DA PÉRSIA

 

Dario assumiu o império em 522 a.C. devido à morte acidental de seu tio Cambises, sob seu governo o Império Persa alcançou o apogeu. Uma rede de estradas foi construída para unir os mais distantes pontos do império. O comércio se desenvolveu, por isso foi necessária a criação de moedas de ouro. Novas rotas marinhas foram descobertas e as existentes impulsionadas, pelas ações do seu governo. Segundo a historiadora Joelza Rodrigue (2006):

 

O desenvolvimento das vias de transportes facilitou muito a comunicação, favorecendo o contato comercial e cultural entre os povos sob domínio do imperador persa. Foram difundidos o uso de moedas, o alfabeto fenício, a vida urbana, as técnicas agrícolas e metalúrgicas, os processos de irrigação e o sistema sexagesimal, que se tornou a base da matemática de numerosos povos.

 

Apesar de respeitar as mais diversas religiões, o povo persa também tinha suas convicções e conservavam as suas crenças primitivas. O rei Dario transformou as idéias difundidas pelo profeta Zoroastro, na religião oficial da Pérsia sob o nome de Mazdeísmo.

 

Devido às dimensões do vasto império Persa, Dario divide seu império em satrapias , através deste processo de unificação, adotou um sistema de pesos e medidas e instituiu imposto de quantia fixa. A economia girava em torno da agricultura, da pecuária, do artesanato, da mineração de metais e pedras preciosas e da metalurgia.

 

 

6 DARIO E AS PAREDES DE PERSÉPOLIS

 

De todas as ações de Dario, a mais ousada sem dúvida foi no campo da arte.

Ele percebeu que a interação cultural entre os povos do seu império poderia ser utilizada para difundir e eternizar as ações de seu governo.

 

A escrita ainda era restrita, poucos detinham este conhecimento, então Dario usou a arte das imagens esculpidas em relevo nas paredes de Persépolis para propagar a sua imagem política.

 

Enquanto reis de impérios anteriores produziam tumbas faraônicas, outros esculpiam e pintavam imagens de guerras, em que representavam o rei esmagando e massacrando os povos dominados, o rei Dario, eternizava e honrava seus povos, esculpindo-os nas escadarias do palácio de Persépolis, no acesso à sala de audiência. Eram imagens, onde os povos dominados pelo império honravam o grande rei Dario, com oferendas típicas de seus países. Que outro rei, retrataria seus ex-inimigos nas paredes de seu castelo?

 

 

7 CONCLUSÃO

 

O império persa surgiu diante das batalhas vencidas pelo valente rei Ciro, que além de guerreiro, demonstrou ser um exímio político quando adotou medidas de respeito às culturas dominadas. Dario, por sua vez consolida este império com a sua forma eclética e ousada de administrar, usando recursos totalmente novos para se tornar um dos mais populares reis da antiguidade.

 

Hoje vemos nas páginas da Bíblia, que conta a história do povo hebreu, referências de Ciro e Dario como enviados de Deus, para libertá-los. Este foi o legado dos reis Persas, serem admirados e enaltecidos pelos povos dominados.

 

O mundo conhece melhor a Pérsia e seu reis, quando conhece as Paredes de Persépolis, onde tudo esta registrado, talvez isto sempre fosse o maior desejo de Dario, o Rei da Pérsia.

 

 

8 REFERÊNCIAS

 

RODRIGUE, Joelza Ester. História em Documento. 5ª Série. São Paulo: Ftd, 2006.

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13.1.09

INCLUINDO UMA IGUALDADE DIFERENTE

 
INCLUINDO UMA IGUALDADE DIFERENTE

   

Edevânio Francisconi Arceno

Prof. Marcos Neotti

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Licenciatura/ História (HID 0771) – Educação Especial

18/11/08

 

RESUMO

 

Incluir é uma palavra que esta cada vez mais na mídia. Afinal excluir passou a ser politicamente incorreto. Incluir é inserir em um contexto já formado algo ou alguém que estava fora, ou seja, excluído deste contexto. Apesar da Constituição de 1988 determinar a inserção das pessoas portadores de deficiência na Educação regular, algumas instituições relutavam , defendendo que o melhor para os deficientes é uma educação especifica e diferenciada. Apesar das resistências, a inclusão de pessoas portadoras de deficiências nas escolas regulares está cada vez mais comum, pelo menos em termos de matriculas. Mas esta educação está acontecendo de fato? Os nossos portadores de deficiência estão realmente sendo incluídos?Ou estão apenas sendo transformados em números estatisticamente positivos, para demonstrar um Brasil que teoricamente se preocupa com todos os seus cidadãos e capacita seus Educadores para uma Escola Inclusiva.

 

Palavras-chave: Deficiências; Inclusão; Educação.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

Segundo Rosana Rodrigues Dias, “não basta matricular para dizer que somos uma escola inclusiva, é preciso garantir as condições de aprendizagem” (Nova Escola, outubro, 2007, p. 41). A Escola inclusiva perpassa por todos os envolvidos no contexto social, a mudança de mentalidade tem que abranger todos.

 

O Brasil caminha lenta, mas continuamente em direção de uma Escola Inclusiva de fato, tanto que em 1997, quase 90% das pessoas com deficiência matriculadas freqüentavam instituições ou classes especiais. Hoje, apenas 53% estão nessa situação, ou seja, quase metade está em salas regulares. ( Nova Escola, outubro, 2007, p. 39).

São dados de extrema relevância, pois demonstram uma progressão no cumprimento da nossa constituição que prevê em seu art. 206, que o ensino será ministrado com base no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Ainda no art. 208 diz que é dever do Estado fazer com que a Educação seja efetiva, mediante a garantia de que o atendimento especializado aos portadores de deficiência, seja feito preferencialmente na rede regular de ensino.

Mas será que nossas Escolas, que apresentam estatísticas tão otimistas, estão realmente cumprindo o seu papel de escola inclusiva? Estes alunos matriculados estão realmente sendo incluídos? Ou simplesmente trocaram à margem da Sociedade pelas margens dos espaços físicos das instituições escolares, colocados em salas de aulas que não são mais utilizadas e agora são denominadas salas de TOs (Terapia Ocupacional) ou similares.

Incluir vai além de simplesmente coloca-los na Escola, incluir é oportunizar condições para que ocorra a aprendizagem.

 

2 CONCEITUANDO PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS

Segundo o dicionário Wikipédia, a Organização Mundial de Saúde definiu que a Deficiência é o termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Diz respeito à biologia da pessoa.

Considerar alguém com síndrome de Down e que dança o “Lago dos Cisnes”, ou que consegue tocar uma Sinfonia de Beethoven , ou ainda olhar para alguém como Daniel Dias , atleta paraolimpico , que ganhou nove medalhas na natação na última paraolimpíadas de Pequin, e chamá-los de “deficientes” , não é um termo apropriado.

A expressão, pessoa com deficiência pode ser aplicada referindo-se a qualquer pessoa que possua uma deficiência O termo “deficiente” para denominar pessoas portadoras de deficiência tem sido considerado inadequado.

 

3 AS DEFICIÊNCIAS

 

As deficiências podem ser denominadas: física ou intelectual. Ambas podem apresentar diferentes níveis de comprometimento, bem como podem ser conseqüências de diferentes causas.

 

As deficiências podem apresentar-se nos períodos: pré-natal, peri-natal e pós-natal. Existem ainda as deficiências congênitas, ou seja, de ordem biológica e as adquiridas. Também podem ser reversíveis e irreversíveis.

 

           

3.1 DEFICIÊNCIA FÍSICA

Deficiência física é o nome dado as consequencias de problemas que ocorrem no cérebro ou sistema locomotor, e levam a um mal funcionamento ou paralisia dos membros inferiores e/ou superiores.

Aparentemente pode parecer que a inclusão de pessoas com deficiências físicas é fácil, pois sua congnição é menos comprometida.Acontece que as deficiências fisicas também se apresentam em diferente níveis, e algumas afetam profundamente o processo cognitivo.

A inclusão das pessoas com deficiências fisicas , exigem além de profissionais capacitados, uma profunda adequação e estruturação das instituições de Ensino, tais como: rampas , apoiadores, pranchas, pisos com texturas diferentes,etc.

Outra grande dificuldade na inclusão de pessoas com deficiência física, são as reações causadas em virtude de sua aparência.Por mais concientizados que possamos parecer , o diferente , causa-nos estranheza e medo. Talvez por causa da nossa insensibilidade ou ainda , pode ser reflexos de uma Sociedade que  escondia suas deficiências ,  em detrimento de seus  portadores.

 

3.2 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

A Deficiência Intelectual corresponde às expressões como insuficiência, falta, falha, carência, imperfeição, que se definem como um conjunto de problemas que ocorrem no cérebro humano, e leva seus portadores a um baixo rendimento cognitivo, mas que não afeta outras regiões ou funções cerebrais.

A Deficiência mental não é uma doença, portanto não tem cura. Porém o seu lado intelectual é afetado. Apesar de reduzida esta capacidade intelectual, abaixo dos padrões considerados normais, o portador tem capacidade de aprender.   

Ela se apresenta em diferentes graus de comprometimento intelectual , diferenciando suas  potencialidades , tornando seus portadores diferentes entre si. Na maioria das vezes, as dificuldades se  manifestam como : nítido atraso em seu desenvolvimento neuropsicomotor, aquisição da fala e outras habilidades (comportamento adaptativo).

O processo de aprendizagem é compreometido,mas não é nulo, portanto as pessoas portadoras de deficiencia Intelectual, não podem ser excluidas do processo de aprendizagem.

 

4 INCLUSÃO DE FATO, COMPROMETIMENTO DE TODOS

 

A escola inclusiva parte do pressuposto que todas as pessoas podem aprender e fazer parte da vida escolar e social. Ela garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos, reconhecendo e respeitando a diversidade, respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades.

 

A inclusão não pode ser encarada como assistencialismo. A inclusão escolar de portadores de deficiências não é caridade, é o resgate de um direito constitucional, garantido por lei a todos os cidadãos, independente de sua condição física ou intelectual.

 

Escolas que não buscam adaptar seu espaço físico e disponibilizar recursos para a capacitação de sua docência, estão descumprindo a lei e negando a estes cidadãos o direito à Educação.

 

As instituições de Ensino, através de seus responsáveis têm a incumbência de exigir do Estado, os recursos necessários para dispor a todos portadores de deficiência, oportunidades e os meios de alcançarem a aprendizagem, independentemente do tempo de resposta desta aprendizagem.

 

 

5 CONCLUSÃO

 

Podemos imaginar, como reagiria um Espartano do século X a.C. , ao visitar nossas escolas inclusivas e observar um aluno com Síndrome de Down participando das atividades em grupo na sala de aula, ou se derrepente ele observasse um jovem com movimentos involuntários provocados por uma deficiência neuromotora, escrevendo uma frase toda rabiscada ou ainda um cego tateando um livro todo perfurado, extraindo dali um mundo de informações. Talvez ele dissesse: O que eles fazem aqui? Por que não os lançaram no abismo com os outros? Por que os deixaram viver?

 

Por mais absurda que possa parecer esta indagação, ainda existem em nossa sociedade muitos Espartanos, que acham que pessoas portadoras de deficiências, nada podem agregar. Não os arremessam nos precipícios, como faziam no passado, mas os coloca do outro lado, impossibilitando uma convivência harmoniosa e interativa, jogando fora oportunidades impar de aprendizagem.

 

Existem ainda os Espartanos Institucionais, aqueles docentes que dizem não estar capacitados para receberem em suas salas de aula os deficientes. Além de inserir os portadores de deficiências do outro lado do precipício, retiram deles toda a esperança de um dia terem a possibilidade de atravessá-lo. Justo estes que tem o dever de servirem como ponte de ligação entre os dois lados deste abismo social.

 

O compromisso do Educador é com o processo de transformação do Ser Humano, proporcionando-lhes recursos para que possam através de suas potencialidades, desenvolverem a aprendizagem. Embora em algumas pessoas, a velocidade desta aprendizagem não corresponda aos padrões sociais, elas não deixam de Ser Humanos e o compromisso do Educador continua o mesmo.

 

 

 

6 REFERÊNCIAS

 

GURGEL, Thais. Inclusão, só com aprendizagem. Revista Nova Escola, São Paulo, ed.206, p.39 e 41, out.2007.

 

NASCIMENTO, Luciana Monteiro. Educação Especial. Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

 

WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. Disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Deficiente . Acesso em:12/11/2008.

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